Crescer ou não crescer

 

Julia chegou aos quatro anos e resolveu que passou da fase
 
por Juca Kfouri 
 
Julia passou pelo menos 12 meses, entre os três e quatro anos de idade, dizendo que não queria crescer. Os adultos, todos muito sabidos, analisavam a vontade da pequena como a demonstração de que ela tinha descoberto que era a maneira de se distinguir de Luiza, três anos mais velha e com quem não poderia concorrer no quesito sabedoria.
 
Mas, de repente, Julia mudou. E quer crescer. Quer ter lição de casa, como a irmã. E ter um celular, mas não qualquer um, como o iPhone da mãe que, parece, ela vê mais como brinquedo, por causa dos joguinhos. Ela quer um como o do pai, um bequebelrri.
 
Dia desses, quis se fantasiar de Cinderela, para estranhamento geral, pois sua princesa favorita sempre foi a Aurora. “Eu cresci, e quando a gente cresce muda de cores e de princesas. Eu gostava de amarelo e agora gosto de rosa”, explicou.
 
Como disse à vendedora que entregou o celular para Luiza: “Guarda um igualzinho que quando eu fizer sete anos eu venho buscar”. Crescer ou não crescer, eis a questão?
 
Ela anda tão cheia de si com seus quatro anos, alardeados de boca cheia, que a peguei, aboletada na mesa de jantar, dizendo à irmã que não tomaria o café da manhã na mesa menor porque “sabe Luiza, eu passei da fase de mesinha de nenê”. Quem aguenta?
 
E não pára por aí, não. Ao adverti-la que não era mais para comer castanhas e não ser obedecido, o avô perguntou se ela achava que mandava nela. E ouviu, de bate-pronto: “Sim, quem manda no meu corpinho sou eu”.
 
É. Elas crescem. Mas não perdem a graça. Apenas mudam de graça. Como a Luiza, muito compenetrada, que agora dá aulas de alemão para os avôs.
 
Juca Kfouri é jornalista esportivo, pai de quatro filhos e orgulhoso dos seus netos.
 

 


Postado em 19/06/2012


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