Bebês: um mundo em construção
Mais espertos do que se imagina, os bebês exploram o ambiente como se fossem cientistas: observam, criam hipóteses, fazem experimentos e tiram conclusões. E assim o mundo vai se construindo – de dentro para fora, de fora para dentro
 
por Gláucia Leal
 
Eles choram, demandam atenção constante e, pelo menos nos meses iniciais, deixam mães, pais ou outros cuidadores bastante cansados. Ainda assim, são fascinantes. Basta conversar por alguns minutos com alguém que durante algum tempo conviveu de perto com bebês para ouvir uma frase do tipo: “Eles são muito espertos!”. Pois é, de fato são – e bem mais do que supúnhamos há algum tempo. Especialistas em desenvolvimento dizem que, se não fosse pela impossibilidade do corpo da mãe de suportar uma gestação mais longa, os filhotes de humanos ficariam no útero muito mais tempo. E por chegarmos “semiprontos” ao mundo, muitos médicos já argumentaram que as primeiras 12 semanas de vida são uma espécie de “quarto trimestre” de gravidez. Ainda assim, a despeito da desproteção, bebês parecem ter habilidades bastante aguçadas, além do que a maioria dos adultos costuma acreditar.
 
Hoje, com os avanços da ciência, sabemos que o cérebro infantil é incrivelmente plástico e o aprendizado se dá de forma acelerada, tornando os pequenos capazes de absorver as mais diversas experiências. Como mostra o artigo da doutora em psicologia e filosofia Alison Gopnik, um dos fatos mais curiosos nessa área é que os bebês exploram o ambiente como se fossem cientistas: observam, criam hipóteses, fazem experimentos, testam, estabelecem categorias, comparações e tiram conclusões. Esses processos intelectuais não são apartados da estruturação psíquica, que precisa ser constituída. Desde as primeiras horas de vida somos imersos em um universo de símbolos que conferem sentidos, deixando marcas profundas, anteriores às palavras e subvertendo o domínio biológico.
 
No encontro com o desejo do outro, somos como que “imantados”. O que seria da ordem do esperado, do orgânico e do instintivo é “afetado” – somos moldados pelo afeto – e nos transformamos por meio dos vínculos. A linguagem preenche o universo de significados, faz de cada bebê um sujeito único, um pequeno explorador, ávido por estímulos. E assim o mundo vai se construindo – de dentro para fora, de fora para dentro. Nesse processo, a criança que recebe atenção e cuidado se sente autorizada a fazer descobertas. E, não raro, surpreende os adultos que já se esqueceram de que um dia também foram pequenos cientistas, deslumbrados pelo universo ao alcance de suas mãozinhas macias.
 
Boas descobertas, boa leitura!
 
Este artigo foi publicado originalmente na edição de junho de 2016 da Revista Mente e Cérebro.


Postado em 18/11/2016


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