Quando suspeitar que algo não vai bem na aprendizagem?
Professores e pais têm papel fundamental no processo de aprendizagem dessas crianças
 
A descoberta precoce de possíveis transtornos de aprendizagem é o primeiro passo para que possamos favorecer mais qualidade de vida a esses alunos. 
 
Quando uma criança apresenta comportamentos que sinalizam desconforto em relação à aprendizagem, como resistência à escola, oposição em sala de aula, problemas com as lições de casa, desinteresse pelas atividades escolares, é importante ficar atento.
 
As notas baixas recorrentes e as convocações para reunião com professores e coordenadores também indicam a necessidade de um olhar especial ao processo de aprendizagem da criança.
 
Existem várias causas que geram dificuldades no aprendizado. Algumas delas são:
  • problemas de atenção
  • dificuldades para compreender o que se pede
  • questões emocionais ou pedagógicas
  • problemas de saúde
Quando as dificuldades são atendidas adequadamente pelo professor, ou a criança conta com o apoio de um profissional especializado (psicólogo, psicopedagogo ou fonoaudiólogo, por exemplo), elas são sanadas na grande maioria dos casos. No entanto, no caso da dislexia, assim como de outros transtornos específicos de aprendizagem, o acompanhamento precisa ser mais intenso para que a criança ou jovem consiga criar estratégias, enfrentando sua dificuldade com mais segurança e eficácia.
 
Justamente por isso, é fundamental que o problema seja identificado o mais precocemente possível, recebendo a intervenção necessária antes que as consequências comprometam aspectos emocionais e cognitivos (as competências intelectuais), prejudicando o desenvolvimento da criança.
 
Os professores e pais têm papel fundamental no processo de aprendizagem dessas crianças, especialmente porque as conhecem muito bem. Nesse sentido, umas das principais práticas sugeridas para fortalecer a aprendizagem, com base nos estudos da neurociência, são as multissensoriais.
 
Isso pode ser feito por meio de apresentação de imagens, esquemas, filmes, assim como situações que explorem outros sentidos e emoções. No contexto escolar, recomenda-se que o professor utilize diferentes formas de apresentação para o mesmo conteúdo, envolvendo mais de um sentido (audição, visão, tato). Ele pode propor experiências científicas, utilizar exemplos práticos para ensinar conceitos mais abstratos (fazer um mercadinho na sala de aula para que os alunos aprendam as operações matemáticas enquanto simulam situações de compra) e explorar a criatividade nas aulas de Artes, por exemplo.
 
E, se para ensinar podemos explorar canais diversos, para avaliar devemos fazer o mesmo. Elaborar formas diferentes de avaliação pode facilitar a demonstração de conhecimento dos alunos com dificuldades em se expressar por meio da escrita. A elaboração de esquemas, apresentação de seminários, dramatizações, construções de maquetes são algumas possibilidades que tendem a complementar ou até substituir as avaliações tradicionais.
 
Vale ressaltar que os pais não têm de se preocupar em serem professores ou terapeutas de seu filho, mas, sim, em como ajudá-lo a progredir, tendo atitudes coordenadas com toda equipe que o apoia.
 
Compreender a dificuldade da criança, acolhê-la e buscar o tratamento especializado são os primeiros passos para a superação desse desafio.
 


Postado em 28/10/2016


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