Carreira: o que as empresas procuram nos jovens
Ter flexibilidade e atuar sob pressão estão entre as exigências
 
Ao sair da faculdade, o jovem tem muitos sonhos e planos. Ingressar no mercado de trabalho e conquistar o seu espaço é um deles. Muitas vezes, a pouca ou a nenhuma experiência é compensada pela vontade de fazer o melhor e se destacar em uma entrevista de emprego. Na falta de uma trajetória profissional, esses são os trunfos na busca por seu lugar ao sol.
 
Apesar do momento ruim, os especialistas garantem é que o mercado está aberto para os jovens, e as empresas sabem valorizar essa mão de obra que tem muita vitalidade e ânimo. Mesmo sem experiência, um bom currículo, uma boa apresentação e a humildade para aprender formam o caminho que levará o jovem ao sucesso profissional.A consultora da Cia de Talentos, Fabíola Brenelli, assinala que o jovem que participa de atividades extracurriculares se destaca perante os demais. Segundo ela, essas tarefas vão desde a participação em empresa júnior, passando por centro acadêmico, iniciação científica e até pesquisas.
 
Kamila Melloti, 25 anos, ainda nem se formou em Publicidade e já foi contratada por uma agência. Ela acredita que, com esforço, sua carreira será promissora. "Desde o início da faculdade meus professores me orientaram de acordo com o meu perfil".
 
“Tudo que for diferente do dia a dia possibilita um aprendizado que vai além dos bancos escolares. Durante o curso, a vida acadêmica não pode se restringir a ir às aulas e fazer provas. Outras atividades fazem com que esse jovem aprenda a se comunicar, a se relacionar, a lidar com impactos, entre outras habilidades. O importante é aproveitar as oportunidades oferecidas pelas instituições de ensino desde o primeiro período. Pequenas experiências podem trazer um ótimo resultado para carreira”. Ela também destaca a importância de dominar uma segunda língua. “Hoje, há uma grande oferta de cursos gratuitos na internet. É cada vez mais comum as empresas pedirem um segundo idioma”, destaca.
 
A consultora diz ainda que as companhias também observam o nível de informação desse jovem, ou seja, se ele lê bastante, se fica antenado ao que acontece no país e no mundo. Isso demonstra que esse profissional se preocupa com os impactos que a política e a economia têm sobre o cotidiano das pessoas.
 
“Tem que ter uma visão ampla, olhar o todo. Isso porque esse profissional vai trabalhar com pessoas que têm estilos e culturas diferentes da dele. A informação ajuda a abrir a cabeça para outras coisas. O que o mercado de trabalho pede muito é habilidade de relacionamento, de adaptação. Esta geração já tem e isso é muito bom, pois as companhias querem alguém que trabalhe sob pressão e entregue resultados”, enumera a consultora.
 
Fabíola Brenelli garante que apesar da crise econômica e do mercado de trabalho mais restrito, o jovem continua a ter espaço nas empresas. “O momento é delicado e esta geração está vivendo uma crise pela primeira vez. O que diferencia dos outros anos é que ainda existem oportunidades. As empresas olham com bons olhos quem está disposto a mostrar flexibilidade, quem dá conta de fazer várias coisas ao mesmo tempo. As organizações continuam apostando nos jovens”, finaliza.
 
Larisa Sarti, 22 anos, foi contratada há um ano e meio, antes mesmo de se formar em Administração. A conclusão do curso será em junho. “Procurei conhecer a empresa antes da entrevista. Além disso, é preciso ter determinação e coragem”
 
Arrogância entre os principais erros
Prepotência, vitimização, achar que é único e arrogância são erros clássicos dos jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Essas características foram apontadas pelo consultor Homero Reis.“Não ter foco e trabalhar com qualquer coisa só para ganhar dinheiro também são atitudes que podem colocar tudo a perder. Outro erro comum dos jovens é não estar preparado para as demandas do mercado”, enumerou Reis.
Na opinião da gerente executiva da Page Personnel, Manoela Costa, um erro recorrente do jovem é participar de entrevistas que são para vagas que nada têm a ver com seus interesses. “Um bom exemplo, neste caso, é um candidato que concorre a uma vaga na área de marketing, mas o que ele quer é trabalhar com o setor comercial. É importante ter coerência entre o que se quer e a vaga a que concorre.Às vezes este jovem participa de todo o processo porque acha que depois de contratado conseguirá ir para outro setor e isso é um erro”, avaliou.
 
Já o diretor de atendimento ao setor privado do Super Estágio, Wallace Tesch Sabaini, aponta a superficialidade e as respostas curtas e genéricas como erros clássicos cometidos num processo de seleção. “É preciso evitar ficar no senso comum. As empresas buscam alguém que tenha iniciativa e vontade de crescer”.
 
O jovem precisa ter humildade para aprender, caso contrário ele estará cometendo um erro grave, segundo o coach Alexandre Rangel. “Durante o início da carreira é preciso estar disposto a aprender, sem se esquecer que a passividade também pode ser muito ruim”, disse.
 
Dicas para se dar bem
 
Características: Seja resiliente e determinado, pois as empresas querem aquele que tem a capacidade de entrega.
 
Interesse: Alinhe o que se pretende na carreira com o que está sendo oferecido pela companhia.
 
Experiências: Não basta ter apenas uma boa faculdade, tem que ter história para contar. O que as empresas querem saber é o quanto esse jovem era engajado, se participou de empresa júnior, se fez estágio ou trabalho voluntário, ou seja, o que ele realizou enquanto era estudante.
 
Seja proativo: Busque outras tarefas, sugira novos processos, antecipe-se aos pedidos dos gestores.
 
“O que faz a diferença é entender a importância de ter uma visão do todo e não ficar focado em um coisa só”
Maria Tereza Cardoso Psicóloga e diretora da Psicoespaço
 
Análise
A palavra-chave é comprometimento. É isso que toda empresa busca em um jovem que está ingressando no mercado de trabalho. O que faz a diferença é entender a importância de ter uma visão do todo e não ficar focado em um coisa só. Para se dar bem, é preciso vestir a camisa, corresponder aos objetivos e resultados da empresa e ser flexível. O profissional não pode ser engessado. Se ele tiver tudo isso, ele vai desenvolver a sua carreira muito bem. Além disso, quem é muito sério ou mal-humorado, não tem chance. Outro ponto é saber se relacionar. Há casos em que a pessoa passa oito horas no escritório sem falar com os colegas ou manda um e-mail ao invés de ir falar pessoalmente. É necessário entender a importância do trabalho em equipe, pois ninguém faz nada sozinho. Hoje, os jovens saem dos cursos muito bem orientados. Os bons leem muito, sabem se posicionar e a carreira que querem seguir. Eles costumam ser muito transparentes, fazem colocações ricas e querem se colocar rapidamente no mercado de trabalho.
 
Empresas buscam pessoas que suportam a pressão
O jovem profissional precisa ser resiliente e determinado, pois as empresas querem aquele colaborador que tem a capacidade de entrega. Percebemos que as corporações ficam frustradas por conta da falta de comprometimento da geração Y. Por isso, cada vez mais as companhias buscam o colaborador que suporte a pressão no trabalho, sem abrir mão de valores e da ética. Para isso, o comprometimento é essencial. Outra dica é conhecer profundamente a empresa, o trabalho que ela faz e a contribuição dela para o mercado, isso também é observado.
Wallace Tesch Sabaini, diretor de Super Estágio
 
A maneira de se destacar é demonstrar entusiasmo
Ao se candidatar, o jovem deve demonstrar interesse pela vaga. Além disso é preciso ter uma conversa estruturada com o entrevistador, para que ele saiba o que esse profissional pensa. Neste momento, é possível alinhar o que se pretende na carreira com o que está sendo oferecido pela companhia. Como não tem experiência, a maneira de se destacar é demonstrar entusiamo, que pode tornar-se um grande diferencial. O que as empresas buscam é alguém que queira aprender e crescer profissionalmente. Outra dica é diminuir a ansiedade.
Alexandre Rangel, coach
 
Gestores querem alguém disposto a crescer
Hoje não basta ter apenas uma boa faculdade, tem que ter história para contar. O que as empresas querem saber é o quanto esse jovem é engajado. Se participou de empresa júnior, se fez estágio ou trabalho voluntário, ou seja, o que ele realizou enquanto era estudante. O que vale é a experiência de vida, a maturidade. Seja o melhor na área que você deseja atuar. Se sua área exige conhecimento em determinada ferramenta ou idioma, busque alternativas para se formar cada vez mais capacitado. Os gestores querem alguém disposto a crescer.
Manoela Costa, executiva da Page Personnel
 
Quem quer construir carreira precisa ter foco
O que realmente importa para o mercado é que esse profissional tenha um diferencial, que possa apresentar o que ele traz na bagagem. Quem quer construir uma carreira sólida precisa ter foco. Procure ser alguém que fale idiomas que sejam aceitos pelo mundo como o inglês ou espanhol. Tenha em mente que você precisa ter algo a mais para apresentar, pois o mercado está cheio de profissionais generalistas com preços generalistas. Algo que conta muito também é ter a consciência de que precisa ser relacionalmente inteligente.
Homero Reis, consultor
 
Fonte original: Gazeta Online - Data: 26/03/2016. Texto republicado no site da Cia de Talentos


Postado em 03/10/2016


Notre Dame
+ Notícias

atendimento
CENTRAL DE ATENDIMENTO
(13) 3579 1212
Unidade I - Av. Pres. Wilson, 278/288 - Itararé
Unidade II - Rua Pero Corrêa, 526 - Itararé
Unidade III - Cel. Pinto Novaes, 34 - Itararé