Unicef: 1 em cada 3 usuários de internet no mundo é uma criança
Entre outros fatores, o estudo aponta para a necessidade de supervisão para evitar os perigos da internet
 
por Redação
 
Quem de nós saberia viver sem conectividade e as novas formas de organização social que a internet propiciou? Talvez alguns adultos até respondam ser possível, mas as crianças têm vivido uma geração cada vez mais integrada com o universo online.
 
Mesmo assim, é essencial que cuidadores se atentem para os perigos que esse ambiente pode oferecer para meninas e meninos.
 
E, por outro lado, é fundamental saber e reconhecer que "estar online" ainda não é uma realidade de todos. Nem no Brasil e nem no mundo.
 
O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) publicou em dezembro um relatório de alerta (em inglês, espanhol ou francês) que oferece um panorama sobre o impacto da internet e das mídias sociais para o bem estar das crianças. E a contribuição da era digital para a criação de uma nova linha de desigualdade entre países e classes sociais também é um dos focos.
 
O estudo The State of the World’s Children 2017: Children in a digital world (ou "O Estado Mundial da Infância 2017: crianças em um mundo digital) identifica os riscos e oportunidades que a tecnologia oferece.   
 
De acordo com a entidade, os jovens são os mais conectados em todo o mundo, 71% deles estão online em comparação com 48% da população total.
 
Em relação as crianças, é possível afirmar que 1 em cada 3 usuários de internet em todo o mundo é uma criança.  Mas pouco é feito para protegê-las dos perigos e para aumentar seu acesso a conteúdos virtuais seguros.
 
"Para o melhor e o pior, a tecnologia digital é agora um fato irreversível de nossas vidas", disse o diretor-executivo do Unicef, Anthony Lake. "Em um mundo digital, nosso desafio duplo é como mitigar os danos, ao mesmo tempo em que maximizam os benefícios da internet para cada criança".
 
Entre os desafios para tornar esse ambiente mais seguro está a necessidade de evitar o uso indevido de informações privadas, o acesso a conteúdos prejudiciais e o excesso de ciberbullying.
 
A presença onipresente de dispositivos móveis, segundo o relatório, fez o acesso online de muitas crianças ser menos supervisionado - e potencialmente mais inseguro.
 
E as redes digitais, como a Dark Web e as criptografias, estão permitindo as piores formas de exploração e abuso, incluindo o tráfico e o abuso sexual infantil "feito sob encomenda"
 
Segundo o estudo, mais de 9 em 10 URLs de abuso sexual infantil identificados globalmente são hospedados em cinco países - Canadá, França, Holanda, Federação Russa e Estados Unidos.
 
Offline
 
A tecnologia digital pode oferecer benefícios às crianças mais desfavorecidas, inclusive aquelas que crescem na pobreza ou são afetadas por emergências humanitárias.
 
Isso inclui um maior acesso à informação, a construção de habilidades para o local de trabalho digital e a possibilidade de utilizar plataformas para publicar e partilhar experiências e opiniões.
 
Mas o relatório mostra que milhões de crianças estão perdendo tais possibilidades.
 
Cerca de um terço da juventude mundial - 346 milhões - não está online, exacerbando as desigualdades e reduzindo a capacidade das crianças de participar de uma economia cada vez mais digital.
 
A diferença de gênero também apareceu. Globalmente, há 12% mais homens do que mulheres online. A lacuna é maior entre países de baixa renda.
 
A juventude africana é a menos conectada, com 3 em cada 5 jovens offline, se comparado com apenas 1 em cada 25 na Europa.
 
Outro ponto negativo e que dificulta o acesso a conteúdos na internet é o fato de que aproximadamente 56% de todos os sites estão em inglês e muitas crianças não conseguem encontrar conteúdo que eles entendam ou que seja culturalmente relevante.
 
Como reagir?
 
Para o Unicef, somente uma ação coletiva - por governos, setor privado, organizações infantis, acadêmicos, famílias e crianças - será possível nivelar o campo digital e tornar a internet mais segura e acessível para crianças.
 
"A internet foi projetada para adultos, mas é cada vez mais usada por crianças e jovens - e a tecnologia digital afeta cada vez mais suas vidas e seus futuros. Assim, as políticas, práticas e produtos digitais devem refletir melhor as necessidades das crianças, as perspectivas das crianças e as vozes das crianças", disse Lake.
 
Entre as recomendações de práticas necessárias para mudar esse quadro está a criação de políticas mais eficazes como melhor controle de conteúdos inadequados, preservar a identidade de crianças online, facilitar o acesso a recursos e internet de qualidade e investir na alfabetização digital, com foco na segurança.
 
Fonte: Catraquinha - notícia publicada em 04/01/2018 


Postado em 08/01/2018


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