11 maneiras de ajudar na alfabetização do seu filho
Não só a escola, como também tudo o que os pais ensinam aos filhos
são parte importante na alfabetização de uma criança
 
por Carolina Pignatari 
 
O convívio em família, o incentivo à leitura, o bom exemplo feito em casa, tudo faz parte do aprendizado dos pequenos. Pensando nisso, disponibilizamos aqui 11 maneiras de ajudar na alfabetização do seu filho. São práticas simples que vão fazer a diferença para ele.
 
Mas não se trata de ter de ensinar formalmente a criança a ler e a escrever, função esta do professor. Os pais podem tornar o ambiente de convivência da criança repleto de atos de leitura e escrita, de forma a inseri-la desde cedo no mundo das letras.
 
Dicas de especialistas
 
Como fazer isso? A educadora Cida Sarraf, que leciona no curso de pedagogia do Centro Universitário Salesiano e da Faculdade Mozarteum, ambos em São Paulo, dá um exemplo: “Isso acontece quando, por exemplo, a mãe deixa bilhetinhos na porta da geladeira, apontando a finalidade do ato para a criança: vamos deixar esse recadinho para o papai avisando-o que iremos nos atrasar para o jantar. Ou quando, antes de começar um novo jogo (de tabuleiro, por exemplo), ela propõe ao filho que eles leiam as regras juntos”.
 
Maria Claudia Sondahl Rebellato, assessora pedagógica na produção de material didático em Curitiba-PR, acredita que, quando a criança é inserida nessas atividades rotineiras, ela acaba percebendo a função real da escrita e da leitura, e como elas são importantes para a nossa vida. E, dada sua curiosidade nata, ela vai querer participar cada vez mais e buscar o conhecimento dos pais.
 
Veja abaixo maneiras de como os pais podem deixar o ambiente de casa mais atraente para a educação, com atividades para alfabetização, como verdadeiros jogos de alfabetização que vão ajudar seu filho a passar mais facilmente por essa fase, o que é fundamental para ele ter sucesso nas etapas futuras do aprendizado. 
 
Ler histórias
 
Ler para a criança pequena tem muitos benefícios e, num ambiente alfabetizador, é a primeira exigência a ser feita, pois é por meio de pais e professores que a criança passa a ter contato com a língua escrita. Leia com frequência para seu filho: gibis, revistas, contos de fadas… Leia mais de uma vez o mesmo livro, pois isso é importante para a criança começar a recontar aquela história depois, no papel de leitora, inclusive passando as páginas do livro corretamente.
 
O que pouca gente lembra é que o ato de leitura deve começar muito cedo, com crianças que ainda estão longe de serem alfabetizadas. “É assim que os pequenos vão percebendo a relação entre as linguagens oral e falada; vão identificando as várias funções da escrita, para que serve cada gênero textual; e vão se tornando leitores e escritores”, coloca a especialista Maria Cláudia.
 
Ao ouvir histórias, a criança acaba percebendo que a leitura é feita da esquerda para a direita (importante para o momento em que ela vai começar a riscar), consegue diferenciar o que é texto do que é desenho, começa a notar que as palavras são escritas separadamente formando frases que fazem sentido e a adquirir noção de volume de texto.
 
“É comum, por exemplo, a criança perceber quando a mãe está pulando trechos da história (geralmente porque ela já está cansada e quer dar uma resumida na historinha). A criança vira e fala ‘tem mais coisa aí, mamãe’. Isso mostra que ela está já está amadurecendo como leitora e, embora ainda não leia, já faz o que chamamos de pseudoleitura”, observa a Maria Claudia.
 
Ser um modelo de leitor
 
Essa é a premissa mais básica de qualquer ambiente alfabetizador. A criança forma valores a partir de bons modelos e, assim, ter pais leitores é fundamental para ela aderir à leitura. “As crianças têm de observar que os pais estão sempre mexendo na estante, escolhendo um livro, lendo-o e comentando-o com a família”, acredita Cida Sarraf. E não apenas os livros. A leitura de revistas e jornais também tem de ser um hábito dos pais.
 
Os pais também têm de prestar atenção ao ambiente em que fazem sua leitura, passando a impressão de que ler é prazeroso, mas também é coisa séria. O ambiente deve ser tranquilo, sem muitos ruídos, com boa iluminação, e deve-se sentar com a postura corporal correta, para não se cansar rapidamente.
 
Deixar bilhetes ou escrever cartas
 
A criança pode começar a entender a função da escrita na comunicação através de pequenas atitudes dos pais. Deixe recadinhos na porta da geladeira, escreva cartas e estimule-a a fazer o mesmo (mesmo que saiam apenas rabiscos. Lembre-se: nessa fase do desenvolvimento, não se erra, se tenta acertar). ‘Vou escrever uma carta para a vovó contando como estamos. O que você quer que eu conte para ela?’.
 
Recebeu uma carta ou encontrou um recadinho em casa? Leia em voz alta. “Procure incluir a criança sempre que uma situação de comunicação escrita se apresentar na casa”, aconselha a educadora Maria Claudia.
 
Aproveitar as situações da rua
 
Placas de trânsito, destino de ônibus, outdoors, letreiros, panfletos, faixas… onde quer que frequentemos estaremos sempre em contato com o mundo letrado e é ótimo que os diferentes elementos sejam aproveitados com a criança.
 
“Dá para levar em forma de brincadeira. ‘Olha filho, tem uma placa igual a essa em frente à nossa casa. Sabe o que está escrito nela?’’ ou ainda ‘Olha, filho, esse ônibus vai para Cajuru. Cajuru também começa com Ca, igual o nome da mamãe, Carolina’. É por meio dessas situações que a criança vai percebendo as diferentes funções da escrita e fazendo associações”, acredita Maria Claudia. Segundo ela, é uma forma não de ensinar/aprender, mas de brincar com as letras, com as palavras, com a escrita e a leitura.
 
Preparar receitas culinárias na presença da criança
 
Num ambiente alfabetizador, é importante que a família chame a criança, desde muito cedo, para participar de algumas ações, de forma que ela presencie o contato com a língua escrita, percebendo suas várias funções. Na culinária isso pode acontecer de maneira descontraída e divertida. Durante a receita de um bolo, por exemplo, vá perguntando para a criança: “Vamos ver o que falta colocar? Ah, ainda preciso colocar 3 ovos, está escrito aqui”.
 
Rótulos de embalagem
 
Alguns produtos são recorrentes na dispensa de nossas casas e as crianças acabam se acostumando com a presença deles. Aproveite momentos de descontração, como durante as refeições, para ler os rótulos junto com seu filho. Segundo Maria Cláudia, os rótulos são interessantes de serem lidos porque, na maioria dos casos, são escritos em letra CAIXA ALTA, que é a qual a criança assimila antes da letra cursiva.
 
Fazer os convites de aniversário com a criança
 
Escrever nos convitinhos de aniversário é uma etapa da festa da qual a criança precisa participar. Pergunte a ela: “o que teremos de escrever nos convites? Precisamos dizer onde vai ser e a que horas”. Isso pode ser feito desde o primeiro aniversário da criança, repetindo nos anos seguintes, até chegar a vez em que ela própria irá querer escrever sozinha.
 
Outra atitude interessante é escrever cartões de aniversário ou de casamento na frente da criança. “Esses nossos amigos irão se casar. Vamos escrever uma mensagem a eles para enviar junto com o presente?”. A situação pode ser corriqueira para você, mas para a criança tudo é novidade. Pergunte que mensagem ela quis passar e em seguida faça um elogio ao seu trabalho.
 
Fazer listas de compras com seu filho
 
Num ambiente alfabetizador, o momento pode ser aproveitado: chame a criança para preencher a lista com você e faça com que ela perceba que você anota no papel as coisas que irá comprar, para consultar lá no mercado (uma forma de ela relacionar a linguagem oral com a escrita).
 
Vá conversando com ela: “Vamos anotar para não esquecer. O que mais vamos ter de comprar? Então, vamos escrever aqui”. Deixe que ela acompanhe com os olhos o que você está escrevendo e vá falando em voz alta.
 
Agenda telefônica
 
A agenda telefônica é um bom objeto a ser explorado com as crianças. Ela mostra, claramente, o que é texto e o que é número, com a função de cada um deles. Mas aqui o que vale são as agendas no papel mesmo, nada de agenda no celular.
 
O texto é usado para escrever o nome das pessoas ou dos lugares, enquanto o número é utilizado para informar o telefone. No dia a dia, chame a criança para observar essa diferença. “Olha filho, deste lado ficam os nomes das pessoas e deste o número do telefone delas. Vamos ver qual o número da casa da titia?”.
 
Outros materiais escritos
 
Brinquedinhos com palavras e números, calendários, jogos de computador, álbum de fotografia com legendas, scrapbook, tudo isso pode estar no ambiente de convivência da criança, mas desde que realmente sejam usados por ela, e não funcionem como meros enfeites do seu quarto.
 
Houve um tempo em que pais e professores acreditavam que bastava etiquetar os objetos (etiqueta com a palavra cama na cama, por exemplo) para as crianças se familiarizarem com a língua. Mas as pesquisas mais atuais mostraram que os diversos gêneros textuais precisam estar presentes e serem usados dentro de uma função comunicativa.
 
Portanto, quando for montar um álbum com fotos de uma viagem, chame a criança para legendar cada foto com você. “Você lembra como se chamava este lugar? Vamos escrever aqui para sabermos daqui a um tempo”.
 
Respeitar o ritmo da criança
 
Compreender o ritmo da criança é um dos pontos principais nesse processo. Investir no ambiente alfabetizador é importante para que as crianças ganhem mais intimidade com a língua escrita (e dessa forma encontrem menos dificuldade quando estiverem aprendendo a ler a escrever), mas isso não quer dizer que o processo será, necessariamente, rápido, e é importante que os pais tenham isso em mente.
 
Lembre-se: começar a ler e a escrever mais tardiamente não representa problema de aprendizagem ou falta de inteligência. Na maioria dos casos, significa apenas que a criança ainda não atingiu um nível necessário de maturidade.
 
Segundo Maria Claudia, a criança fica um tempo absorvendo muita informação e de repente dá uma decolada, mostrando que conseguiu entender o processo. “É literalmente um ‘click’, mas que acontece em momentos diferentes para cada criança”, ela sintetiza.
 
O que é um ambiente alfabetizador
 
A partir das investigações das educadoras Emília Ferreiro e Ana Teberosky, apresentadas no livro Psicogênese da Língua Escrita, vários pesquisadores da área começaram a construir uma nova didática da alfabetização, chegando ao conceito de ambiente alfabetizador.
 
No começo, houve interpretações errôneas, e professores começaram a colocar nomes nas coisas, como as etiquetas nos objetos, supondo ser assim um ambiente alfabetizador. Com as pesquisas que se seguiram, concluiu-se que um ambiente alfabetizador não somente é aquele que contem material escrito, mas aquele em que diversos gêneros textuais estão presentes e sendo usados, dentro de uma função comunicativa. Ou seja, o uso tem de ser efetivo.
 
Viu como atitudes simples do dia a dia mesmo, podem ajudar bastante no processo de alfabetização do seu filho? Pais: pratiquem esse aprendizado com ele e divirta-se!
 
Fonte: Canal do Ensino 


Postado em 29/06/2018


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