15 maneiras de controlar o ciúme entre irmãos

Uma ideia preocupante oscila na margem da consciência do filho mais velho:
talvez o novo bebê seja mais amado que ele

por Dra. Gail Gross* 

No início havia Caim e Abel, o pior pesadelo de todo pai ou mãe -- a expressão descontrolada do ciúme, raiva e frustração de um filho em relação a seu irmão. O problema do ciúme entre irmãos é complexo e não tem solução fácil. Se seus filhos estão com ciúmes um do outro, andam competindo ou brigando, há algumas coisas que você, como pai ou mãe, pode fazer.

A rivalidade entre irmãos é encontrada por toda parte na natureza. Por exemplo, os fetos de tubarões devoram uns aos outros no útero, até restar apenas o último e maior. Filhotes de aves podem jogar seus irmãos fora do ninho para garantir que recebam alimento suficiente. E todos nós conhecemos a teoria de Darwin da sobrevivência do mais forte como uma luta natural pelo alimento e outros recursos necessários à sobrevivência -- não apenas do indivíduo, mas da espécie inteira.

A mesma coisa ocorre na família humana. Em meus anos como pesquisadora e educadora, com Ph.D. em psicologia e doutora em educação, já testemunhei a rivalidade entre irmãos em vários níveis. O cenário que segue é algo comum que já vi acontecer em muitas famílias.

Seu primeiro filho recebe 100% do que você tem para dar, e, no melhor dos mundos, isso significa muito amor e atenção. Assim, seu filho tem a melhor oportunidade de formar vínculos amorosos, de ser cuidado e ter suas necessidades atendidas. Então, de repente, sem o conhecimento prévio dele, sem ser por escolha dele e sem que ele tenha sido ouvido, surge em seu mundo um estranho: o irmão menor. Não apenas essa nova pessoa exige muito tempo e atenção, como também parece ter tomado seu lugar como centro do universo de Mamãe e Papai.

Num primeiro momento, o novo bebê a bordo é uma novidade, e seu filho mais velho pode até se divertir com algumas das atividades incessantes que acontecem em torno dele, especialmente se for incluído nelas. Mas em pouco tempo ele pode começar a se cansar da novidade e querer seu lugar de volta como destinatário único da atenção de Mamãe e Papai. Mas isso não vai acontecer. Não apenas isso: seu filho não demora a perceber que perdeu seu lugar -- para sempre.

É nesse momento que as coisas começam a esquentar e que o primogênito, movido pela frustração, pode agir de modo dissimulado, tentando sabotar ou até machucar o novo bebê. Um beliscão ou tapa quando ninguém está olhando, esconder os brinquedos do bebê, ou até mesmo expressões declaradas de repúdio, como "não gosto deste bebê, quero que vocês o mandem de volta", são apenas alguns exemplos de como as coisas podem ficar complicadas.

O primogênito pode ficar mais agressivo de modo geral, mesmo quando o bebê não está por perto, ou pode regredir para um comportamento mais infantil e manhoso, tudo isso numa tentativa de reivindicar de volta seu lugar de direito, agora perdido. Se nada for feito para lidar com ela, essa competição tem o potencial de semear padrões negativos que podem durar toda uma vida. E então, se nascer ainda mais um irmão, o tempo e a atenção de que os pais dispõem para dar atenção a seu filho e satisfazer suas necessidades serão divididos não mais ao meio, mas, se eles tiverem sorte, por três.

E assim o processo continua, até que, quando nasce o último filho, a competição é por bens e serviços que já ficaram realmente escassos.

Para complicar as coisas ainda mais, as crianças pequenas são operações concretas -- ou seja, são egocêntricas e não possuem a capacidade de processar criticamente suas emoções. Logo, quando estão emocionalmente afetadas, elas reagem agressivamente, em vez de refletir sobre as coisas e escolher a melhor maneira de agir.

Além disso, a compreensão delas do aqui e agora é concreta, e elas não entendem realmente a diferença entre uma cidade, um Estado, um universo, ou entre a vida e a morte. Seu pensamento é mágico, e elas podem pensar que algo que é morto hoje acordará amanhã. Juntamente com isso, como o cérebro ainda está em formação, seus filhos podem desenvolver padrões baseados nessas frustrações iniciais, padrões que podem conservar por toda a vida e podem influir sobre o modo em que pensam e sentem em relação a um irmão ou uma irmã pelo resto da vida, além de influenciar outros relacionamentos importantes.

A rivalidade entre irmãos é tão poderosa que pode até afetar os papéis que assumimos numa família e as profissões que optamos seguir no mundo adulto. Por exemplo, devido à competição com nossos irmãos, aquilo que escolhemos para ser nosso grande interesse na vida pode estar em oposição direta às opções feitas por nossos irmãos.

O que os pais podem fazer em relação a isso?

Seguem algumas sugestões que venho fazendo a pais e mães ao longo dos anos para ajudar a aliviar e administrar a rivalidade entre irmãos na infância.

1. Faça um intervalo de três anos entre os filhos, se possível. Isso dará a um filho o tempo suficiente para sair de seu colo, enquanto busca sua independência. E esse é o melhor momento para colocar outro filho no seu colo.

2. Embora haja momentos na vida de todos nós em que um filho é mais fácil de cuidar que outro, ou em que enxergamos algo de nós mesmos ou de nosso parceiro em um filho ou no outro, discipline-se para não demonstrar sinais de favoritismo.

3. Os pais precisam agir como pais. Isso quer dizer assumir seu lado adulto e até passar por cima da exaustão para dar a cada filho algum tempo a sós com Mamãe e Papai.

4. Mantenha seu filho informado. Explique a ele quando outro bebê vai nascer e faça-o interessar-se pelo processo de receber e cuidar do novo bebê.

5. Converta seu filho mais velho em seu aliado. Ele pode ajudá-lo a fazer compras, escolher brinquedos e até ajudar a selecionar comidas especiais para o bebê. Se você incluir o filho mais velho no processo, é mais provável que ele participe de bom grado.

6. Mas nunca torne um filho responsável pelo outro. Nada de converter o mais velho em babá.

7. Nunca obrigue seus filhos a dividir seus brinquedos. Posso imaginar as expressões de espanto ou negação, mas o que pertence a seu filho é dele e só deve ser colocado na arena comum se ele optar por compartilhar.

8. Nunca faça pouco caso de seus filhos mais velhos, nem os envergonhe ou cause constrangimento. Nunca os mande agir como "menino ou menina grande", agir como adultos ou ser compreensivos. Eles são crianças e também têm sentimentos. Em vez disso, confirme seus sentimentos, dizendo coisas como "é claro que você se sente assim, entendo isso muito bem". A empatia ajuda em muito a suscitar cooperação.

9. Nunca trace comparações entre seus filhos, as notas deles, seus comportamentos ou sua aparência. Nada de competição, jamais. Nada de brincadeiras familiares em que um pode ganhar e outro pode perder. Essa é uma família, não uma arena esportiva, e as crianças devem ser criadas dentro da colaboração, não da competição. Nunca diga a um filho que você o ama mais que o outro porque está se comportando melhor. Essa é uma forma de divisão que pode fazer um filho voltar-se contra o outro para sempre.

10. Nunca diga a um filho para fazer as coisas como o outro faz.

11. Nunca comente sobre um filho com o outro. Você não gosta quando falam de você pelas costas; demonstre a mesma cortesia com seus filhos.

12. Não manipule. A manipulação é humilhação e faz seus filhos se sentirem desvalorizados. Se você enfraquecer a autoestima deles, eles não vão confiar em você, neles mesmos ou em outros.

13. Seja justo. Essa é uma das regras mais essenciais. Seu filho o está observando e tem alta consciência da justiça, que, para ele, se traduz em ele e seu irmão serem amados igualmente.

14. Pratique e treine a comunicação por meio do ouvir. Deixe seus filhos lhe dizerem como se sentem. Se você ouvir com empatia, eles lhe contarão tudo, e juntos vocês poderão encontrar maneiras de resolver os problemas. Faça seu filho se envolver emocionalmente no processo.

15. Para concluir, fique preparado. Quando há feriados, aniversários ou reuniões familiares, programe-se. Vocês, como família, devem criar algumas regras, traçar um plano que possa ajudar a cortar desde o início quaisquer dos padrões estressantes regulares que vocês já conhecem, para poderem lidar com eles com amor.

* Dra. Gail Gross é especialista em educação e comportamento humano. 

Fonte: BrasilPost


Postado em 08/02/2017


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