Mentiras, mentirinhas e o que pode estar por trás delas
É importante ter regras claras na educação dos filhos, mas o respeito e a empatia devem sempre prevalecer

Por Amanda Puly
 
Todas as crianças aprenderão a mentir em algum momento de suas vidas.
 
Na verdade, a mentira é um sinal de inteligência. Aprender a mentir significa desenvolver-se socialmente, neurologicamente, intelectualmente e emocionalmente. E na maioria dos casos, a criança quer apenas se livrar mais rapidamente de algum problema.
 
Se você pergunta a uma criança de 3 anos de idade: Quem riscou a parede?, ela responderá rapidamente que não foi ela, mesmo estando com a caneta nas mãos. É normal, ela está apenas afirmando que não é uma criança má e que quer ser punida.
 
À medida que a criança vai ficando mais velha, ela começa a compreender as consequências dos seus atos, desenvolvendo mais empatia e compreensão. Logo, mentir se torna uma habilidade um pouco mais complexa. A criança que é educada de maneira mais rigorosa, mais punitiva, não vê alternativas para a mentira. Ela mente para fugir dos seus erros. Ela não tem outra escolha.
 
É importante ter regras claras na educação dos filhos, mas o respeito e a empatia devem sempre prevalecer. Isso quer dizer que, quando uma criança comete um erro, ela não necessariamente precisa ser punida. O erro é uma forma de aprendizado. Se lá no início, quando ela rabiscou a parede, a mãe sentou ao seu lado, explicou que era errado e juntas limparam os rabiscos, a criança já começou a aprender que seus atos têm consequências, mas de uma forma respeitosa. O velho “cantinho do pensamento” não ensinaria nada, seria apenas uma punição.
 
O problema se agrava quando a mentira se torna um hábito. Neste caso, os pais não devem agir como detetives e tentar captar todas as mentiras para que sejam punidas. O melhor a se fazer é identificar os sentimentos que têm levado a criança a mentir.
 
Por exemplo, se a criança mente que entregou sua lição na escola, mesmo o professor alegando que não, é necessário investigar a intenção por trás da mentira. Pode acontecer da única motivação ser o receio de ser rejeitada ou castigada. Ela pode não ter concluído a atividade por dificuldades na matéria, falta de tempo ou pura preguiça. Em qualquer um dos casos, é a causa que deve ser investigada e trabalhada.
 
Se a mentira já se tornou problema crônico, talvez seja o momento de rever sua forma de educar, se não está sendo muito rigoroso, se o medo já superou o respeito. Tire o foco das mentiras em si e reconheça onde podem estar os problemas que a geraram. E o mais importante: seja a mudança que você quer ver em seu filho. Se a honestidade e o respeito são valores importantes para você, nunca deixe de ser honesto e respeitoso com ele. Não esqueça que os comportamentos de uma criança refletem aquilo que ela observa e vivencia!
 


Postado em 19/12/2016


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