Ela é... Mulher Maravilha: a importância da super-heroína e sua chegada ao cinema
Filme representa pequeno passo rumo a uma maior representatividade feminina no cinema 
 
por Sttela Vasco
 
Tendo nascido nos anos 1990, eu não cheguei a presenciar, durante a minha infância, a onda de personagens femininas fortes e independentes que acompanhamos hoje. Claro, elas existiam – Mulan e Sakura que o digam! – porém, não eram tão faladas e muito menos cobradas como são atualmente. Na verdade, ali por volta dos meus sete ou oito anos, um desenho com uma heroína, guerreira, independente e fora dos padrões era... Fora dos padrões. Uma exceção bem aceita, no entanto, ainda exceção. Talvez por essa razão a Mulher Maravilha tenha tanta força nas minhas memórias infantis. Se agora temos heroínas sendo apresentadas inclusive às idades mais jovens – quem nunca viu uma bota, boneca, caderno ou qualquer outro produto da Miraculous Ladybug, a heroína com roupa de joaninha e cabelo azul? – na minha infância, eram os heróis que dominavam a cena. Os heróis e a Mulher Maravilha.
 
Pode ser que você pense “bobagem, tinham outras, X-Men, por exemplo, estava cheio de meninas com superpoderes”. Verdade, estava mesmo. Mas a Jean Grey ou a Vampira não tinham a mesma popularidade e não eram tão legais como o Batman. Era – e sempre foi – a Mulher Maravilha quem conseguia ficar equivalente a ele, ao Super-Homem e o Lanterna Verde. Lembro de assistir à Liga da Justiça e ter dois pensamentos muito claros: “por que só tem duas meninas (sim, a Canário Negro estava ali) na equipe ” e “eu posso ser a Mulher Maravilha”. Foi a amazona de cabelos negros que me fez compreender que, sim, uma menina pode ser heroína. Não a prima do super-herói X ou uma versão feminina do Y, mas uma heroína por si só. Uma menina podia combater o mal, dar chutes e socos e salvar o mundo. Uma menina era poderosa.
 
Antes de continuar, acho válido fazer uma breve contextualização: a concepção da Mulher Maravilha em si já diz muito sobre empoderamento feminino. Nascida na ilha de Temiscira, onde só vivam as amazonas, um grupo de mulheres guerreiras, a história, criada em 1941 por William Moulton Marston (que originalmente foi convidado a criar um herói, mas mudou de ideia após ser pressionado por sua esposa), surgiu justamente em um contexto em que a emancipação feminina ganhava força: durante a Segunda Guerra Mundial, período também em que o nacionalismo também estava em alta nos Estados Unidos – daí a vestimenta azul e branca, com estrelinhas, remetendo claramente à bandeira do país. Vinda de um cenário totalmente diferente – uma ilha somente com mulheres – a personagem tornou-se símbolo tanto para uma quanto para outra questão. Porém, o caminho até a Mulher Maravilha que conhecemos foi longo.
 
Diana, como é chamada a guerreira, foi sendo construída conforme os períodos em que viveu. Seu corpo, suas roupas, seu estilo, sua profissão. Tudo foi se adaptando ao tempo, porém, a força representativa da personagem sempre esteve ali, ora mais forte, ora menos. Ao longo do tempo, questões como a hiper-sexualização da personagem, que trazia uniformes decotadíssimos e curtíssimos também começaram a ser debatidas junto a sua relevância (inclusive, há um texto muito bom sobre a questão aqui). De um modo ou de outro, a Mulher Maravilha sempre esteve em pauta, o que nos leva ao presente e também ao que me fez querer escrever esse texto: finalmente, após 75 anos, um filme sobre ela foi feito. E, o mais legal, ele foi dirigido por uma mulher, Patty Jenkins.
 
Ao que tudo indica, o longa, que estreou no Brasil em 01/06, traz uma Diana completamente dona de si e dos rumos do seu destino, que não se submete a ninguém e passa longe de boa parte dos estereótipos femininos que recaem até mesmo sobre heroínas. A possibilidade de vermos uma mulher como heroína e não interesse romântico em um filme, conseguindo conversar com a atualidade, mas mantendo a temporalidade, e trazendo à vida uma personagem que cresceu com as mais diferentes gerações é mesmo emocionante. E a relevância dele para as jovens que vão conhecer essa nova versão da Diana também. É claro que apenas com a Mulher Maravilha estamos longe do ideal, mas ela já é um pequeno passo rumo a uma maior representatividade – que ainda precisa abrir caminhos para muitos outros públicos, como eu já mencionei anteriormente.
 
Também é interessante acompanhar a onda comercial que vem junto com o filme, especialmente na linha de brinquedos. Há pouco tempo atrás, comentando sobre a transformação que as bonecas vêm sofrendo para se manter no mercado e adequar à atualidade, citei como as empresas estão procurando meios de dialogar mais com as meninas e abraçar mais a diversidade. E nesse baio que entram as super-heroínas. Deixadas de canto por muito tempo, elas foram resgatadas pela indústria há pouco tempo e devem ganhar ainda mais força com a chegada do filme. Se por um lado trata-se de marketing, por outro, há uma mensagem sutil implícita: dessa vez, são elas que dominam os corredores.
Poder acompanhar a “onda” que surgiu junto ao longa é prazeroso. Intencionalmente ou não, ele ajuda a levantar uma série de questões e coloca o protagonismo feminino em pauta – tanto nas telonas como fora delas. Claro, não se trata de uma mudança radical, mas já é um começo. E, após 75 anos, começos são fundamentais.
 


Postado em 09/06/2017


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