O hábito da leitura na era das novas mídias: e eu pensando que era normal!
As novas mídias, cada vez mais presentes no dia a dia, estão interferindo no hábito da leitura?
 
por José Ribamar Batista Júnior*
 
Em meio a tanta tecnologia, fica difícil resistir a algo que se tornou tão útil e de fácil acesso, possibilitando à população uma maior comodidade, como por exemplo, pagar uma conta usando o aparelho celular, quando antes era preciso ir a uma agência bancária. Isso tem se tornado algo muito positivo em razão das inúmeras demandas do nosso cotidiano, quando precisamos dar conta de uma série de atividades (domésticas, profissionais, familiares, acadêmicas e outras). Entretanto, os celulares e as novas mídias podem prejudicar a vida de muitos se não forem usados da forma correta, principalmente no que diz respeito ao hábito da leitura.
 
Vejamos o seguinte exemplo: um adolescente, de apenas 11 anos e que há pouco mais de três meses adotou uma rotina bem diferente. Menino de base familiar média, sempre teve acesso a tudo, inclusive a dispositivos tecnológicos. Meios de comunicação, como smartphone, tablet e computador, não saíam de suas mãos.
 
Foi aí que sua mãe, de 43 anos, com superior completo, casada, percebeu que o garoto estava indo muito mal na escola; notas baixas, advertências pelo uso de celular na sala de aula e falta de comunicação com as pessoas ao seu redor. Tudo isso fez com que a mãe o levasse ao médico.
 
E ele foi diagnosticado com NOMOFOBIA, uma doença que atinge aqueles que têm medo de ficar sem o celular ou qualquer outro meio de comunicação via internet, especialmente os adolescentes que, em sua maioria, vivenciam todas as transformações que as tecnologias têm apresentado nos últimos cinco anos.
 
Existem pessoas que pensam que é normal o uso excessivo de tecnologia. Essas pessoas precisam urgentemente saber que, na verdade esse “uso excessivo” é um alerta de que está aberto o caminho para doenças! O médico advertiu que o menino passasse a praticar algum esporte, a se alimentar adequadamente e, especialmente, desenvolvesse o hábito da leitura de maneira constante.
 
Não é uma tarefa fácil incentivar um adolescente ou qualquer outro que viva grudado ao celular 24h a ter uma rotina saudável e diária de leitura.
 
O primeiro passo é negociar as atividades, os horários. Em seguida, dar uma volta com a criança para que ela se familiarize com ambientes onde haja livros. Por exemplo, uma livraria para que ele possa, no início, escolher os títulos de que mais gosta. Depois, realizar a leitura de maneira compartilhada, em que cada um possa ler um capítulo ou uma página para irem juntos descobrindo o valor da leitura.
 
Além disso, as pessoas que estão ao redor também devem praticar suas leituras para que os adolescentes se sintam estimulados. E mais, por que não permitir a leitura de ebooks? Isso fará com que os jovens percebam que as tecnologias não servem apenas para interagir nas redes sociais, mas podem ser uma forma de aprendizagem, de aquisição de conhecimento.
 
No início, o garotinho da nossa história teve um pouco de dificuldade para adotar a vida nova, mas foi se adaptando. Ele continua usando seu celular, mas de um modo mais rico: passou a organizar seu tempo, as notas melhoraram, não recebeu mais advertência, passou a jogar futebol, a praticar natação e o que mais gosta de fazer é ler. Um leitor voraz, bastante atuante e crítico. A grande mudança, segundo sua mãe, foi o desenvolvimento de uma postura autônoma de leitura que ele passou a sustentar.
 
Vai continuar sendo muito difícil a missão de incentivar os adolescentes a lerem. Mas os livros podem produzir essa mágica: transformar adolescentes em leitores. Em nosso caso, essa mágica não aconteceu só com o filho, mas com a mãe também. Foi lendo um jornal que ela descobriu que o filho precisava de ajuda e que seria preciso criar um ambiente familiar propício à leitura.
 
É importante ressaltar a necessidade da leitura na vida das pessoas -- os melhores profissionais leem muito, os melhores comunicadores leem muito, em todas as áreas da vida é importante ler, pois assim você se torna melhor em tudo. Lendo se conquista!
 
 
* José Ribamar Batista Júnior é Doutor e Mestre em Linguística pela Universidade de Brasília. Possui Graduação em Letras-Português (UFPI/2001), Especialização em Ensino-Aprendizagem da Língua Portuguesa (UFPA/2007). É membro da Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN) e da Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB). Atualmente, é professor do ensino básico, técnico e tecnológico da Universidade Federal do Piauí e coordenador do Laboratório de Leitura e Produção Textual (LPT). Dedica-se a estudos nas áreas dos Novos Estudos do Letramento e da Análise de Discurso Crítica, atuando principalmente nos seguintes temas: Tecnologias Digitais Aplicadas ao Ensino de Língua Portuguesa, Educação Inclusiva e Atendimento Educacional Especializado (AEE).


Postado em 11/08/2016


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