Cultura do imediatismo: tudo ao mesmo tempo e agora
Com o avanço das tecnologias, vivemos atualmente em um mundo globalizado. Recebemos a todo momento uma enxurrada de informações de inúmeras fontes e estamos sempre conectados, em smartphones, computadores ou tablets.
 
Também precisamos ser rápidos em compreender e responder essas informações. Tudo tem que ser imediato, feito agora, no presente. Parece que ninguém sabe mais esperar; a paciência tornou-se algo raro.
 
Esse padrão de comportamento é chamado de cultura do imediatismo, que vem afetando nossa maneira de lidar com o passado, o presente e o futuro — é como se a linha do tempo passasse a ser apenas um instante prolongado indefinidamente.
 
Para ajudá-lo a entender melhor esse conceito e refletir sobre a questão, preparamos este artigo. Confira!
 
Uma nova estrutura de passado, presente e futuro
A cultura do imediatismo mudou a forma como nos relacionamos com o tempo, que deixou de ser linear. Veja como ele se apresenta agora:
  • o passado é apagado, pois, com tantas transformações, uma conexão com o que é mais antigo parece inviável;
  • não é possível pensar no futuro, já que tudo muda rápido demais e qualquer planejamento pode se tornar obsoleto rapidamente;
  • o presente se mostra alargado, podendo ser considerado um “instante prolongado”.
Essa análise é do professor de estudos de mídia na The New School University de Manhattan, Douglas Rushkoff. Em um dos seus livros mais recentes, “Present shock: When everything happens now” (“Choque do presente: quando tudo acontece agora”), Rushkoff atribui a cultura do imediatismo às mídias digitais, afirmando que elas teriam abolido a ideia do amanhã.
 
Para ele, vivemos na era do “presentismo”: é como se estivéssemos congelados num instante e muitas pessoas não sabem lidar com isso, ficando desorientadas, sem conseguir se envolver e viver cada instante.
 
Há, ainda, um contraponto: o presente passa rápido e despercebido porque se pensa muito no momento seguinte.
 
Tudo ao mesmo tempo e agora
O ser humano sempre quis tudo para agora. Isso fica claro no comportamento das crianças, que têm dificuldade de abrir mão de um desejo imediato em detrimento de algo maior e mais significativo no futuro.
 
Antes éramos ensinados e obrigados a esperar porque tudo acontecia mais devagar. Com o advento da internet e das mídias sociais, tudo começou a se resolver rapidamente e ficamos mal-acostumados.
 
Se os adultos, que viveram essa transição se sentem assim, imagine as crianças, que nasceram nesse mundo conectado, com soluções rápidas e práticas (não necessariamente eficientes) para os nossos problemas?
 
Os impactos da cultura do imediatismo
Sentimos dificuldade em sair do círculo imediatista porque essa cultura nos envolve de tal maneira que ficamos paralisados. Isso acontece porque, a todo momento, surgem coisas novas e nos sentimos sempre na obrigação de dar conta de tudo.
 
Portanto, perdemos a capacidade de planejar e de priorizar nossas atividades, o que pode transformar o cotidiano em um verdadeiro caos.
 
Ainda segundo Douglas Rushkoff, isso muda também a forma como pensamos a política, a economia, a ecologia e nossos relacionamentos afetivos. Muitas decisões são tomadas sem grandes reflexões, considerando apenas o momento e não as consequências.
 
Dessa forma, nossas relações sociais vão ficando superficiais; tudo para mantermos nosso ritmo acelerado de vida e o padrão de produção e funcionamento da sociedade que nos é imposto.
 
Os resultados são catastróficos. Estresse, ansiedade, transtornos psicológicos, irritabilidade, falta de paciência, intolerância com o diferente, além dos impactos ambientais e sociais.
 
A cultura do imediatismo na infância – como lidar
As crianças, além de sofrerem a influência dos adultos, pois reproduzem os comportamentos da família e de outras pessoas com quem convivem, são expostas cada vez mais cedo aos estímulos da tecnologia digital.
 
Uma das principais consequências do contato com um mundo em que tudo tem que ser agora é o desenvolvimento da ansiedade ainda na infância. É importante que famílias, escolas e sociedade prestem atenção nisso, pois saber esperar e ter paciência são habilidades que precisam ser ensinadas e estimuladas.
 
Trata-se de um aprendizado emocional, que deve ser incentivado especialmente pela família, impondo limites e dizendo “não”. Assim, a criança pode começar a entender a importância de esperar a hora certa para cada coisa.
 
Aprendizado pelo exemplo
Como já mencionado, desde pequenos, reproduzimos o que os adultos à nossa volta fazem. Para que as crianças aprendam a esperar, é preciso que a própria família seja o exemplo e, portanto, seja paciente.
 
É fundamental estar sempre disposto a conversar com calma com os filhos, ensinando-os a refletir, e não respondê-los de maneira rápida e superficial. Além disso, quanto menor a criança, mais ela pode demorar para cumprir uma tarefa.
 
Na correria, muitas vezes ficamos impacientes e terminamos a tarefa por elas, mas é importante evitar esse comportamento e criar uma rotina que permita à criança trocar-se, guardar brinquedos, se alimentar, etc. com tranquilidade. Se você “passar por cima dela” e terminar as tarefas com rapidez, ela vai encarar isso como um padrão a ser imitado.
 
Imposição de limites
Toda criança passa por uma fase difícil para os pais, quando começa a desafiar a família e outras pessoas próximas. Nessa hora, é muito importante saber dizer “não”, pois a falta de limites pode ser um grave erro na criação dos filhos.
 
Proibir determinadas atividades e condutas é fundamental para que os pequenos entendam a diferença entre o que é certo e o que é errado e saibam como se comportam em cada situação da vida.
 
Diminuição da ansiedade
Uma das consequências de uma sociedade imediatista é a ansiedade. Mas como enfrentar essa situação? Selecionamos quatro dicas que podem ajudá-lo nessa tarefa.
 
1. Apoie em vez de julgar
Jamais ignore ou ridicularize as preocupações de uma criança. Tratamentos de choque, como colocar seu filho em situação constrangedora na qual ele tenha que encarar de frente seu medo ou ameaçar tirar algo que ele gosta, por exemplo, também não valem.
 
O importante é manter a tranquilidade e deixar claro para os pequenos que eles podem expressar suas angústias. Também tente acolher as ansiedades da criança e conversar sobre elas, explicando, com base na sua realidade, o que faz e o que não faz sentido e o porquê.
 
2. Ensine a criança a ser um “detetive do pensamento”
É importante também ajudar os pequenos a exercer um certo controle sobre os pensamentos para impedir que aqueles não saudáveis se tornem exagerados ou repetitivos.
 
Para ajudá-los a fazer isso, você pode seguir estes três passos:
  • eleger uma ideia preocupante, como “Ninguém na escola gosta de mim”;
  • recolher evidências que apoiem ou neguem tal pensamento, ensinando a criança a não fazer julgamentos com base apenas em experiências isoladas ou sentimentos;
  • desafiar os pensamentos, estimulando a criança a fazer um debate consigo mesma.
Assim, você estará desenvolvendo a inteligência emocional de seu filho, de forma que futuramente ele possa fazer esse tipo de exercício psíquico sozinho, para gerenciar seus próprios pensamentos e emoções.
 
3. Permita que a criança também se preocupe
Se pudéssemos deixar de se sentir mal só porque queremos, assim o faríamos. E as crianças também! Mas não é assim que nossa mente funciona e, portanto, não adianta dizer à criança para não se preocupar. A dica é fazê-la entender que não há mal nenhum em se preocupar, desde que sem exageros.
 
Além disso, crianças ansiosas já ficam, normalmente, assustadas. Por isso, a última coisa de que elas precisam é que você transmita a sensação de que há algo errado com elas. Mostre à criança que a preocupação é normal e tem o objetivo de protegê-la.
 
4. Saiba a hora de procurar ajuda especializada
Quando a ansiedade começa a comprometer o desenvolvimento de atividades básicas e o relacionamento da criança com outras pessoas, é preciso procurar um profissional. Ele saberá lidar melhor com a situação e ajudar a criança. O recomendado, nesses casos, é buscar um terapeuta infantil.
 
Além disso, lembre-se de que você não precisa enfrentar essa situação sozinho. Converse com educadores e outros pais que podem estar passando por situações parecidas.
 
Aprender a lidar com a cultura do imediatismo e educar os filhos para que eles não se tornem escravos dela é somente um dos desafios de pais e mães. Mas ter consciência dessa questão já é o primeiro passo para uma vida mais saudável.
 


Postado em 22/05/2018


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