Qual o papel dos brinquedos durante a brincadeira?
Brincar tem papel fundamental na vida dos nossos filhos,
pois contribui para o desenvolvimento das crianças
 
por Alessandra Palazzin e Graziela Faelli
 
De modo geral, quando brincamos com nossos filhos, muitas vezes os brinquedos estão inseridos no contexto: como um objetivo em comum (como é o caso dos jogos de tabuleiro, por exemplo), para ajudar a darmos asas à imaginação (como no caso das panelinhas, bonequinhos de heróis, etc), ou, como mais frequentemente acontece quando brincamos com bebês, para serem explorados e, assim, ajudarem no desenvolvimento de diversas habilidades, como, por exemplo, coordenação, preensão e linguagem.
 
De fato os brinquedos podem enriquecer muito uma brincadeira, mas você já se perguntou que lugar eles devem ocupar? O de elementos principais ou coadjuvantes? Ou seja, eles devem “comandar” a brincadeira ou serem explorados e utilizados como ferramentas complementares às brincadeiras durante interação com nossos filhos?
 
Tenho certeza de que lendo esse texto você vai responder a segunda opção. Mas será que isso realmente acontece no dia a dia? E mais: será que o TIPO de brinquedo pode interferir no quanto pais e filhos se comunicam na hora da brincadeira?
 
Esse foi o objetivo de um estudo publicado em uma importante revista de pediatria em 2015  (JAMA Pediatrics). Foi realizado um experimento envolvendo 26 pares de pais e bebês com crianças de 10 a 16 meses de idade. Os participantes receberam três conjuntos de brinquedos: brinquedos eletrônicos (um laptop para bebê, uma fazenda com sons de animais e um telefone celular para bebês); brinquedos tradicionais (quebra-cabeça de madeira, jogo de formas e blocos de borracha com imagens); e cinco livros com temas sobre animais de fazenda, formas ou cores. Como os participantes encontravam-se em suas casas, foi utilizado equipamento de gravação de áudio para captar o som da brincadeira.
 
Ao brincar com brinquedos eletrônicos, os pesquisadores constataram que os adultos pronunciavam menos palavras de modo geral. Havia menos conversas, menos respostas dos pais e menor produção de palavras específicas sobre o conteúdo do que quando brincavam com brinquedos ou livros tradicionais. Além disso, as crianças também vocalizaram menos enquanto brincam com brinquedos eletrônicos do que com livros. Os resultados também indicaram que a utilização de livros foi o que permitiu a maior interação entre pais e filhos. Maior inclusive do que com a utilização de brinquedos tradicionais. Inclusive em relação ao conteúdo específico dos temas, reforçando a importância e os benefícios da leitura para crianças muito novas.
 
Nossa intenção ao trazer esse estudo não é dizer qual tipo de brinquedo é melhor do que outro. Mas alertar para a FORMA com a qual os utilizamos. Pois, para determinados brinquedos (especialmente os eletrônicos), por mais que sejam considerados “educativos”, podem favorecem com que fiquemos (tanto nós quanto as crianças) mais passivos na presença deles. 
 
Não existe melhor maneira de estimular o desenvolvimento de qualquer criança (emocional, motor, cognitivo e de linguagem), ou mesmo de fazê-la se sentir “suprida” no momento que estamos brincando JUNTO com elas, do que através da NOSSA INTERAÇÃO, PRESENÇA e AFETO naquele momento.
 
Nenhum brinquedo “educativo” que seja mais potente do que isso… :-)
 


Postado em 11/10/2018


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