Eu conheço você?

 

O seu filho prefere o colo da mãe? Para de chorar ao ouvir sua voz? Adora suas massagens? A ciência comprova, enfim, o que a gente já desconfiava: o bebê sabe, sim, quem é a mãe dele desde os primeiros dias de vida. E esse vínculo começa a nascer por meio dos cinco sentidos
 
Angélica Oliveira
 
Quando meu filho nasceu, parou de chorar no instante em que a enfermeira o colocou em meus braços e eu falei com ele”, relembra a revisora de texto Raquel Diniz, 25 anos, mãe de Miguel, 7, e Letícia, 4. “Acho que ele sabia quem eu era.” Anos depois, para confirmar a suspeita de Raquel, o mesmo aconteceu no parto da filha Letícia. Já ouviu ou até viveu algo parecido antes? Cada vez mais estudos científicos mostram que, de fato, o seu filho sabe, ou melhor, sente, quem é você desde cedo. Como? Por meio dos cinco sentidos, pois é assim que o ser humano descobre o mundo e passa a ter a consciência de si mesmo e daqueles que são importantes para a sua sobrevivência (no caso, você, mãe!). 
 
“O bebê não compreende, mas sente prazer ou desprazer”, explica Harumi Kaihami, psicóloga do Ambulatório de Pediatria Social do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. E assim como os filhos de Raquel, uma das primeiras formas que encontram para se conectar com a mãe é por meio da audição. Uma pesquisa, realizada pela Cardiff University’s School of Psychology, em Londres, no início do ano, demonstrou que recém-nascidos são capazes de entender o que as mães dizem apenas pelo tom da voz, independente do idioma utilizado por elas. Para chegar a esse resultado, os cientistas registraram a fala das mães para algumas expressões em inglês, língua materna das crianças, e em grego. Mas, apesar da diferença na pronúncia das palavras, ao ouvir as gravações, os bebês apresentaram as mesmas reações em ambos os idiomas. Ou seja, o tom de voz carrega informações que são decodificadas pelo bebê. Quando você conversa, seu filho processa a informação e ativa áreas específicas do cérebro ligadas à emoção e à memória. 
 
Segundo Kaihami, isso ocorre porque, desde a gestação, seu bebê vem se acostumando com você – e isso começa pela voz. Veja como esse vínculo se fortalece. 
 
Audição 
 
A audição é um dos sentidos que tem recebido bastante atenção dos cientistas. E é claro que a voz da mãe, como mostra outro experimento, é mais do que especial. Após o nascimento dos filhos gêmeos e prematuros, há cinco anos, o neurocientista americano Amir Lahav descobriu um jeito simples de evitar problemas respiratórios nos bebês: gravando a voz da mãe para eles ouvirem. Lahav procurou o chefe da Unidade de Terapia Intensiva do hospital onde os filhos que haviam nascido com apenas 500 gramas estavam internados, em Boston, nos Estados Unidos. Com a intenção de tranquilizar as crianças, conseguiu uma autorização para colocar perto delas uma gravação com a voz de sua esposa. E não é que funcionou? 
 
Como a recuperação surpreendente dos bebês intrigou os enfermeiros, o neurocientista levou a experiência adiante. Construiu um estúdio de gravação no hospital e vem pesquisando, desde então, os benefícios da voz materna nas crianças prematuras. A explicação é que ela reduziria os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, nos bebês. 
 
Mais pesquisas comprovam que o bebê é capaz de captar significados e sentimentos expressos nas palavras que escuta. Um estudo do Instituto de Psiquiatria do King’s College London, na Inglaterra, utilizou a ressonância magnética para registrar a resposta das funções cerebrais das crianças aos sons. A conclusão foi de que a região do cérebro responsável pela emoção fica intensamente ativa quando o bebê é colocado em contato com a voz humana, mesmo durante o sono. 
 
Tato 
 
Massagear o seu bebê faz mais do que protegê-lo contra cólicas, acredite. É por meio do toque que ele toma consciência dos limites do próprio corpo e da presença física da mãe. “Quando você toca seu filho, está transmitindo a mensagem de que ele não está sozinho no mundo”, explica a fisioterapeuta Fátima Aparecida Caromano, professora do Curso de Fisioterapia da Faculdade de Medicina da USP. O contato físico, portanto, é também social. “Ele significa estar com alguém”, completa a fisioterapeuta, que é autora de Como e Por Que Massagear o Bebê (Ed. Manole), baseado em uma série de pesquisas científicas sobre os benefícios e efeitos do contato pele a pele. A cada afago, beijo ou cafuné, o que ela define como "somatória de contatos", você e o seu filho se tornam, sim, mais próximos. "Aos poucos, o bebê passa a reconhecer a mãe pelas sensações de conforto e bem-estar que ela provoca." E é por isso que ele dificilmente “troca” o seu colo pelo de outras pessoas! 
 
A importância do contato pele a pele pode ser dimensionada, ainda, com os resultados positivos do método mãe-canguru (terapia em que os bebês prematuros ficam em contato direto com um dos pais, sem roupa, com o objetivo de fortalecer a imunidade, entre outros benefícios). Um estudo realizado na Colombia, com 777 recém-nascidos que pesavam até dois quilos, demonstrou que as crianças submetidas à técnica apresentam maior ganho de peso, melhor desenvolvimento psicomotor e mais resistência a doenças e infecções do que aquelas que ficam em incubadoras sem ter contato intenso com as mães. 
 
Olfato e Paladar 
 
Olfato e paladar são sentidos que andam juntos e ambos também despertam a sensação de prazer no seu filho. Henry Ugadin Koishi, otorrinolaringologista do Ambulatório do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que o bebê já nasce com o paladar desenvolvido, apresentando uma preferência natural àquilo que é doce (como a lactose presente no leite materno!). 
 
E por falar em amamentação, já percebeu como um recém-nascido procura o peito da mãe quando ela o pega no colo? Em Dijon, na França, especialistas do Centro Nacional para Pesquisa Científica descobriram recentemente que o fluido produzido pelas glândulas mamárias, após a gestação, não só lubrifica os seios, mas também atua como um perfume para conduzir a criança até eles. De acordo com o estudo, o fascínio provocado pelo aroma da mãe interfere até no apetite da criança. Na pesquisa, constatou-se ainda que, quanto maior a quantidade de glândulas mamárias e produção de fluido, maior a vontade de mamar e, por consequência, a facilidade em ganhar peso dos bebês. 
 
Visão 
 
Você não se cansa de olhar para o seu bebê? Pois continue! Esse ato tão simples transmite aconchego e segurança para ele. Em uma pesquisa desenvolvida pelo Laboratório de Investigação Fonoaudiológica em Distúrbios do Espectro Autístico da USP, 17 bebês foram filmados em situações cotidianas com suas mães. Os especialistas analisaram as imagens obtidas e constataram que, em 80% do tempo das gravações, os bebês concentraram a atenção no rosto e olhos da mãe. 
 
Hoje, a ciência sabe que existe uma relação entre as competências sensoriais, cognitivas, sociais e afetivas com os alvos do olhar da criança. “Isso significa que o olhar ajuda o bebê a se organizar no mundo, a identificar pessoas e apreender a realidade a sua volta”, explica a fonoaudióloga Fernanda Dreux Miranda Fernandes, orientadora do estudo. É justamente por isso que a ausência do olhar cara a cara é um sinal do transtorno do espectro autista. 
 
Da mesma forma como o bebê percebe os sentimentos e significados do que ouve, ele também entende, desde cedo, as nuances do olhar. Assim, identifica sentimentos como alegria ou reprovação de acordo com o movimento dos olhos dos que estão a sua frente. “O bebê elege a região dos olhos, nariz e boca como foco principal de atenção porque ele procura identificar aquilo que é humano no ambiente”, diz Fernanda. 
 
A relação mãe e filho é um verdadeiro aprendizado. Mesmo quando o vínculo não é biológico, as experiências físicas são fontes para a formação do laço afetivo, pois as informações captadas pelos sentidos são armazenadas e processadas pela criança. “Os órgãos sensoriais estão ligados às áreas do cérebro relativas à memória”, diz Koishi. Isso quer dizer que, com o tempo, o bebê passa a se lembrar e a reconhecer a mãe pelo gosto, cheiro, toque, voz e olhar, como mostram as pesquisas. “É um processo natural do desenvolvimento humano”, conclui. 
 
Após o parto, à medida que você aprende a conhecer o seu filho (os tipos de choro, a posição que ele mais gosta de mamar, as caretas), ele também está descobrindo quem é a mãe dele. E os sentidos são as ferramentas fundamentais nesse processo de reconhecimento mútuo. 
 
Intensifique o laço entre você e seu filho! 
 
Confira algumas dicas para você e seu bebê se entenderem ainda melhor: 
 
  • Procure ficar de frente à criança e a olhe nos olhos. Assim, seu filho reconhece sua imagem e você demonstra disponibilidade emocional para ele. 
  • Faça caras e bocas quando for conversar com seu filho. Os movimentos do rosto são identificados como alegria por ele. 
  • Capriche na entonação na hora de conversar com seu bebê. Como as pesquisas que citamos comprovaram, ele entende muita coisa por meio do tom da sua fala. 
  • Massageie seu filho. Técnicas como a shantala e outros tipos de massagem fazem bem para você e para ele, pois liberam serotonina e ocitocina, hormônios responsáveis pela sensação de bem-estar no organismos dos dois. 
  • A amamentação estimula o vínculo afetivo. É um momento saboroso para o bebê e existe a proximidade com a pele e o cheiro da mãe. Aproveite a posição favorável para olhá-lo nos olhos e demonstrar seus sentimentos com palavras. 
Fonte: Revista Crescer 


Postado em 16/07/2012


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