Ninguém comenta a gravidez na adolescência

 

De modo geral, não temos nos preocupado muito com a gravidez indesejada entre adolescentes.

De quando em quando, vemos campanhas que alertam sobre a necessidade dos cuidados para evitar a gestação nessa etapa da vida, mas nada realmente consistente ocorre a esse respeito.

As famílias e as escolas, as maiores implicadas com a formação dos jovens, costumam ignorar o tema. É que é mesmo difícil trabalhar com essa questão. Para os pais, porque a conversa com os filhos a respeito da sexualidade e de suas consequências costuma ser ora constrangedora, ora camarada em demasia. Para as escolas, porque a educação sexual no espaço público exige preparo para ser praticada.

Temos muitos motivos para colocar o assunto em pauta. Desses, cito apenas dois: o início da vida sexual tem sido cada vez mais precoce e a ocorrência da gravidez entre garotas é uma causa importante de tentativa de suicídio. Para falar bem a verdade, com essas duas razões nem precisaríamos de outras, não é verdade? Vamos pensar a respeito delas.

Por que os jovens têm iniciado a vida sexual cada vez mais cedo? Podemos levantar algumas hipóteses.

Primeiramente, porque vivemos em uma sociedade hipersexualizada. O erotismo, inclusive, perdeu lugar porque agora o que vale é o sexo. Músicas, imagens, publicações: tudo transpira sexo.

Junto a essa estimulação exagerada, precisamos lembrar que a infância tem sido cada vez mais curta. Meninas com idade próxima dos 10 anos já têm vidas dignas de mulheres: frequentam festas sem adultos, usam vestimentas provocantes, pensam em namorar. Muitas não pensam, apenas: já aprenderam, pela experiência, a conjugar o verbo namorar.

Nós estamos diante de um fato bem recente: a adolescência antecede a puberdade. Dessa forma, quando o corpo faz a passagem do infantil para o adulto, as experiências de uma vida adulta já são diversas.

Entretanto, essas experiências não são suficientes para precipitar a maturidade.

Por isso, os jovens praticam o sexo adulto de forma infantil: sem compromisso com os resultados que podem advir de seus atos. Não se previnem da gravidez, tampouco das doenças sexualmente transmissíveis. E fica bem claro o motivo: porque eles ainda não desenvolveram o que chamamos de autocuidado. Esse conceito significa a atenção que se exerce sobre si mesmo e que, para ser praticado, exige maturidade.

Pois bem: quando a gravidez acontece, a jovem, em especial, se sente perdida. O que acontecerá com a vida dela estando grávida? Já que são imaturas, a maior preocupação das garotas costuma ser a reação dos pais. E, sem saber como resolver a questão, a ideia suicida surge como a melhor solução, mesmo que a jovem não consiga ter o exato alcance desse ato.

As famílias podem ajudar a evitar que a situação com os filhos atinja esse ponto. Proteger a infância dos filhos é uma medida que costuma ser benéfica, já que a prática sexual adulta não costuma ser atraente para crianças. Além disso, manter o interesse verdadeiro pela vida do filho e manter com ele conversas significativas --conversas, e não sermões-- são atitudes que podem ajudar muito.

Por sua vez, as escolas bem que poderiam elaborar projetos de educação sexual para seus alunos. Projeto significa planejamento, preparo, pesquisa de estratégias, metodologia, formação dos docentes, conhecimento dos alunos etc. Nesse assunto, trabalhos espontaneístas não produzem bons efeitos.

Por incrível que pareça, algumas escolas tentam, mas adivinhe, caro leitor: muitos pais se opõem a essa medida. Por que será?

Uma coisa é certa: não é silenciando a respeito da gravidez na adolescência que resolveremos a questão.

Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. É autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha), entre outros. Escreve às terças na versão impressa de "Equilíbrio".

Fonte: Folha Equilíbrio


Postado em 10/07/2012


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