Alfabetização: quando meu filho vai aprender a ler e a escrever
É preciso respeitar o tempo da criança. Entenda como funciona esse processo e
saiba o que você pode fazer para estimular o interesse pelo universo das letras
 
Por Fernanda Montano 
 
Cada criança tem o seu tempo. Você já deve ter escutado isso muitas vezes na ansiedade de saber quando o seu filho engatinharia, daria os primeiros passos, começasse a falar... A alfabetização não é diferente, e também é preciso perceber e levar em conta o interesse dela pelo universo das letras -- tanto faz se ele surgir aos 3 ou aos 6 anos. Não há necessidade de comprar um alfabeto de EVA e mostrar todo dia ao seu filho, mas também não precisa fazer cara de paisagem se ele perguntar com que letra começa o seu nome antes mesmo de iniciar a alfabetização. É saudável que essa curiosidade parta da criança e não há motivos para podar, desde que seja realmente um interesse genuíno dela.
 
“Os adultos não devem impor censuras sobre o que a criança pode ou deve ler e escrever, nem sobre a idade certa para esse aprendizado”, defende Maria do Rosário Longo Mortatti, professora da Unesp e presidente da Associação Brasileira de Alfabetização. 
 
COMO DESPERTAR O INTERESSE NA CRIANÇA?
 
Em primeiro lugar, nunca force a barra nem queira fazer o papel da escola. Mas, sim, os pais também têm função importante nesse caminho. É preciso oferecer à criança um ambiente de letramento desde cedo. O que isso quer dizer? Conversar desde a barriga, falar diretamente com o filho quando bebê, ter muitos livros em casa ao alcance dele e contar histórias.
 
“As famílias precisam conversar mais e ficar menos tempo em frente às telas. A oralidade é a primeira fase da escrita. Quando a criança é incentivada a falar e a se expressar, o processo da alfabetização fica mais fácil”, aponta Gisela Wajskop, doutora em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e colunista da CRESCER. Gisela ressalta também o valor da leitura. “Na maioria dos países desenvolvidos e com bons modelos de educação, como Austrália, Nova Zelândia, Finlâdia e Canadá, a expectativa de alfabetização é entre 6 e 7 anos, isso porque há muito incentivo à leitura desde cedo. Na escola, os professores leem muito. Em uma sala de educação infantil, há mais de 100 títulos à disposição dos alunos”, conta.
 
Um estudo do Centro Norueguês de Leitura da Universidade de Stavanger mostrou a importância de ler em casa desde os primeiros anos de vida da criança para a aquisição da leitura e da escrita formais na escola. Os pesquisadores analisaram as habilidades de 1.171 alunos da primeira série (crianças que completam 6 anos) e entrevistaram os pais para saber com que frequência e quanto liam para os filhos, desde quando faziam isso e qual era o número de livros infantis que tinham em casa. Os resultados indicam que, quanto mais significativo é o livro na vida das crianças desde pequenas, mais preparadas elas estarão para aprender a ler e escrever.
 
SEU FILHO ESTÁ PRONTO PARA A ALFABETIZAÇÃO?
 
Estar pronto para a alfabetização depende ainda do desenvolvimento motor e cognitivo. A orientação temporal e espacial, conceitos como grosso e fino, em cima e embaixo, largo e estreito, são adquiridos antes da leitura e da escrita. Esse desenvolvimento não depende apenas da maturidade, mas também de estímulos e da interação com outras pessoas – e aí entram novamente os pais. “A habilidade de segurar um lápis, por exemplo, exige maturação do sistema nervoso central, mas é algo ensinado. Escrever passa por etapas que começam com o desenho, depois com a noção de que existem letras e que elas têm função de escrita, até chegar à compreensão de que a escrita representa os sons da língua.
 
Esse desenvolvimento normalmente ocorre associado à evolução da leitura, que começa com o reconhecimento de imagens”, explica a pediatra Glaura César Pedroso, membro do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria.
 
Já deu para perceber que inúmeros fatores interferem no sucesso da alfabetização. A escola é a principal responsável pelo processo, logo, metodologias diferentes conduzirão a criança por caminhos e tempos distintos. Segundo a professora Maria do Rosário Longo Mortatti, presidente da Associação Brasileira de Alfabetização, existem dois tipos básicos de métodos usados no Brasil e no mundo: o sintético, da parte para o todo, e o analítico, que faz o caminho inverso. 
 
Fonte: Crescer atualizada em 24/02/2016


Postado em 10/09/2018


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