Carreira: o emprego das 9h às 18h vai acabar (de um jeito ou de outro)
Geração Y, Uber e robôs… são muitos motivos para o emprego convencional acabar nos próximos anos
 
por Felipe Moreno
 
Você trabalha das 9h às 18h todo dia? Acorda cedo, chega em casa, assiste um pouco de Netflix e vai dormir? Pois bem. Seu emprego vai acabar. Isso não significa que você vá ficar sem trabalho, mas talvez as relações de trabalho mudem significativamente nos próximos anos (e décadas) até um período em que os trabalhos serão muito menos “regulares” – mesmo que muita gente trabalhe 8h por dia, das 9h às 18h, essa provavelmente vai ser uma escolha dela.
 
O primeiro ponto passa por uma mudança geracional importante, com a geração Y chegando ao mercado de trabalho. A maioria dos empregos 9h às 18h são regulados (alô, CLT) demais para uma geração que quer, como um dos principais benefícios, liberdade de horário, de trabalhar onde quiser e como quiser. É uma geração de pessoas que quer mais autonomia e empreendedorismo e menos burocracia.
 
Ter atitude empreendedora e autonomia, porém, não combina com as leis trabalhistas. Ter mentalidade de dono provavelmente vai te fazer trabalhar mais que as 8h diárias que a CLT impõe. Ter autonomia também traz responsabilidades. Querer empreender não é fácil, mesmo que você esteja na empresa de outra pessoa.
 
E olha, a geração Y é muito mais empreendedora do que as gerações anteriores. Veja quantas milhares de startups existem na nossa base do StartSe. A vontade de empreender, mudar o mundo e de intraempreendedorismo é mais forte do que nunca. Muitas pessoas entram em empresas hoje para aprenderem e aspiram ter um negócio próprio no futuro.
 
O Uber…
 
Isso, porém, não se aplica para uma grande quantidade de trabalhos e funções. Um médico ou um motorista, por exemplo, dificilmente poderá ter uma atitude empreendedora para o seu trabalho dia-a-dia. São trabalhos e funções importantíssimas que trabalham repetições e não construções de novidades. E isso nos traz ao segundo motivo pelo qual o emprego vai acabar!
 
Claro que há uma infinidade de jeitos de inovar nestas profissões (ou de melhorar o serviço adequando características de empreendedorismo), mas o grande escopo do trabalho continua sendo resolver o caso/corrida Y ou Z. Para estas profissões, o que se vê é um aumento do que se chama economia por demanda, estimulada por aplicativos como o Uber.
 
Ao invés de ser contratado para uma companhia para realizar esse tipo de serviço, acaba sendo mais vantajoso o trabalhador ser autônomo e trabalhar conforme as demandas que ocorrem – de certa forma, de maneira muito mais produtiva. A entrada do Uber em São Paulo gerou renda e trabalho para muitas pessoas que estavam sem emprego de forma totalmente autônoma: se há demanda e você pode prestar a oferta, vai lá.
 
Os aplicativos facilitam muito esse tipo de realinhamento econômico. E são uma tendência cada vez maior: quantas vezes você já ouviu a expressão “Uber disso…” e “Uber daquilo”? Dezenas de vezes, eu aposto. E tem alguns que são muito interessantes, de verdade. É um modelo de negócio que chegou para ficar e que vai mudar relações empregatícias em milhares de profissões, rumo a um mundo de mais autonomia.
 
E robôs! 
 
E terceiro, há os empregos que a tecnologia deverá substituir por completo. Li um artigo recentemente que o modelo de fast food está fadado ao fracasso por conta do aumento dos custos dos trabalhos mais básicos.
 
Muito pelo contrário. Os robôs e a tecnologia vão fazer as coisas mais baratas e melhores.
 
O que vai acontecer é a crescente mecanização destes empregos. Isso já acontece no McDonald’s americano, que passou a usar máquinas para anotar o pedido das pessoas. Quer ver isso em funcionamento no Brasil? Dê uma olhada nos cinemas da Cinemark, onde já é possível comprar teu ingresso por máquinas, reduzindo a necessidade de pessoas nos caixas. E baixando o preço de dezenas, centenas de produtos e serviços.
 
Em um mundo ideal, isso abre espaço para que essas pessoas realizem outros trabalhos mais produtivos para a sociedade. É a mesma coisa que aconteceu com os datilógrafos (emprego que desapareceu), quando inventaram o computador – ou seja, a inovação traz mais produtividade, naturalmente.
 
Fonte: StartSe. Artigo publicado no dia 22 de julho de 2016. 
 
* Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes. 
 


Postado em 11/10/2016


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