12 hábitos sustentáveis para ensinar às crianças
Aproveitar sobras de comida, não exagerar nas compras, reciclar o lixo, desplugar os aparelhos eletrônicos que não estão sendo utilizados... Veja como construir um mundo mais próspero para as novas gerações
 
Por Naíma Saleh 
 
Sustentabilidade não é uma palavra nova. Faz parte do currículo escolar há algum tempo, das rodas de conversa das famílias... Ainda assim, nem todo mundo sabe exatamente o que ela significa. Ser sustentável é separar o lixo? Claro. Não desperdiçar água nem energia? Também. Consumir menos? Com certeza! Mas o conceito é mais amplo: satisfazer as necessidades humanas, aquelas indispensáveis à nossa sobrevivência, sem comprometer o futuro do planeta. “A sustentabilidade é um conceito complexo, mas, ao mesmo tempo, simples, porque estamos falando de preservação e cuidado, para que outras gerações tenham acesso ao que a gente tem. Isso é generosidade”, explica a educadora ambiental Christiane Assis, fundadora do projeto Ecologia Viva (RJ).
 
O urso Baloo, do filme Mogli, sem querer resumiu bem o conceito, cantando: “Eu uso o necessário/Somente o necessário/O extraordinário é demais”. E você pode adotar esse lema com as crianças no dia a dia, para que a família toda faça escolhas mais conscientes. Pense bem: é necessário preparar tanta comida no jantar? Ou comprar outro tênis? Que tal fazer uma limpeza no armário e doar o que não está sendo usado antes de adquirir peças novas? “Se cada um de nós, como pessoa e como grupo, adotar um modo de vida que priorize o que é realmente indispensável, é possível alcançar a felicidade”, diz a professora Hedy Vasconcelos, especialista em Educação Ambiental, da PUC (RJ). Veja a seguir como incorporar tudo isso à rotina da sua casa.
 
1. CONSCIÊNCIA À MESA
Você sabia que, por dia, cada brasileiro desperdiça, em média, 205 gramas de comida? São mais de 40 mil toneladas que vão para o lixo diariamente, o suficiente para alimentar 25 milhões de pessoas todos os dias, de acordo com a ONG Akatu, que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo inteligente. “O desperdício de alimentos faz parte de uma cultura de abundância, que valoriza a fartura e que transforma a comida em sinônimo de acolhimento, de carinho”, afirma Denise Conselheiro, coordenadora do projeto educacional Edukat, da mesma organização. O primeiro passo para evitar o desperdício é não exagerar nas compras. É fácil cair na onda das promoções, do “pague um, leve dois”, e acabar enchendo o carrinho por impulso. Ao comprar mais do que se consome, muitos alimentos estragam ou perdem a validade e são descartadas. Para evitar que isso aconteça, vá ao mercado com uma lista em mãos, para saber exatamente do que sua casa precisa. Se o seu filho está sendo alfabetizado, aproveite para praticar a escrita, soletrando para ele os itens a serem adquiridos. Os maiores, que já sabem ler bem, podem ser os copilotos do carrinho, riscando da lista os itens encontrados. Eles também conseguem ajudar a verificar a data de validade dos alimentos que estão na despensa, antes de ir às compras. 
 
2. MENOS É MAIS
Uma das primeiras iniciativas que passa pela cabeça quando se fala em sustentabilidade é a reciclagem – e se você ainda não separa os materiais aí na sua casa, já passou da hora de fazê-lo! Mas, antes de selecionar o que pode ser reciclado ou não, é importante reduzir o consumo de embalagens. Além de optar pela compra de grãos à granel, em vez de levar para casa biscoitos embalados (integral e sem recheio, claro!) em saquinhos de três unidades cada um, compre um pacote grande e armazene em potes com quantidades menores. Assim, as crianças podem ajudar a preparar o lanche da escola, por exemplo, adquirindo mais consciência sobre o quanto deve ser consumido.
 
3. SOBROU. E AGORA?
Às vezes, mesmo sem exagero, cozinhamos mais do que comemos. Sobra um potinho de carne moída aqui, um ovo cozido ali, três rodelas de tomate, uma concha de feijão. Em vez de jogar, armazene as sobras na geladeira e aproveite-as em novos pratos. Aquele frango que ficou pode incrementar o recheio de tortas; o arroz pode virar bolinho; e verduras e legumes podem ser cozidos com carnes e molhos para dar mais sabor. Mas é possível ir além. “Ainda não há no Brasil a cultura de aproveitar ramas de tubérculos e raízes. Não temos o hábito de usar as folhas da cenoura, por exemplo”, diz Murillo Freire Junior, da Rede Save Food Brasil. Peça ajuda ao seu filho para testar novas receitas com talos e folhas, que são normalmente desprezados. Que tal começar com cascas de frutas, como maçã e abacaxi, que podem ser usadas em chás?
 
4. VEGETARIANO POR UM DIA
“A carne produz uma emissão de gás elevadíssima e consome muitos insumos”, conta Freire. Por isso, para ele, é tendência que as pessoas diminuam a ingestão, principalmente das vermelhas. Um primeiro passo pode ser aderir à campanha Segunda Sem Carne, que está presente em 35 países e propõe um dia na semana apenas sem consumir essa categoria de alimentos. Boa chance de investir em outras fontes de proteína, como ovos, feijão e lentilha e de diversificar o cardápio da família.  
 
5. COMPRE DO PEQUENO
Além de reduzir o consumo, ser sustentável é também privilegiar pequenos produtores, que fazem uma distribuição mais igualitária da renda e incentivam a produção local. Como fazer isso na prática? Em vez de ir ao supermercado, vá à feira. Em vez de passar o fim de semana no shopping, aposte em galerias e lojas do centro e do seu próprio bairro – que, de quebra, oferecem preços mais atraentes e artigos únicos. Uma bolsa feita por um artesão é singular. Uma bolsa fabricada por grandes marcas é uma peça igual a tantas outras, produzidas exatamente da mesma forma  – eis uma boa oportunidade de ensinar o seu filho a apreciar o artesanato! Se não tiver jeito e for preciso comprar de grandes redes, verifique quais marcas se comprometem a trabalhar pelo combate do trabalho escravo. Você pode usar o aplicativo Moda Livre (disponível para Android e iOS).
 
6. TROPA DE INSPEÇÃO
Crie o hábito de pedir a ajuda das crianças para verificar as tomadas antes de sair de casa. A missão é desplugar todos os aparelhos eletrônicos que não estão sendo utilizados e continuam puxando energia (tarefa que fica com os adultos, claro!). Divida os cômodos, deixando cada um sob a responsabilidade de um membro da família. Vale até estabelecer um tempo para a checagem, como gincana. O mesmo vale para que todos se comprometam em apagar diariamente as luzes dos locais que não estão em uso.
 
7. CARINHO IMATERIAL
Páscoa, Dia das Crianças, aniversário... São muitas as datas comemorativas ao longo do ano em que as crianças esperam por presentes. Se é difícil fugir do apelo comercial, pior ainda é explicar ao seu filho por que o coelho da Páscoa presenteou o amigo e ele, não... Impossível. Então, já que seu filho espera ganhar alguma coisa, que tal substituir presentes concretos por experiências? Em vez de dar uma camiseta de time ou uma bola, leve seu filho ao estádio. No lugar de adquirir uma boneca nova, que tal organizar um chá com os brinquedos que sua filha já tem e chamar os amigos? E por que não substituir a troca de presentes que acontece em diversas datas por uma viagem para toda a família? Lembre-se de que felicidade não se compra, nem cabe dentro de uma caixa.
 
INICIATIVAS QUE VOCÊ PRECISA CONHECER
1. Mimos cheirosos: Sabe aqueles xampus e condicionadores em miniatura que são dados como brindes em hotéis e aviões? Eles acabavam esquecidos nas prateleiras do banheiro até que surgiu o projeto Minigentilezas (facebook.com/minigentilezas), que recolhe esses itens em casa e os distribui a pessoas desabrigadas. Há pontos de arrecadação em: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Ceará e Distrito Federal.
 
2. Além das aparências: Muitos legumes e frutas são excluídos dos mercados por serem... feios. Apesar de terem o mesmo teor de vitaminas e minerais, as imperfeições e deformações os excluem do padrão comercial — e eles vão parar no lixo. Pensando nisso nasceu o projeto Fruta Imperfeita (frutaimperfeita.com.br), que entrega em casa cestas de frutas e legumes que seriam descartados pelos produtores simplesmente por não se encaixarem na estética exigida pelo varejo. E por um custo muito mais baixo. Por enquanto, a área de entrega se limita a São Paulo.
 
3. Festa reaproveitável: O que você fez com os itens de decoração da última festa do seu filho? As amigas fundadoras do projeto Amor em Chá, por exemplo, recolhem os enfeites, fitas e forminhas que seriam descartados e organizam a cada dois meses chás de bebê para mães que não teriam condições de bancar uma comemoração. Funciona apenas no Rio de Janeiro.
 
8. UM PARA TODOS
Em vez de deixar cada criança com o seu próprio tablet ou computador, que tal testar manter apenas um aparelho para toda a família? Estimular o uso compartilhado ensina seu filho, desde cedo, a distinguir entre a necessidade de um produto e de um serviço. “Quando crescer, essa criança se tornará um adulto que não se importa em usar uma lavanderia coletiva, por exemplo, que entende que precisa da roupa limpa e seca, não das máquinas em si. Há uma desmaterialização dos bens”, explica Denise. E mais, seu filho ainda aprende outra lição importante: dividir e respeitar a vez do outro.
 
9. DE GOTA EM GOTA
Crianças são curiosas e observadoras. Aproveite essa habilidade e peça para ficarem ligadas em possíveis vazamentos, além de acostumá-las a reparar se há torneiras pingando. Outro hábito eficaz na economia de água é instituir o copo de escovar os dentes. Para evitar que a torneira fique aberta, escolha um recipiente divertido (de preferência que não quebre) e acostume a criança a enchê-lo pela metade – é o suficiente para enxaguar a pasta.
 
10. PASSE ADIANTE
Crianças crescem muito rápido e, consequentemente, perdem as roupas na mesma velocidade – parece que as calças e as camisetas encolhem do dia para a noite! Esse é um bom motivo para: 1) não comprar quantidades exageradas; 2) passar a roupa para frente quando ela não couber mais, especialmente porque a maioria das peças ainda está em bom estado graças ao curto período de uso. Como fazer isso? Organize bazares de trocas entre as famílias dos colegas do seu filho. É uma boa oportunidade também para mandar embora aqueles brinquedos que as crianças já não brincam mais — e claro, aproveitar para socializar com todos, algo raro com a correria.
 
11. COM AS PRÓPRIAS PERNAS
Principalmente nas grandes cidades, estamos tão acostumados a usar o carro que vamos motorizados à padaria, à farmácia, ao supermercado — mesmo que esses lugares fiquem perto de casa. Antes de dar a partida no motor, lembre-se de que todos dispomos do meio de locomoção mais básico e eficiente do mundo: as pernas! “O transporte a pé é mais saudável, sustentável, econômico e oferece mais qualidade de vida. Além disso, possibilita uma interação única com as pessoas ao nosso redor”, diz Silvia Stuchi, idealizadora da ONG Corrida Amiga. Separe sapatos confortáveis, sem salto, e prepare-se para explorar a vizinhança com as crianças!
 
12. APAIXONADOS PELO PLANETA
Quem ama, cuida. Partindo desse princípio, o contato com a natureza é imprescindível para a criança aprender a zelar pelo meio ambiente. “O melhor caminho é estimular o afeto pelas áreas verdes – a gente só se apaixona pelo que conhece e só cuida daquilo que gosta”, afirma a educadora ambiental Christiane Assis, fundadora do projeto Ecologia Viva, e que atualmente se dedica ao Viva Picnic (RJ), que organiza oficinas e eventos ao ar livre para crianças. Veja três formas de intensificar o vínculo do seu filho com o verde:
 
- Piqueniques ao ar livre: Já pensou tomar um café da manhã no parque, embaixo das árvores? Arrume tudo em um cesto e lembre-se de levar uma toalha para forrar o chão.
- Acampamentos: Dormir sob as estrelas, nem que seja no jardim de casa, é um bom jeito de alimentar o fascínio pela natureza. Famílias mais aventureiras podem investir em trilhas curtas.
- Hortas caseiras: Traga o verde para dentro de casa, cultivando flores, temperos e árvores de pequeno porte que cabem até em apartamentos. Peça a ajuda do seu filho para regar os vasos e tirar as folhas secas. Assim, ele aprende que a natureza também precisa de carinho e cuidado.
 
Fonte: Crescer


Postado em 02/09/2018


Notre Dame
+ Notícias

atendimento
CENTRAL DE ATENDIMENTO
(13) 3579 1212
Unidade I - Av. Pres. Wilson, 278/288 - Itararé
Unidade II - Rua Pero Corrêa, 526 - Itararé
Unidade III - Cel. Pinto Novaes, 34 - Itararé