Quantos mais livros em casa, melhor a capacidade de leitura da criança
Pediatric Academic Societis Meeting comprova o que já sabíamos:
ler para o seu bebê ajuda no desenvolvimento dele
Por Vitória Batistoti 
 
Em 2017, o jornal Pediatric Academic Societies Meeting publicou um estudo que mostra que a proximidade das crianças com os livros ainda na primeira infância pode aumentar as habilidades delas com o vocabulário e a leitura nos anos seguintes.
 
A descoberta dos pediatras foi reveladora: eles perceberam que aquilo que os bebês escutam nas leituras permanece com eles e exerce influência no aprendizado quatro anos depois, quando chega a hora de ingressar no ensino primário. Para chegar a esse resultado, os especialistas analisaram, durante quase 4 anos, a compreensão da linguagem e as habilidades de leitura em mais de 250 mães e seus filhos de 6 meses até eles completarem 4 anos e meio.
 
A conclusão a qual os pediatras chegaram foi é que, quantos mais livros a família tiver em casa, mais desenvolvida será a linguagem da criança no futuro. Como explica uma das cientistas responsáveis pelo estudo, famílias que possuem 100 livros em casa têm filhos com capacidade de leitura de 1 ano e meio à frente de outras crianças de mesma idade. Conforme o número de livros aumenta, mais avançada é a habilidade do pequeno. “Mas não é só sobre ter 100 ou 500 livros em casa. O que eles querem dizer é que, quando existe uma imersão literária no lar, a criança tem maiores chances de ter contato com a leitura e isso exerce influência no desenvolvimento da linguagem dela. Os 100 livros são, na verdade, 100 oportunidades de a criança ter alguém interpretando uma história para ela”, analisa a psicopedagoga Irene Maluf, membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia.
 
Além da quantidade de livros disponíveis, os autores da pesquisa americana também apontaram dois outros fatores importantes para iniciar a criança nesse mundo: a quantidade de dias por semana que a mãe lia para a criança e a qualidade dessa leitura (o que, para efeitos do estudo, equivalia a conversas sobre a história do livro e comentários sobre as emoções dos personagens do livro).
 
“Essa pesquisa traz dados bem razoáveis, parecidos com o que a gente vê na realidade”, complementa Irene. Ainda assim, segundo ela, o ideal é começar a ler para a criança quando ela ainda está no útero: “É interessante porque, durante essa leitura, a mãe privilegia a atenção a ele e já cria um contato, um laço. Ele pode não entender ainda, mas vai escutar. É um momento de relacionamento afetivo que tem influência nos anos seguintes”.
 
3 dicas para ler para o seu filho:
 
- Ao contar uma história de forma oral, consequentemente fazemos entonações e tons de voz diferentes para demonstrar emoções. Ainda que a criança não entenda do que se trata, ela recebe uma estimulação auditiva durante a situação;
 
- Conforme o bebê cresce e durante a fase “toddler” (de 1 a 3 anos), livros com figuras, cores e objetos são importantes no desenvolvimento da linguagem;
 
- Pais que leem em casa já dão o exemplo, mas é necessário conscientizar a criança sobre a importância de ler: comente sobre a leitura com seu filho, explicando que você lê para aprender coisas novas, para se divertir, para conhecer uma nova língua, etc.
 
Fonte: Crescer.com.br - atualizada em 19/05/2017 


Postado em 02/04/2019


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