Olimpíadas científicas: por que elas importam?
Competições científicas nacionais e internacionais são catalisadoras
da busca pelo aprofundamento do conhecimento
 
As olimpíadas de conhecimento ou científicas são competições que acontecem em nível nacional e internacional, e visam medir e premiar o conhecimento de estudantes desde o ensino fundamental até o início do ensino superior (tanto de instituições públicas quanto das privadas). Através da realização de provas teóricas e práticas, os alunos recebem notas correspondentes e os melhores resultados são recompensados com medalhas e prêmios variados.
 
O objetivo geral dessas competições, que acontecem anualmente, é o de incentivar jovens a valorizar o meio científico e identificar talentos nas mais diversas áreas do conhecimento, estimulando-os a escolher a área científica para suas carreiras. Há uma preocupação em comparar e destacar pontos positivos e negativos dos sistemas educacionais dos participantes, de forma que a troca de experiências entre professores, organizadores e alunos gere benefícios educacionais a cada um dos países representados.
 
A primeira olimpíada científica de que se tem notícia é a de Matemática, que teria acontecido em 1894, na Hungria. A primeira internacional foi também de Matemática e aconteceu em 1959, após o modelo inicial ter se espalhado por países do leste europeu. Nos anos seguintes, foram criadas as olimpíadas de Física (1967) e Química (1968). A partir de 1989, e durante os sete anos que se seguiram, surgiram competições internacionais de Informática, Biologia, Filosofia, Astronomia e Geografia. A primeira olimpíada a acontecer no Brasil foi também de Matemática, em 1979.
 
Existem vários tipos de olimpíadas científicas. Como já citado, disciplinas como Astronomia, Biologia, Química, História e Linguística possuem suas competições. Das olímpiadas internacionais geralmente participam os melhores estudantes de cada país, selecionados através das competições nacionais. Há também olimpíadas internacionais regionais, que restringem a participação a nações de determinada localidade do mundo.
 
O Brasil geralmente participa das olímpiadas internacionais de Matemática (IMO), Física (IPhO), Química (IChO), Biologia (IBO), Informática (IOI), Astronomia (IAO), Linguística (IOL), além do Torneio Internacional de Jovens Físicos (IYPT), Olimpíada Internacional Júnior de Ciências (IJSO) e Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica. As únicas competições internacionais nas quais nunca tivemos representação são a de Filosofia (IPO), Geografia (IGeO) e a de Ciências da Terra (IESO).
 
Brasil em números*
- Participam, segundo a Sociedade Brasileira de Matemática, uma média de 5,3 mil escolas e 155 instituições de ensino superior na Olimpíada Brasileira de Matemática. Na última edição, foram cerca de 565 mil inscritos.
 
- Ao todo, são 190 mil jovens e seus professores participando anualmente da OBM e 290 mil estudantes competindo nas olímpiadas estaduais e regionais de Matemática.
 
- No Brasil se realiza a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), voltada para o sistema público de ensino. Da última edição participaram mais de 42 mil escolas e 900 mil alunos.
 
- Em 2013, o Brasil venceu a Olimpíada de Matemática Internacional Cone-Sul, da qual participaram 28 países da América Latina. As medalhas de ouro foram trazidas por Murilo Corato Zanarella, 15 anos, de Amparo (SP); e Victor Oliveira Reis, 16 anos, do Recife (PE). Daniel Santana Rocha, 16 anos, do Rio de Janeiro (RJ), e Pedro Henrique Sacramento de Oliveira, 13 anos, de Vinhedo (SP), ganharam medalhas de prata.
 
- Na 20ª Competição de Matemática para Estudantes Universitários, realizada na Bulgária, os brasileiros somaram 14 medalhas, sendo uma de ouro, 11 de prata e duas de bronze.
 
- Na última edição da Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, organizada em Maputo (Moçambique), o Brasil ficou, pelo terceiro ano consecutivo, com a primeira posição geral.
 
- Na Olimpíada Internacional de Informática, são 32 medalhas conquistadas.
 
- Na Olimpíada Internacional de Física, 27 medalhas.
 
- Na última edição da Olimpíada Internacional de Química, conquistamos 4 medalhas.
 
*Dados de 2014
 
Para além do quadro de medalhas
O Jornal da Ciência, publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), divulgou, na edição de setembro do ano passado, matéria especial relatando alguns impactos das olimpíadas científicas, com base em constatações de especialistas sobre suas principais consequências e vantagens para o Brasil. Qual seria a real importância de estimular a participação de alunos e professores brasileiros nessas competições?
 
Primeiramente, é inegável que o Brasil atingiu um certo nível de sucesso em relação às competições, no sentido mais "raso" da palavra: ganhamos primeiros lugares, somamos mais de 400 medalhas internacionais (contando apenas com as competições de Matemática, Física, Química e Informática). Existe um nível mais profundo de sucesso, porém. De acordo com os especialistas citados no artigo, as vitórias não são o prêmio mais valioso. A valorização da dedicação e estudos através das medalhas é importante por representar o reconhecimento do investimento feito por estudantes e professores para alcançar tais resultados. A consequência disso é o crescimento da dedicação por parte dos alunos, de forma espontânea, e isso é ainda mais importante.
 
João Batista Garcia Canalle, professor adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) desde 1998, conta que se alguém decide participar de uma olimpíada de forma voluntária, como é o caso da OBA, o inscrito provavelmente se dedicará para ganhar uma medalha. Falando ao Jornal da Ciência, ele defende uma primeira vantagem das olimpíadas científicas: estimular o estudo espontâneo por parte do aluno. "Isso mostra que, se estudou mais do que faria sem a presença da olimpíada, então, já estamos causando um impacto sobre ele, pois estudou mais, e isso é o que mais queremos que os alunos façam. E veja que estudaram mais por livre e espontânea vontade, e é assim que mais se aprende", analisa o professor.
 
Segundo Canalle, essa vantagem também se estende aos professores, que, ao serem incumbidos da tarefa de auxiliar seus alunos na preparação para as olimpíadas, são "forçados" a estudar mais e buscar maior capacitação. Durante a competição em si eles têm a oportunidade de trocar experiências com outros professores, compartilhando modelos de estudo, métodos de ensino, etc. Esse intercâmbio é benéfico para as escolas e, consequentemente, para os alunos, que ganham professores mais motivados e capazes.
 
Em estudo intitulado "O impacto da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) no desempenho dos alunos na Prova Brasil", o professor José Francisco Soares constatou os resultados positivos da competição não só para os estudantes premiados, mas também para os demais alunos das escolas participantes. O professor do Departamento de Ciências Aplicadas à Educação, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e que é também membro do GAME - Grupo de Avaliação e Medidas Educacionais, aponta os benefícios da participação em competições de conhecimento como sendo resultado natural do envolvimento das escolas com projetos ou iniciativas "pedagogicamente relevantes".
 
Sua pesquisa revela que, com relação à Obmep, por exemplo, escolas participantes precisam melhorar sistematicamente seu desempenho no ensino de Matemática, preparando simultaneamente o maior número de alunos possível para competir. "No caso das escolas, observamos que o efeito da Obmep pode ser devido ao fato de que uma escola que é capaz de se organizar para participar efetivamente da olimpíada tenha um projeto mais sólido e efetivo de ensino de matemática, o que, por sua vez, enseja um melhor desempenho de todos os seus alunos nos testes de matemática da Prova Brasil", diz o estudo.
 
Assim, comprovada sua eficiência, os métodos usados para preparar estudantes, tanto no caso da Obmep, quanto no espectro geral das olimpíadas científicas nacionais e internacionais, poderiam e deveriam ser adaptados e aplicados às políticas educacionais brasileiras. A conclusão é que educadores, estudantes, governantes e sociedade civil precisam não só reconhecer de forma efetiva o sucesso dos campeões que nos representam mundo afora, mas de fato aprender com e como eles.
 
Fonte: Portal Administradores.com.br - Notícia atualizada em 23/07/2014


Postado em 13/05/2019


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