Reflexões necessárias sobre as escolhas profissionais dos adolescentes
Orientação profissional deve ajudar o jovem a encontrar ferramentas e informações
sobre si mesmo e sobre as profissões de interesse 
 
por Leticia Passos de Melo Sarzedas*
 
Os psicólogos são frequentemente procurados pelas famílias para auxiliar no processo de escolha profissional de adolescentes. Essas famílias, frequentemente, nos procuram acreditando que iremos levantar as chamadas vocações e habilidades do jovem para definir, junto com ele, a profissão a ser escolhida e o curso superior a ser feito. Sem dúvida, o psicólogo é o único profissional habilitado a utilizar técnicas científicas para mensurar algumas habilidades e ajudar a família e o adolescente a conhecer alguns processos pessoais que facilitariam o desempenho de uma função profissional.
 
Entretanto, algumas reflexões são necessárias para entender-se o processo de escolha profissional. 
 
1. Todos nós temos habilidades. Contudo, habilidades podem ser desenvolvidas. O fato de um adolescente ter um excelente desempenho em matemática não garante que ele será um ótimo engenheiro. Assim como, se este mesmo adolescente escolher ser historiador, poderá desenvolver as habilidades necessárias para sua atuação profissional.
 
2. A distância entre a fantasia do adolescente e a realidade da profissão almejada. Alguns adolescentes encontram-se em um abismo entre a fantasia e a realidade. Por exemplo, quer ser médico pois imagina-se em um luxuoso consultório, atendendo com hora marcada e ganhando muito dinheiro. Esquece-se que, entre a situação atual e a expectativa, há um curso de 6 anos a ser feito, onde irá vivenciar a dura realidade do pronto-socorro, das inúmeras especialidades médicas quando interno, horas e horas de estudo, cobranças e muita responsabilidade. Sem dizer a residência. Verificar isso não é para destruir sonhos, mas para possibilitar que possamos ter estratégias para apresentar o percurso a ser percorrido até a realização da meta. Vale a pena colocar o jovem em contato com um profissional já formado, com uma instituição de ensino que tenha o curso que ele deseja, leitura de material informativo sobre a profissão oferecido pelos conselhos de classe, etc.
 
3. O desejo da família sobre o adolescente pode ser um ponto espinhoso. Qual é o desejo dos pais e qual é o desejo do adolescente dever ser sempre trabalhado.
 
4. As motivações para a escolha de determinada profissão: ganhar dinheiro, salvar o mundo, melhorar a vida das pessoas, ser feliz, ter sucesso, ser famoso, etc, são motivações presentes na vida de todos nós. Agora, se a motivação de um adolescente for somente ganhar dinheiro e não ter prazer nenhum em lidar com pessoas, ser advogado, por exemplo, poderá ser bastante sofrido.
 
5. Conhecer todas as possibilidades de atuação da profissão almejada: saber que, por exemplo, escolher por uma Licenciatura implica em ser preparado para ser professor, que se escolher Fisioterapia, poderá trabalhar com fisioterapia intensiva, dermato-funcional, respiratória, reabilitadora, etc.
 
Muito mais do que a aplicação de testes psicológicos, a orientação profissional deve ajudar o jovem a encontrar ferramentas e informações sobre si mesmo e sobre as profissões aventadas que facilitem o processo de escolha, diminuindo as possibilidades de frustração. A profissão deverá estar inserida dentro de um projeto de vida maior pois é uma parte significativa da vida adulta, mas não a única.
 
* Leticia Passos de Melo Sarzedas é psicóloga - CRP 08-07703.


Postado em 12/07/2016


Notre Dame
+ Notícias

atendimento
CENTRAL DE ATENDIMENTO
(13) 3579 1212
Unidade I - Av. Pres. Wilson, 278/288 - Itararé
Unidade II - Rua Pero Corrêa, 526 - Itararé
Unidade III - Cel. Pinto Novaes, 34 - Itararé