Como lidar com as crises de medos na infância
As fobias da criança pequena só se tornam preocupantes se elas chegarem a imobilizá-la
 
Por Waleska Gatti
 
Para conseguir saber o que se passa no mundo infantil dos nossos filhos, é preciso sempre estar atento à rotina da criança, observar suas brincadeiras, a interrelação delas com o meio social e procurar olhar a situação que deflagrou aquele sentimento de medo que a criança está expressando e assim ir investigando caso a caso.
 
Fato é que o medo e ansiedade fazem parte do desenvolvimento cognitivo e emocional de toda criança. Umas apresentam maior ou menor expressões deste sentimento do que outras, mas é natural que todas passem por suas etapas de desenvolvimento e apresentem, eventualmente, medo e ou ansiedade em relação a algo.
 
Mas se pudermos pensar que para os pequenos quase tudo é novo em suas vidas, pensar na quantidade de eventos novos que eles são expostos diariamente, e sua mente ainda imatura tentando construir o entendimento que faça sentido do acontecido, poderemos compreender que as lacunas desconhecidas os deixam inseguros.
 
Assim, cada passo que seu filho dá em direção à independência, vem acompanhado do medo em relação ao desconhecido. Isso é uma etapa natural, faz parte do desenvolvimento normal e é esperado no processo de amadurecimento.
 
À medida que a criança explora o ambiente, ela vai descobrindo que a comida que está quente e queima sua língua, que o cachorro bonitinho late e pode avançar, que o coleguinha pega o brinquedo da sua mão, que os pais demoram a voltar quando saem, etc. De fato, eles começam se dar conta que não têm controle sobre os eventos externos e isso causa ansiedade.
 
Eles também começam a ampliar sua imaginação e desenvolver outras percepções e ou fantasias em relação a objetos conhecidos, como por exemplo, o liquidificador parecer bravo com seu barulho forte, a porta do banheiro que parece esconder ” algo” atrás dela, o que inclui ver supostas ameaças, como o boneco de neve que vira monstro, o polvo do desenho que aparece no sonho e o envolve com seus tentáculos…
 
Quanto mais as crianças vão se conectando com mundo, mais elas reagem aos supostos perigos, que anteriormente passavam despercebidos.
 
As crianças, assim como nós, podem também apresentar ansiedades variadas em um determinado momento. Um exemplo disso é, perto dos 8 meses, alguns bebês começarem a temer ir no colo de desconhecidos por terem começado a diferenciar um rosto conhecido de um rosto estranho, ou temerem ficar sozinhos e chorarem quando a mãe se afasta (ansiedade de separação). Ou então, podem apresentar medo de coisas específicas, como uma aranha, por ser peluda e com muitas pernas que se movem, ou medo do chuveiro, por causa da força do jato de água, e aí acabam dizendo que não querem tomar banho.
 
Podem surgir também medos repentinos, como no caso de uma criança que, ao iniciar o andar,  adorava escalar tudo, mas ao subir num banco e eventualmente cair, acaba levando um susto muito grande, aí pode passar a temer lugares altos.
 
Na infância também podem surgir os medos imaginários, pois as crianças pequenas têm certa dificuldade de diferenciar a realidade do mundo imaginário. Dessa forma, pode acontecer da criança passar períodos de ansiedade e medos, devido a personagens de alguma história ou filmes infantis com seus vilões assustadores.
 
Claro que se os medos ou crises de ansiedades persistirem demais, é sempre bom acompanhar e ajudá-los na elaboração de alguns temas que surgirem, mas no geral, esse tipo de situação é muito comum e natural.
 
E a melhor notícia de todas é que isso faz parte do processo de desenvolvimento, e com o amadurecimento psicoemocional, a tendência é eles irem superando e elaborando seus medos.
 
Para ajudar as crianças e mamães nestes momentos delicados, vão aqui algumas sugestões de atitudes para minimizar o sentimento de medo e ansiedade infantis:
 
– Regra número 1, de mãe pra mãe: não existe receita de bolo na educação de crianças. Existem sugestões de outras mães, orientações de profissionais, formas usadas pelas avós, etc … Então, a dica de ouro é : siga sua intuição, experimente e teste diversas opções, pois você é quem mais conhece seu filho e só você saberá identificar o que servirá melhor para ajudar no problema dele.
 
– Segunda regra: jamais desmereça o sentimento de medo da criança. Acolher no momento da crise é o caminho indicado, sempre atento para não supervalorizar também os temores. Lembre-se que você é o adulto e que a criança precisa da sua segurança, portanto, o acolhimento com um abraço e, em seguida, palavras calmas e sinceras surtem melhores resultados.
 
– Terceira regra: converse sobre a situação relatada pela criança, ajude ela verbalizar, ajude-a nomear o sentimento ou a imagem que ela disse ter sentido ameaçadora, ou o personagem que apareceu. Mas cuidado para não usar palavras demais, pois deixa a criança ainda mais confusa.
 
Dicas importantes e úteis:
 
1 – Sugira que a criança desenhe o que o assusta, mesmo que seja com um simples rabisco. Toda forma de expressão alivia o tamanho do medo.
2 – Pergunte o que ela acha que pode fazer o medo ir embora.
3 – Construa um amuleto para ajudar a defendê-la do que a amedronta.
4- Leia livros que abordam o assunto de forma lúdica. A literatura infantil tem histórias sobre medo para várias idades. (Ex: “O bicho-medo e seu segredo”; “Vai embora, grande monstro verde!”; “Bruxa, bruxa venha a minha festa”)
5 – Se seu filho fica inseguro ao chegar em lugares com pessoas diferentes, não o obrigue a ficar à vontade lá ou, então, não o obrigue a ir. Vá com calma, faça você amizade para ele ver, vá levando ele em lugares com menor número de pessoas para fazer um processo gradativo, leia histórias infantis ou crie uma história, que contam de pessoas que superaram seus receios e fizeram novos amigos.
6 – Nunca saia sem avisar. Crie o hábito de avisar e de sempre contar que você, quando sai, sempre volta e que ela, a criança, estará segurança com a pessoa que cuida dela.
7 – A criança precisa confiar, então, não minta ou invente algo que não conseguirá fazer. Se acontecer algum imprevisto, explique sempre de forma clara, direta e sem muitas palavras.
8 – Falta de rotina ou trocas bruscas e constantes (de babás, casa, escola…)  deixam as crianças inseguras. E insegurança costuma gerar medos e irritabilidade. Por isso, evite evite esse tipo de situação.
9 – Seu filho aprende observando, assim, a forma como os pais lidam com seus medos (seus e os da criança) acabam refletindo no comportamento delas.
 
De modo geral, as fobias de uma criança pequena só se tornam preocupantes se elas chegarem a imobilizá-la, se persistirem por tempo excessivo, se atrapalham seu sono ou se a impedem de curtir a companhia de amigos e parentes. Caso você não esteja conseguindo acalmar os medos do seu filho, mesmo fornecendo atenção e apoio, a sugestão é consultar um pediatra.
 
Waleska Gatti – Equipe PAEDI
 


Postado em 10/09/2017


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