Limites na Infância: um posicionamento necessário
A criança sem limites tem dificuldades em compreender os outros, em controlar os próprios sentimentos
e em aguardar os momentos certos para dar vazão aos seus anseios
 
por Juliana Baía do Vale Santiago
 
A frase de Hannah Arendt “As crianças deixadas à sua própria sorte, ficarão sujeitas à tirania do próprio grupo” diz respeito à temática da socialização, mais especificamente sobre limites. O desenvolvimento infantil saudável depende fundamentalmente de: 
1) cuidados básicos de higiene, alimentação e proteção e;
2) ensino de comportamentos sociais adequados à vida em sociedade. No que se circunscreve ao ensino de comportamentos sociais, é mister ratificar que os limites são necessários ao processo de “humanização” da criança, facilitando a sua inserção nos mais variados ambientes sociais.
 
Sendo assim, a família é o primeiro círculo de coexistência grupal. É na relação com os pais e outros cuidadores significativos que a criança aprende as regras sociais, por meio de instruções diretas, vivências de tentativa e erro e observação de modelos. A criança começa a identificar as formas de ser no mundo, como se comportar, o que fazer para experienciar trocas afetivas e outras maneiras de reforço social. Contudo, a criança ainda não sabe até onde deve ir, qual o máximo de coisas que pode fazer, qual a intensidade de seu agir. Daí a importância da imposição de limites pelos cuidadores, sobretudo os pais.
 
Assim sendo, a criança ainda não tem maturidade e prática suficientes para discriminar como portar-se diante do mundo. São os pais que facilitarão esse aprendizado, como mediadores entre a criança e o mundo. A necessidade de limites inicia-se fisicamente, com a aprendizagem da noção de consciência corporal pelo bebê. Á medida que a simbiose mãe-filho vai sendo quebrada o neném passa a perceber onde termina o seu corpo e onde principia o corpo do outro, acomodando então o embrião de conceitos muito mais refinados, como empatia e autoconhecimento.
 
Logo, conforma o bebê vai crescendo, os pais passam a fornecer limites de comportamento, orientando a criança no que ela pode e o que ela não pode fazer. Nesse processo há a necessidade de cercear as ações com muita frequência, todavia esse é um movimento educativo fundamental, caso contrário, corre-se o risco de transferir aos filhos as responsabilidades que são dos cuidadores. Em uma família em que as crianças mandam, há claramente uma desorganização psicológica por partes dos adultos, os quais podem estar tendo dificuldades em internalizar o papel de responsáveis por outra vida, além das suas próprias.
 
Portanto, uma criança que não tem limites está à mercê do mundo. Diferentemente do que muitos pais pensam, os limites servem para proteger a criança de si mesma, de sua falta de habilidades para lidar com situações que só a experiência fornecida pelo tempo pode proporcionar. Constantemente a conduta dos pais de não fixar limites aos filhos deriva de um sentimento de culpa por não poder estar mais perto da criança, ou também pelo cansaço e esgotamentos físicos e emocionais que as mães precisam lidar com as exigências e pressões do cotidiano.
 
Portanto, a criança que cresce sem limites, quando passa a conviver em outros ambientes, tais como a escola, manifesta dificuldades em compreender os direitos dos outros, em controlar seus próprios sentimentos e em aguardar os momentos adequados para dar vazão aos seus anseios. A criança sem limites não é livre, muito pelo contrário: ela é controlada pelos seus desejos. Ela passa a agir de modo que suas vontades sejam atendidas por todos, o que pode provocar repulsa em outras pessoas, inclusive de outras crianças.
 
Assim, a criança sem limites perde muitas trocas significativas, passando frequentemente a lidar com a exclusão social. O filho educado dessa forma vive sem referências de certo e errado. Ele precisa do contato com o outro, mas exige essa aproximação de maneira inadequada, deturpando as relações e gerando muito sofrimento para si e para a sociedade. A criança desenvolve-se com valores questionáveis que podem gerar atitudes violentas e disruptivas. Por isso, estabelecer limites é um posicionamento responsável, digno do amor que toda criança necessita e merece.
 
Fonte: Blog do CAPE - Texto elaborado pela psicóloga Juliana Baía do Vale Santiago, de Belém – PA.


Postado em 22/10/2018


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