Dez dicas para pais ajudarem filhos no processo de escolha profissional
Segundo a psicóloga Giselle Welter, embora a escolha da profissão seja pessoal e intransferível,
os pais podem ajudar nesse processo
 
1) Ajudar e incentivar os filhos a se informarem sobre as profissões atuais e do futuro, pesquisando diferentes ocupações e perspectivas do mercado de trabalho, seja por meio da análise da grade curricular, ou por meio de atividades em campo, explorando concretamente e diretamente a realidade profissional (test drive), além de pesquisar na internet. Também é importante incentivar os filhos a visitarem as faculdades de interesse, e não deixar isso para o dia da matrícula. Apesar de os cursos oferecidos por diferentes faculdades serem os mesmos, eles podem ter ênfases diferentes. Aspectos relativos ao ambiente universitário, às “tribos” que ali transitam também deem ser avaliados. Muitas vezes o jovem desiste de um curso pois não se identificou com os colegas, ou com a cultura da instituição de ensino.
 
2) Ajudar o jovem a distinguir entre curso e carreira profissional. Da mesma forma como muitos caminhos levam a Roma, diferentes cursos podem levar a uma mesma carreira. Por exemplo, se o adolescente quiser trabalhar com algo relacionado ao meio-ambiente, terá como opções de curso Ecologia, Agronomia, Biologia, Gestão Ambiental, Engenharia Ambiental, Engenharia de Saneamento, Química, bioquímica, entre outros. A opção do curso deve ser vista como a base sobre a qual irá construir a sua carreira profissional, tanto por meio da experiência profissional (estágios), como por meio de cursos de especialização e pós-graduação, e até mesmo outra graduação que julgar complementar.
 
3) Mostrar para o adolescente que na vida, nada é definitivo. Muito menos a escolha profissional. Conversar com os filhos sobre a possibilidade de correção de rumo é algo que tem um grande efeito tranquilizador. A escolha de um determinado curso não implica necessariamente que ele deverá atuar nessa área. Por exemplo, diz-se que a faculdade de Arquitetura até forma arquitetos, pois esse curso serviu de alicerce para fotógrafos, cineastas, designer, músicos, etc. O desenvolvimento profissional não transcorre de maneira linear. Não existe algo como sair do ponto A para chegar ao ponto B. A trajetória profissional ocorre  de maneira tortuosa, muitas vezes como num zigue-zague. A primeira escolha  será a de um curso, que poderá ser técnico, tecnológico ou universitário, mas muitas escolhas outras virão, como  para aprofundamento e especialização em um determinado campo de atuação, por exemplo. Na era do conhecimento, a aprendizagem contínua - life long learning, é uma regra, não uma exceção. As novas tecnologias, a internet das coisas, farão com que muitas carreiras desapareçam, para dar lugar a muitas profissões novas, com as quais hoje sequer podemos sonhar. Não faz sentido preparar-se para um algo a priori, quando a única certeza que se tem é a incerteza. Não existe um alvo para acertar.
 
4) Respeitar e apoiar os interesses dos filhos, desde pequenos. A dedicação intensa a um determinado esporte, para tocar um instrumento, fazer um curso de arte, participar do grêmio da escola  ou fazer escotismo, ao invés de se dedicar ao aprendizado de um idioma, visto pelos pais como ‘mais útil’, pode resultar no desenvolvimento de um currículo oculto,  traduzido pelo desenvolvimento de competências. Quando os pais supervalorizam o aprendizado do idioma em detrimento dos interesses dos filhos, podem estar ignorando o fato de essas atividades promoverem o desenvolvimento de habilidades importantes e valorizadas no mundo do trabalho, como disciplina, espírito de equipe, sensibilidade estética, destreza manual, senso de responsabilidade, liderança, etc.
 
5) Estimular a identificação de interesses e inclinações dos filhos desde a infância. Embora não haja uma relação direta entre as brincadeiras preferidas das crianças e a futura profissão, os interesses da criança podem ajudar os pais identificar traços de personalidade que podem servir como uma primeira orientação e discussão sobre opções profissionais. Comportamentos dos adolescentes tidos como manias, podem dar pistas valiosas sobre possíveis profissões de interesse e ajudar os pais na discussão de diferentes opções que possam ir ao encontro das inclinações e aptidões identificadas. Observar o comportamento da criança ao brincar, pode apontar para  sua preferência  por atividades em grupo ou individuais, por jogos com regras ou de imaginação, pelo desenho ou pela montagem e construção, por correr ou ler, por bichos ou por aparelhos eletrônicos, permitindo estabelecer a relação das características de personalidade dos filhos com a demanda ocupacional de algumas ocupações.
 
6) Incentivar e apoiar atividades extracurriculares ajuda a promover o autoconhecimento, pois representam oportunidades para que o adolescente explore e desenvolva suas aptidões e interesses. O fato de o adolescente mudar frequentemente de atividade não deve ser visto apenas como um problema, como "fogo de palha",  mas como ensaios que ajudam a identificar mais claramente seus gostos, suas aptidões, suas dificuldades e sua disponibilidade para se engajar, ou não, em uma atividade que requer determinadas atitudes, como comprometimento ou disposição para abdicar de festas para participar de competições, por exemplo.
 
7) Promover a responsabilidade, a autonomia e a independência dos filhos. Uma maneira interessante de estimular a responsabilidade pode ser feita por meio da gestão da mesada. Embora o assunto dinheiro ainda seja um tabu em muitas famílias, a educação financeira deveria fazer parte da educação recebida em casa. O valor da mesada pode ser estabelecido em conjunto, a partir de uma primeira estimativa de gastos feita pelo próprio adolescente. Essa estimativa de gastos se assemelha a um orçamento, e pode incluir ida ao cinema, baladas, lanches, presentes para amigos, cabeleireiro, por exemplo. O estabelecimento de um valor mensal, e de uma data de recebimento,  ajuda o jovem a aprender a lidar com o dinheiro, estabelecer prioridades, e até aprender a economizar tendo em vista algo especial no futuro. Estimular a autonomia e independência do adolescente também pode ser feita ao permitir que ele use transporte publico, viaje sozinho, faça uma compra no supermercado para a família, compre uma roupa (dentro de uma faixa de preço pré-estabelecida), por exemplo. Conseguir locomover-se e orientar-se na cidade, fazer boas compras e um bom negócio, contribui para o desenvolvimento da autoconfiança e segurança do jovem. Como esperar que ele se situe no mundo, quando nem sequer sabe qual o CEP da própria casa, ou quanto as coisas custam?
 
8) Conversar com os filhos sobre seus objetivos de vida, o que pretendem alcançar na vida, seus sonhos, assim como sobre seus medos e inseguranças. Os jovens têm dificuldade em reconhecer seus medos, e muitas vezes apegam-se a figuras de reconhecido sucesso, adotando-os como modelo,  e não conseguem enxergar o esforço e sacrifícios que elas fizeram para chegar lá, ou as dificuldades e fracassos que enfrentaram nesse caminho. Perceber que não existe mágica, mas muito trabalho e dedicação, ajuda o jovem a se preparar para lidar com possíveis reveses e frustrações.
 
9) Conversar sobre a escolha profissional dos filhos costuma fazer com que os pais revivam o próprio processo de escolha. Contar para os filhos como isso aconteceu, se tiveram, ou não, liberdade de escolha,  se ficaram satisfeitos com a escolha fizeram, contribui para uma aproximação entre pais e filhos. Conversar sobre a transição da faculdade para o trabalho e sobre o significado do primeiro salário, pode ser uma oportunidade para o jovem entrar em contato com as próprias expectativas e fantasias, além de aproximá-lo da realidade vivida pelos pais.
 
10) Falar sobre as profissões da família (pais, avós, tios), permite que o jovem amplie o seu conhecimento sobre o mundo das profissões, e também tenha contato com diferentes trajetórias profissionais, favorecendo o reconhecimento de semelhanças e padrões familiares (família de médicos, de advogados, comerciantes, empresários, funcionários públicos, ou com muitas pessoas que não tiveram oportunidade de cursar uma faculdade). É espantoso como um número considerável dos jovens não sabe o que os pais e familiares fazem profissionalmente. Essa conversa permite que o jovem  entre em contato com as expectativas familiares, e com a percepção que tem sobre a própria liberdade de escolha diante delas, e do investimento financeiro que os pais fizeram para que pudesse ter acesso à universidade. Conhecer os percalços enfrentados pelos membros da própria família, seus  sonhos não realizados, assim como seus sucessos e sentimentos de autorrealização, estimula a reflexão sobre si e sobre a própria disposição para se empenhar e enfrentar os obstáculos que venha enfrentar.
 
*Giselle Mueller Roger Welter: Psicóloga (PUC-SP), completou sua formação em Psicologia em Heidelberg, na Alemanha. Especialista em Psicologia Escolar e Educacional e Mestre em Psicologia pela Universidade São Francisco, com ênfase em Avaliação Psicológica. Tem mais de 25 anos de experiência como orientadora profissional e de carreira, de jovens e adultos.
 


Postado em 31/03/2017


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