Como cuidar da segurança de crianças e adolescentes na internet
 
SPSP / 30 de setembro de 2013
 
A influência da mídia na vida de todos nós e, principalmente, na das crianças e adolescentes, é muito grande. Inicialmente o problema relacionava-se à televisão, mas com o advento da Internet, esta passou, também, a ocupar lugar de destaque como veículo formador de opiniões. Todos os dias milhares de crianças e adolescentes surfam pela World Wide Web e a cada um cabe escolher aquilo que deseja ler, ver ou ouvir, não se controlando e nem é possível fazê-lo, a qualidade de tudo que é publicado.
 
As crianças podem desfrutar de grandes benefícios ao usar a rede como rica ferramenta educacional e também de lazer sadio, mas são justamente elas, por serem crédulas e curiosas, as presas mais fáceis de criminosos e exploradores de toda sorte. Os adolescentes, muito mais que as crianças menores, constituem um grupo de risco particularmente importante visto estarem expostos a discussões on-line, onde buscam novos relacionamentos e, até mesmo, atividade sexual, além de terem uma supervisão muito mais difícil. A falsa sensação de segurança que o anonimato propicia faz com que os diálogos frequentemente se tornem mais pessoais e íntimos do que se tornariam numa conversa face a face com estranhos.
 
O fato de que centenas de crimes têm sido cometidos on-line não constitui razão suficiente para tentar impedir o acesso das crianças à rede – elas irão usar, e muito, as suas habilidades no computador em atividades futuras, parecendo ser uma estratégia muito mais interessante e eficaz, instruí-las quanto aos benefícios e perigos que o cyberspace oferece, do mesmo modo que se ensinam medidas de segurança para aquelas que vão à escola ou simplesmente brincar na rua.
 
Pais modernos devem estar a par dos riscos a que seus filhos ficam expostos ao surfar pela Internet:
 
1. Exposição a material inapropriado: sexual (milhares de fotos, vídeos mostrando toda sorte de perversões), violento, odioso, que encorajam atividades perigosas ou ilegais, ideológico, vulgar etc.
2. Violência física: a criança pode passar informações on-line que coloquem em risco a sua segurança e a de sua família, por exemplo, fornecendo dados pessoais como seu nome, colégio onde estuda, endereço, profissão dos pais, características de sua casa, marcando encontros etc.
3. Legais e financeiros: há também a possibilidade de cometer crimes como realizar compras com o cartão de crédito, movimentar aplicações e contas bancárias, participar de leilões, jogar em cassinos virtuais, invadir sites, colar em provas etc.
4. Oportunidade para experimentar jogos eletrônicos extremamente violentos: e inclusive de fazer download de versões para demonstração.
5. Exposição à comunidade: embora a maioria das pessoas navegando pela WWW seja bem intencionada, muitos não o são, podendo tratar-se de ladrões, assassinos, traficantes e usuários de drogas, membros de seitas e ordens diversas, de gangs, que exploram a violência, o sexo, o jogo, as drogas e os vícios em geral. Particularmente importante é o grupo dos pedófilos cuja ação através da Internet é extremamente grande: a pedofilia é uma forma de exteriorização pervertida da sexualidade humana, onde as características da infância constituem atração sexual, para um adulto ou adolescente, homem ou mulher, pertencente a todas as camadas sociais e com maturidade psicossexual mais adiantada que a de sua vítima. Esta atração compulsiva e incoercível leva o(a) pedófilo(a) à busca constante de situações que o(a) coloque em contato direto com crianças ou pré-adolescentes, de idades pré-eleitas como de preferência, para transformá-los em objetos de gratificação sexual.
6. Exposição ao SEXTING: forma de comunicação eletrônica que vem crescendo entre os adolescentes e, muitas vezes, entre crianças menores, que usam seus aparelhos eletrônicos, como celulares, câmeras fotográficas, emails, comunicadores instantâneos e sites de relacionamento, para produzir e enviar fotos sensuais ou eróticas de seu corpo, ou mesmo textos eróticos com convites e insinuações sexuais. Muitos adolescentes já envolvidos pelo abuso sexual usam desta forma de contato com outras crianças e adolescentes para aliciar novas vítimas para seus abusadores ou exploradores sexuais.
 
Os pais devem estar atentos a alguns sinais de alarme que podem sugerir o uso indevido da Internet:
1. Uso excessivo, especialmente em altas horas da noite;
2. Uso de chat – salas de conversação – sem moderadores e sobre temas obscuros. Estas salas de conferência oferecem grande perigo por expor a criança a trocas não desejadas e imprevisíveis;
3. Download – baixa para o computador – de grande quantidade de arquivos de figuras, provavelmente, pornográficas;
4. Encontros com pessoas estranhas sem uma explicação razoável;
5. Quando conectado o filho procura esconder ou fechar rapidamente a tela quando alguém se aproxima;
6. Evidências de que conheceu alguém on line , mas prefere não falar deste novo “amigo(a)”.
 
Outras evidências podem levar a suspeita de que uma criança ou adolescente possa estar sofrendo alguma forma de abuso, aqui entendido como qualquer forma de maltrato físico, emocional ou sexual – como o aparecimento de:
 
Agressividade excessiva, desproporcional ao momento vivido;
Marcas de chupadas e mordidas e outras lesões de pele auto-infligidas;
Crises histéricas;
Distúrbios de fala e de sono;
Sentimentos negativos em relação a si próprio;
Faltas à escola ou queda abrupta de rendimento;
Comportamento destrutivo;
Dificuldade em permanecer sozinho na companhia de algumas pessoas;
Mudanças súbitas de personalidade;
Utilização de termos pouco usuais ou novos nomes para partes do corpo.
* Lembrar que alguns destes sinais e sintomas ocorrem em outras situações como em usuários de drogas, por exemplo.
 
O que os pais podem fazer:
1. Ensinar aos seus filhos os riscos que eles correm usando a Internet, ao marcar encontros com desconhecidos, ao fornecer informações pessoais, ao frequentar salas de conversação etc.
2. Navegar juntamente com eles, orientando-os sobre aquilo que está acontecendo e para isso é necessário que se interessar pela Internet e parar de achar que ela é coisa para a nova geração.
3. Manter o computador em uma sala de uso comum da casa, limitando o tempo de sua utilização.
4. Controlar o tempo que seus filhos passam on-line.
5. Verificar por onde seus filhos têm passeado quando estão sozinhos, o que pode ser feito consultando o histórico de acessos.
6. Escolher um provedor que ofereça recursos para bloquear áreas não desejadas.
7. Conhecer e instalar softwares que permitem controlar e limitar o acesso a sites inconvenientes.
8. Considerar compartilhar o seu e-mail com seus filhos.
9. Postergar a doação de telefones celulares, escolhendo modelos com poucos recursos.
 
Regras básicas para os filhos:
Nunca fornecer a sua senha para outras pessoas conhecidas ou não;
Jamais revelar informações pessoais como seu nome, onde você mora ou os nomes de seus pais e irmãos, o número do seu telefone e qual é sua escola;
Jamais enviar fotografias suas ou de sua família a desconhecidos através da Internet;
Não dar prosseguimento a conversas que o façam sentir-se desconfortável ou que se tornaram demasiadamente pessoais.
Desconfiar da insistência de algumas pessoas em saber detalhes de sua vida, como gostos, lugares que frequenta, informando seus pais se isto ocorrer;
Informe-os também se receber comunicações ameaçadoras ou com linguajar baixo;
Nunca concordar em se encontrar com alguém que você conheceu através da Internet sem o conhecimento de seus pais.
Não aceitar produtos ou oportunidades oferecidos através da Internet.
Nunca preencher cadastros on-line – questionários com informações pessoais – sem a aprovação de seus pais;
Lembrar-se de que as pessoas na Internet podem ser qualquer um, em qualquer lugar e que nem sempre são o que e quem dizem ser;
Cuide de você e de sua família.
 
Relator:
Dr. Ulysses Dória Filho
Membro da Comissão de Relações Comunitárias da SPSP (2010-2012); Assessor de Internet da SPSP (2004-2006).
Publicado no site da SPSP em 25/09/2012.
photo credit: Nicola since 1972 via photopin cc
Este blog não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente o médico pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.
 


Postado em 25/08/2016


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