O que se passa na cabeça do seu filho?
A psicoterapeuta Tina Bryson é coautora do livro 'O Cérebro da Criança', 
que explica o complexo mundo da neurociência com dicas para um bom desenvolvimento mental
 
Por Maria Clara Vieira 
 
Repleta de figuras ilustrativas, quadrinhos, tabelas e linguagem acessível, o livro traz conselhos de especialistas para que os pais consigam lidar com os episódios mais desafiadores enfrentados com as crianças, como os ataques de raiva, medo e descontrole emocional. Escrito pela psicoterapeuta Tina Bryson e pelo psiquiatra e professor universitário Daniel Siegel, o livro ensina que os momentos mais conturbados são, na verdade, valiosas oportunidades para ensinar os filhos sobre a importância da inteligência emocional. A seguir, confira a entrevista que Tina (mãe de três filhos) concedeu à CRESCER.
 
Você afirma que, muitas vezes, os episódios de birra acontecem simplesmente porque a criança está com fome ou sono – e não consegue se expressar. Como os pais podem identificar isso?
Cada vez que o filho tiver uma explosão emocional, os pais devem perguntar a si mesmos: “O que ele precisa nesse momento?”. Quando observamos com curiosidade o que a criança está tentando nos comunicar e tentamos descobrir a melhor maneira de ajudá-la, é possível determinar o que fará com que ela se acalme.
 
Por que os pais devem permitir que a criança fale e se expresse a respeito de algum evento traumático pelo qual passou? Como identificar se isso é suficiente ou se ela precisa de mais apoio, como um psicólogo, por exemplo?
As crianças costumam nos dar sinais de que ainda precisam trabalhar determinada situação. Quando o assunto ou o sentimento envolvido no episódio marcante continuam vindo à tona com frequência durante as brincadeiras e conversas, então isso indica que há necessidade de discutir os acontecimentos. Podemos ajudá-las, por exemplo, incentivando que criem um livrinho narrando o que se passou e permitindo que contem a história quantas vezes for necessário. No entanto, se o seu filho vivenciou uma situação que deixou um trauma profundo, capaz de atrapalhar o bom funcionamento da vida diária ou ainda se foi um fato assustador também para os pais, a ajuda profissional é muito bem-vinda.
 
Com que idade a criança começa a demonstrar raiva e medo?
Esses sentimentos podem surgir logo no início da vida. É possível notá-los já nas primeiras semanas após o nascimento. A entonação e o volume do choro do seu bebê, assim como as pistas não verbais – narinas abertas, olhos arregalados, lábios cerrados, respiração ofegante e perda de ar – são algumas características que podem ser observadas e que indicam as emoções da criança.
 
Em sua opinião, se os pais pudessem passar uma única lição ou habilidade aos filhos, qual deveria ser e por quê? 
Uma das ferramentas mais importantes que podemos ensinar às nossas crianças é que elas não precisam ser reféns das circunstâncias e nem das próprias emoções. Isto é, devemos mostrar que têm a capacidade de usarem suas mentes para acalmarem a si mesmas e para serem resilientes diante das situações difíceis.
 
Fonte: Crescer Online - atualizada em 08/08/2016


Postado em 30/10/2018


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