Ser o líder da turma: Isso é bom ou ruim?
Entenda se essa característica é um bom sinal ou se é um traço de autoritarismo
que pode levar a dificuldades no relacionamento com os colegas
 
por Carla Poppa* 
 
Alguns pais e algumas mães quando observam seu filho pequeno brincando com outras crianças podem perceber que ele demonstra iniciativa para propor brincadeiras e expressar seus desejos e vontades de maneira assertiva. Nessas situações é bem comum que alguns pais tenham uma experiência conflitante. De um lado, sentem orgulho pela expectativa de que essas atitudes possam ser um sinal de que seu filho começa a exercer certa liderança entre os amigos. Por outro lado, a criança que demonstra muita iniciativa e que se expressa de maneira assertiva, com frequência também pode deixar seus pais preocupados, já que eles costumam ficar em dúvida se esses comportamentos são mesmo sinais de liderança ou se indicam que a criança tenta impor seus desejos de maneia autoritária.
 
Para lidar com essa dúvida, o primeiro passo é tentar identificar se a assertividade e iniciativa da criança são sinais de liderança ou de autoritarismo. Isso porque a liderança pode e deve ser incentivada, enquanto que o autoritarismo revela a necessidade de cuidados para que a criança não venha a enfrentar dificuldades de relacionamento com as outras crianças.
 
Qual a diferença entre liderança e autoritarismo?
 
É comum dizer que uma criança considerada líder é uma criança carismática. Mesmo agindo espontaneamente, ou seja, sem realizar um esforço intencional para agradar os outros, ela é querida e respeitada pelas pessoas com quem se relaciona. Isso, muitas vezes acontece, porque a criança que é a líder da turma costuma ser criativa, afetiva e tenta naturalmente incluir as necessidades e desejos dos outros nas atividades que propõe. As outras crianças, como consequência, querem ficar próximas porque se sentem respeitadas. Além de se divertirem na sua companhia.
 
Por outro lado, uma criança que se impõe no grupo com autoritarismo pode até encontrar amigos que se submetem às suas imposições e se relacionar com eles com uma aparente liderança, mas estas são relações nas quais as trocas ficam restritas porque a criança que adota uma postura mais submissa não aprende a dar voz para as suas vontades, enquanto que a criança autoritária não aprende a lidar com as diferenças. Além disso, a criança autoritária pode permanecer com um grupo restrito de amizade, já que muitas crianças podem não querer se ajustar às suas imposições. Por isso, um critério importante para discriminar se a criança exerce uma liderança espontânea na sua turma de amigos ou se age de maneira autoritária com eles é prestar atenção se ela entra em conflitos com frequência ou se ela se sente rejeitada de maneira recorrente.
 
Como incentivar a liderança da criança e como cuidar do autoritarismo da criança?
 
A criança que é líder da turma geralmente aprende a se relacionar de maneira inclusiva e afetiva na relação com as pessoas que cuidam dela desde cedo. E desenvolve sua capacidade de brincar de maneira criativa quando encontra abertura na relação com essas pessoas para agir de maneira espontânea, sem precisar ficar “pisando em ovos”, com medo de errar. Com o tempo, ela assimila esse modo de se relacionar e passa a agir dessa maneira com os seus amigos. Desse modo, a liderança emerge naturalmente já que é uma consequência do seu modo de ser e de brincar com os amigos. Por isso, a melhor maneira de incentivar os comportamentos de liderança da criança é preservar a qualidade da relação que vem sendo construída com ela.
 
Por outro lado, quando os pais identificam que a criança é autoritária é preciso refletir sobre a maneira como se relacionam com ela. Os pais são os responsáveis pela segurança e bem estar da criança e, por isso, precisam ocupar um lugar de autoridade na relação com seus filhos. Isso quer dizer que muitas vezes, a criança não poderá fazer o que deseja e terá que se ajustar as decisões dos seus pais. O grande desafio é conseguir exercer a autoridade de maneira inclusiva, fazendo com que a criança se sinta ouvida e perceba que sua opinião pode muitas vezes não ser atendida, mas é respeitada. Esse equilíbrio é mesmo difícil de ser alcançado na relação com a criança e muitas vezes, pode ser comprometido quando os pais adotam duas posturas aparentemente opostas em relação ao seu papel de autoridade: ou o exercem com uma postura de autoritarismo ou de permissividade.
 
Pais que se relacionam com autoritarismo costumam impor suas decisões a criança sem que ela tenha abertura para expressar seus sentimentos, opiniões e desejos. Nesse contexto, a postura não inclusiva que alguns pais adotam leva a criança a experiências recorrentes de submissão. Com o tempo, a criança pode assimilar essa maneira de se relacionar e pode oscilar na relação com seus amigos, ora se coloca em uma posição de submissão e ora tenta impor suas vontades. Enquanto que os pais que são permissivos levam a criança a assimilar uma maneira de se relacionar na qual os seus desejos são sempre atendidos. Na relação com os amigos, a criança cria a mesma expectativa e fica muito frustrada quando esta não se concretiza e os amigos se opõe ao que ela deseja. Desse modo, os pais permissivos mesmo atendendo todos os desejos do seu filho também não oferecem à criança a experiência de usufruir de uma relação de segurança (proporcionada pela autoridade) inclusiva.
 
Assim, em muitos casos, a criança que age de maneira autoritária na relação com os amigos ou com seus pais esta comunicando um anseio. As crianças que tentam impor a sua vontade e se mostram muito frustradas quando não são atendidas geralmente anseiam usufruir de uma relação de confiança na qual os seus sentimentos, pensamentos e opiniões sejam incluídos e respeitados. E o caminho possível para os pais talvez seja ocupar com segurança seu papel de autoridade, mas não se privar da abertura para o diálogo com seus filhos.
 
*Carla C Poppa é psicóloga formada pela PUC-SP, fez especialização em Gestalt Terapia pelo Instituto Sedes Sapientae. É mestre e doutoranda em Desenvolvimento Infantil na PUC-SP.
 
Fonte: Blog Just Real Moms 
 


Postado em 26/03/2015


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