Saiba mais sobre a dislexia, transtorno que prejudica leitura e escrita e que não tem cura
Pesquisa encontra possível causa do transtorno, abrindo caminho para o tratamento
 
Definida como um transtorno específico de aprendizagem de escrita e leitura de origem neurobiológica, a dislexia atinge de 10% a 15% da população mundial. Hereditária, essa dificuldade, muitas vezes, só é descoberta na fase adulta. Isso explica um percentual estimado de 65% de disléxicos que não sabem que têm o problema.
 
Por se tratar de um transtorno e não figurar no rol das doenças, a dislexia não tem cura. Apenas  intervenções podem melhorar alguns aspectos da condição.  
 
Ler faz bem à saúde
No entanto, um estudo publicado este mês na revista científica Proceedings of the Royal Society B sugere que há caminhos possíveis de serem percorridos em busca de um tratamento. Pesquisadores franceses anunciaram que podem ter encontrado uma causa anatômica para o transtorno. Segundo eles, a resposta para a dislexia pode estar nas células receptoras de luz nos olhos. Em pessoas que não têm a dificuldade, esses receptores são assimétricos, assim, o cérebro escolhe o sinal enviado pelo olho dominante para recriá-lo. Aqueles com dislexia apresentam uma simetria nessa região, fazendo com que o cérebro não consiga escolher entre os sinais enviados por ambos os olhos. 
— Essa presença ou ausência de assimetria deve desempenhar um papel crucial na conectividade nervosa para os processos visual e fonológico nas diferentes regiões do cérebro — diz Keila Monteiro, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia. 
 
Ela explica que, para chegar aos resultados, Albert Le Floch e Guy Ropars, ambos da Universidade de Rennes, na França, utilizaram um aparelho que identificou assimetria nos olhos de 30 pessoas sem dislexia. 
— Eles propõem um estímulo da região central no olho para que esse estado seja melhorado — afirma Keila. 
Apesar da notícia animadora, a médica oftalmologista lembra que esse é apenas um passo inicial na busca por intervenções em pessoas que têm o transtorno. Ainda falta um longo percurso, que inclui ensaios clínicos, para comprovar cientificamente a eficácia dessa proposta. 
Sônia Moojen, fonoaudióloga, psicopedagoga e pesquisadora de longa data do tema, também vê o estudo com cautela. Segundo ela, há tempos vem se discutindo uma série de alternativas para a dislexia, como uso de lentes, mas que carecem de comprovação científica. 
— Tem de se basear em evidências — destaca.  
 
O que é a dislexia
É um transtorno específico de leitura e escrita, reconhecido em 1968 nos EUA, que não tem cura. Segundo a fonoaudióloga e psicopedagoga Sônia Moojen, os disléxicos podem ser muito inteligentes, porém apresentam uma dificuldade exclusiva: 
— A pessoa pode ser um gênio e ter problemas para ler e escrever. É preciso que os pais entendam muito bem que a pessoa não é preguiçosa nem burra. 
 
Como identificar 
Segundo o psicólogo Luiz Gustavo Varejão Simi, pesquisador da Associação Brasileira de Dislexia, os sinais podem aparecer tanto em idade pré-escolar quanto escolar. Na pré-escola, as crianças costumam apresentar fraco desenvolvimento da atenção, atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem, dificuldade em aprender rimas e canções e falta de interesse por livros impressos. No ambiente escolar, os sinais mais comuns são dificuldade na leitura e na escrita, conhecimento pobre de rimas, desatenção, dificuldade para copiar do quadro, troca de letras – M por N e P por B, por exemplo.  
Contudo, mesmo diante desses sinais, Sônia garante que o diagnóstico preciso do transtorno só pode ser dado no fim do segundo ano do Ensino Fundamental e após seis meses de intervenções sem sucesso.  
— Antes disso, as dificuldades apresentadas podem ser normais — argumenta. 
Ao receber a confirmação, é preciso um trabalho multidisciplinar, com psicopedagogos, fonoaudiólogos e, em alguns casos, psiquiatras. 
 
Escola e família 
Desempenhando papel fundamental no desenvolvimento das crianças com dislexia, a escola precisa estar preparada para auxiliar quem tem o transtorno. Professores devem estar cientes que essas crianças não são desmotivadas nem preguiçosas. 
 
Andrea Backes, orientadora educacional do Colégio Marista Rosário, diz que a instituição segue alguns procedimentos para facilitar a aprendizagem desses alunos. Um deles é promover reuniões entre a família e especialistas que acompanham a criança para traçar uma estratégia pedagógica individualizada. 
Na sala de aula, quem tem o transtorno senta mais perto do professor. Nas avaliações, recebe materiais adaptados e conta com a ajuda de uma pessoa para ler as questões. 
— Não queremos deixar o instrumento mais fácil, mas queremos isolar a dificuldade — diz Andrea. 
Outra medida que a escola toma é não descontar da nota erros de ortografia e de composição frasal. Para a orientadora, a escola precisa intervir e incentivar esses alunos, a fim de potencializar outras habilidades. 
 
Disléxico famoso
O cineasta Steven Spielberg, diretor de títulos como Jurassic Park e A Lista de Schindler, revelou, há alguns anos, que sofre do transtorno. Em entrevista ao blog Friends of Quinn, ele disse que o diagnóstico foi como a última peça do quebra-cabeças e um mistério que manteve há anos. Spielberg relata que estava sempre atrasado em relação aos colegas na escola e que virou motivo de deboche por isso.
 
Fonte: Zero Hora 
 https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2017/10/saiba-mais-sobre-a-dislexia-transtorno-que-prejudica-leitura-e-escrita-e-que-nao-tem-cura-cj99zorqu006k01ogrmzqb8nv.html
 


Postado em 31/010/2017


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