Educação socioemocional: aprender para ensinar
por Gabriel Matos
 
Ao trazer como um de seus princípios a formação integral, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) oferece às instituições de ensino a oportunidade, mas também o desafio, da incorporação da educação socioemocional em seus respectivos currículos. De maneira mais explícita, as competências 8, 9 e 10, trazem em sua essência essa intencionalidade:
 
8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo- se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
Trabalhar com as competências socioemocionais na escola, de forma geral, sempre esteve à margem dos currículos, ainda que na prática professoras e professores já incorporem em suas práticas pedagógicas formas de promover seu desenvolvimento. Porém, especialmente agora, que se fala tanto que o mundo exige do indivíduo não só transformar informação em conhecimento, mas utilizar desse conhecimento com responsabilidade emocional, respeitando os outros e a si mesmo, o debate sobre o tema se torna essencial.
 
Curioso é pensar que, na verdade, o mundo sempre deu sinais de que essas competências são importantes. Por exemplo: pense em um professor ou professora que marcou a sua trajetória escolar. Agora tente buscar uma palavra que resumiria a experiência de ter tido aulas com esta pessoa. Voilá, provavelmente você recuperou alguma emoção bastante particular que esse profissional despertava em você, para além da aprendizagem do componente curricular especificamente. Esse é o desafio dos docentes: planejar aulas e atividades considerando não apenas o ensino do conteúdo, mas também o desenvolvimento de competências cognitivas e as socioemocionais — que trabalhem a relação dos estudantes com eles mesmos, com as outras pessoas e com o mundo. Isso nem de longe é trivial, mas, como vimos acima com o seu próprio exemplo, tem o potencial de marcar a vida dos estudantes para sempre.
 
Então, como trazer o educador para esse viés do desenvolvimento humano? Em um primeiro olhar, o reflexo é responder que os educadores precisam passar por formações sobre competências como colaboração, empatia, cultura digital ou autoconhecimento para, posteriormente, ensiná-las aos alunos. Entretanto, esse raciocínio enfrenta alguns questionamentos. Como o educador irá promover o desenvolvimento de competências socioemocionais se ele próprio as experimentou em uma esfera cognitiva do pensamento? Como conseguirá transmitir a educação socioemocional ao longo dos ciclos da educação se ele próprio ainda não se conhece emocionalmente?
 
Por isso, um dos objetivos da educação para o século XXI deve ser a sensibilização e formação dos educadores do ponto de vista socioemocional. Para provocar o autoconhecimento nos alunos, por exemplo, professores e professoras precisam se conhecer. A fim de estimular a competência de relacionamento, educadores precisam desenvolver habilidades como escuta, empatia e colaboração. E esse processo de sensibilização é maravilhosamente único: cada pessoa conduzirá internamente à sua forma, recuperando todas as suas experiências de vida e como elas reverberam no seu comportamento hoje para lidar com os estímulos do mundo externo. Esse é um caminho importante para que educadores possam garantir os direitos de aprendizagem que estão especificados no documento da BNCC.
 
* Gabriel Matos é Formador de Professores no PROFs e Engenheiro de Produção.
 
Fonte: SOMOS PROFs 


Postado em 24/09/2018


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