Análise: como lidar com filhos adolescentes
Psicóloga Rosely Sayão comenta três questões complicadas que podem acontecer com os adolescentes
 
por Fabiana Scaranzi* 
 
Quem é mãe sabe… E quem não é, pode imaginar, porque foi filha e sabe o trabalho que deu quando chegou à adolescência, por mais que não se lembre bem. É um período que exige cuidados especiais dos pais que por mais que se dediquem, não querem exagerar nem nas cobranças, nem nas regras e sobretudo… querem acertar! E haja diálogo…
 
Convidei a psicóloga Rosely Sayão para ajudar no meu livro “Mulheres Muito Além do Salto Alto” em algumas questões complicadas com adolescentes. A gente não quer bancar a chata, mas também não quer deixar de educar e dar apoio e limites aos nossos filhos… Mas como?
 
Entreguei à Rosely, que também é consultora educacional, alguns casos de saias justas que aconteceram com amigas minhas e ela opinou como a gente deve se posicionar, quando se sente sem ação, diante de filhos que parecem estar abusando da liberdade que lhes demos, ou avançando o sinal, quando chegam à adolescência. Resumo aqui três dos casos que abordamos no livro:
 
Saia justa 1
 
Um filho que leva a namorada pra dormir em casa, sem comunicar aos pais, e ela é a primeira a acordar de manhã. Entra na cozinha onde está a mãe e pede o que costuma comer e beber e nada que tenha na casa a satisfaz… A mãe, é claro, fica super chateada por não saber que tinha hóspedes e ainda ter que lidar com a namorada mal educada que sai da cozinha insatisfeita e pede ao filho para levá-la à padaria, pois lá não tem nada de bom pra comer…
 
Como reagir? Chamar a atenção do filho na hora ou depois?
 
Rosely aconselha a não discutir na hora, principalmente diante da namorada o que seria constrangedor para todos, afinal trata-se de discutir o relacionamento e a vida familiar e isso tem relação apenas com os integrantes da família. Situações desse tipo têm sido cada vez mais frequentes e ela entende que elas acontecem porque os pais não têm tido clareza de que tipo de intimidade e privacidade conceder e ensinar aos filhos. Em um passado recente, os filhos escondiam sua vida amorosa e hoje parecem não se importar de deixar isso às claras.
 
Ela acha que a partir dos 18 anos, os filhos precisam ser responsáveis pela própria vida, mas para conquistar sua autonomia precisam conhecer bem seu contexto na relação familiar, principalmente se ainda moram com os pais. E que cabe aos pais deixar essa relação e inclusive as “regras da casa” bem claras. Dessa forma, os pais não serão surpreendidos com acontecimentos como este, se deixaram, antes, bem definido o que não irão tolerar. O filho adolescente precisa saber quais são os princípios da família, explicitamente: quais são seus direitos e deveres na casa e quais assuntos precisam ser conversados e negociados antes.
 
Saia justa 2
 
Essa questão de deixar o filho ou a filha trazer namorados para casa e. eventualmente, irem para o quarto e fecharem a porta, dormirem juntos e quem sabe até ter relações é algo que deixa muitos pais e mães em estado de choque. O que é certo? Proibir? Esperar que eles transem em outro lugar? Ou seria mais seguro deixar que eles façam isso em casa?
 
Tem certo ou errado nesse caso?
 
Rosely levanta, antes de tudo, a questão do autocuidado: a gente devia criar os filhos de forma que eles desenvolvessem um cuidado com eles próprios, que substituísse o cuidado que sempre oferecemos durante a infância. A adolescência devia ser a época certa para essa substituição começar a se dar.
 
Já ceder a casa como palco de um namoro que se torna mais “íntimo”, implica, segundo a Rosely, em considerar se os pais estão realmente favorecendo o processo de os filhos passarem a cuidar da sua vida, intimidade e segurança, ou se estão, de alguma forma, oferecendo um cuidado que eles já podem tomar por si mesmos. “Outra questão – ressalta Rosely – é se os pais irão se sentir bem com a decisão tomada, se conseguirão conviver com o filho ou filha e sua namorada ou seu namorado, sem constrangimentos ou pressão”. E ela diz que não se pode dizer que a escolha de permitir ou não é certa ou errada: “a solução depende de cada família, de seu modo de viver e encarar a vida”.
 
Saia justa 3
 
Um filho chega da balada bêbado. A mãe percebe e no dia seguinte tenta repreendê-lo e escuta: – Ué, meu pai tomou uísque a vida inteira e agora tenho de ouvir que o álcool não faz bem pra saúde e é um perigo?
 
Como encarar essa conversa?
 
Rosely concorda que é uma questão complexa. Realmente os jovens andam bebendo demais. A bebida funciona como um mediador social, tipo: – Se meu pai faz e os amigos também, é natural que eu beba… E os excessos são naturais da adolescência. Não deveria ser um problema o uso moderado de bebida alcoólica, pelos pais, em frente às crianças, desde que elas percebam que são dois mundos apartados. Mas a adolescência traz essa essa noção de que o limite acabou, por não serem mais crianças. “Os filhos acham que podem fazer tudo o já viram os pais fazerem. Não podem. Mas sabe por quê? Porque lhes falta um mecanismo que chamamos de autoregulação. Só com a chegada da maturidade é que temos a capacidade de conter nosso impulso, de praticar o autocontrole”, pondera Rosely.
 
Da primeira bebedeira, talvez os jovens não escapem. Mas podem e devem ser tutelados, com discrição, mas firmeza, para não exageragem sempre. Quando um filho sai, os pais devem lembrá-lo que ele precisa observar o limite de ingestão de bebida alcoólica e quando chega em casa, os pais precisam observar se houve exagero. Caso tenha havido, nada melhor do que colocar regras para a próxima saída. Pode ser que dessa maneira o filho passe a se regular nessa questão.
 
Dizem os especialistas que discursos moralistas não funcionam muito. E que os pais não devem autorizar a bebida antes dos 18 anos. Claro que eles poderão, mesmo com o impedimento, beber quando saírem. Mas é importante a gente colocar o que é certo, o que é lei, mesmo que eles errem algumas vezes.
 
No meu livro, abordo outras situações comuns que passamos e que nos enchem de preocupação em relação aos filhos adolescentes. Afinal, por que temos a impressão de que nunca fomos assim como eles; tão intolerantes, tão sem paciência com os nossos pais? Mas devemos ter sido. Adolescente é mais ou menos tudo igual. Tem mais ou menos a mesma bula. Claro, uns passam por essa fase mais cedo, outros mais tarde… Uns mais contestadores, outros mais inseguros, mas a fase de se acharem sábios e imortais, todos vão ter. Esse capítulo, sobre adolescentes, onde falamos abertamente sobre sexo, drogas e rock’n’roll na vida dos nossos eternos “bebês” é um dos favoritos das minhas amigas e leitoras que já passaram ou estão passando por isso.
 
Convido vocês à leitura completa de “Mulheres Muito Além do Salto Alto“, principalmente se ainda vão passar por isso, em breve. Porque a infância, amigas, passa num piscar de olhos e quando nos damos conta… eles já são “gente grande” (mesmo que a gente nunca ache isso) e o diálogo fica mais complicado, mas muito necessário. É também importante a gente ouvir os filhos, suas ideias, seus anseios, para que eles se sintam valorizados, importantes. É uma fase de descobertas, nós também passamos por isso. E que saber? A gente também aprende muito com eles. Boa sorte pra vocês nessa fase!
 


Postado em 05/05/2017


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