"Acreditem no poder da sua voz", diz Malala Yousafzai à plateia de jovens brasileiros
Em evento que reuniu ativistas de todo o Brasil nesta segunda-feira (9) em São Paulo para discutir educação, a paquistanesa anunciou que a Fundação Malala irá desenvolver projetos sociais no país
 
Por Crescer online 
 
A paquistanesa Malala Yousafazai, 20, se reuniu com jovens de todo o país na tarde desta segunda-feira (9) em São Paulo. Promovido pelo Itaú Unibanco, o evento aconteceu no Auditório Ibirapuera e também contou com a presença de Ana Lucia Villela, presidente do Instituto Alana, de Tabata Amaral, cientista política e cofundadora do "Movimento Mapa Educação", da escritora mineira Conceição Evaristo e de Dagmar Rivieri, fundadora e presidente da ONG Casa de Zezinho. A conversa foi mediada pela jornalista Adriana Carranca, autora do livro Malala, A menina que Queria ir para a Escola, e girou em torno de temas que a ativista está habituada a debater com líderes do mundo inteiro: educação, ativismo e empoderamento feminino.
 
Malala ficou famosa internacionalmente quando, em 9 de outubro de 2012, aos 15 anos, foi baleada pelo Talibã por se manifestar contra a proibição da educação para mulheres no Vale do Swat (Paquistão). Após o atentado, foi levada às pressas para Londres (Inglaterra), onde vive exilada até hoje com os pais e os irmãos. Em 2014, tornou-se a pessoa mais jovem da história a receber o prêmio Nobel da Paz. Sua luta deu origem à Fundação Malala e foi contada no best-seller Eu sou Malala, que também se transformou em documentário.
 
Irmãos e irmãs
Em sua primeira vez no Brasil, Malala contou que a visita era um sonho antigo. "Recebi muitas mensagens e cartas de jovens ativistas brasileiros, mas também estou aqui na esperança de encontrar meios para que as 1,5 milhão de meninas [fora da escola] tenham acesso à educação", disse. Para tanto, garantiu que vai anunciar, ainda esta semana, um projeto para promover a educação entre comunidades carentes do Brasil. A menina completou dizendo também que, embora tenha vindo do outro lado do planeta, sente-se em casa por aqui - até mesmo elogiou o frescor da água brasileira, que a faz lembrar da de sua terra natal. "Somos irmãos e irmãs", concluiu. 
 
O encontro foi marcado pela emoção, tanto da plateia (cerca de 800 pessoas, a maior parte de jovens integrantes de ONGS ligadas ao patrocinador do evento) quanto das debatedoras. Todas se referiam à história de Malala com a mesma palavra: inspiração. Um dos destaques da conversa foi quando a jovem, ao debater a importância da leitura para as crianças, confessou que sua própria mãe era analfabeta até pouco tempo. "Na infância, ela teve de vender seus livros e não pode ir à escola. Era eu quem lia para ela então", disse. 
 
Educar para o mundo
Malala também fez questão, como sempre, de enfatizar como a educação das mulheres pode transformar a sociedade. "Isso favorece também aos homens", disse, ressaltando que mães que têm acesso ao conhecimento, por consequência, terão melhores chances de educar seus filhos. E concluiu deixando uma mensagem de paz e esperança: "A melhor maneira de me 'vingar' é por meio da educação, ou seja, levando a educação a todas as crianças do mundo, incluindo os filhos dos que tentaram me matar". Diante dos desafios, ela pede aos jovens que sejam pacientes e não desistam de lutar. "Os resultados não vão surgir de imediato. (...) O seu ativismo pode trazer a mudança. Acreditem no poder da sua voz", completou. 
 
Fonte: Revista Crescer - atualizada em 09/07/2018 


Postado em 10/07/2018


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