Primeiros Mil Dias: a importância de nutrir, cuidar e estimular

Experiências vividas na primeira infância afetam a formação do cérebro da criança
em áreas relacionadas com a empatia e as emoções

Pode até ser que o seu filho venha a ser um velhinho centenário, mas não haverá fase mais importante para o desenvolvimento físico e mental dele do que os primeiros mil dias de vida – período que soma os 270 dias da gestação aos 730 dias até que o bebê complete dois anos de idade. Nesse período, acontece o maior estirão de crescimento do ser humano. Além disso, esses são os anos fundamentais para o desenvolvimento dos sistemas nervoso e imunológico assim como para formação de bons hábitos alimentares, que aumentarão as chances dele se tornar um adulto saudável.

Só para se ter uma ideia, metade do crescimento do cérebro ocorre até o segundo ano de vida. Apesar do bebê já nascer com o cérebro desenvolvido nos pontos sensoriais, como o tato, a audição e o olfato, é nesse período que o órgão passa pelas maiores modificações cognitivas. Nos primeiros mil dias, as células cerebrais podem fazer até mil novas conexões a cada segundo – uma velocidade única na vida. Essas conexões contribuem para o funcionamento do cérebro e para a aprendizagem da criança.

Veja quais os princípios mais importantes dos primeiros mil dias:

Nutrição

A alimentação apropriada para os primeiros 1000 dias, segundo a OMS, inclui uma dieta equilibrada da mãe na gravidez, o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida do bebê e, a partir daí, a introdução de alimentos, como água, sucos, chás e papinhas. Há estudos que mostram que o aleitamento exclusivo até os seis meses de vida favorece o desempenho intelectual e que a nutrição correta reduz o risco de desenvolver obesidade e doenças cardiovasculares quando adulto. Para ajudar a entender a importância de uma nutrição adequada nesse período, é só ter em mente que os bebês triplicam o peso do nascimento ainda no primeiro ano de vida e, até os dois anos, acontece a formação dos hábitos alimentares que ele levará por toda vida.

Afeto/Cuidado

As crianças crescem melhor quando são amadas. Carinho, afeto e contato físico são essenciais para estabelecer e fortalecer os vínculos entre pais e filhos e ajudam até a aumentar a imunidade do bebê.

Um estudo publicado pela Child Psychoterapy Trust, na Inglaterra, aponta que as experiências vividas na primeira infância afetam a formação do cérebro da criança em áreas relacionadas com a empatia e as emoções. Um estudo da Universidade de Washington demonstrou que o hipocampo (parte do cérebro relacionada à memória, aprendizagem e autocontrole) cresce duas vezes mais rápido nas crianças que recebem mais apoio emocional da mãe. E isso tudo começa no ventre, uma vez que o feto já demonstra capacidade de audição desde a sexta semana de gravidez, podendo reconhecer a voz dos pais e captar todas as emoções que as acompanham. Por isso, a recomendação é para que ambos “conversem com a barriga”.

Estímulo

Brincar deve ser considerado como uma das atividades mais importantes da criança, desde o nascimento. Com um bebê de um mês, por exemplo, dá para balançar um chocalho para que ele ouça o som e associe ao movimento. Com os maiorzinhos, brincar também favorece o exercício da autonomia, o que possibilita que as crianças sejam mais independentes, autoconfiantes e menos agressivas. Isso além de estimular a inteligência, claro. Uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Pelotas (RS) com crianças de 2 e de 4 anos mostrou que as que têm contato com livros, visitam outras pessoas ou brincam em parques ou praças nos primeiros 2 anos de vida apresentam melhores resultados em testes específicos de memória, inteligência e cognição. Uma prova de que, como já se sabe, não é apenas a genética que determina o potencial de crescimento e desenvolvimento do indivíduo.

Oferecer condições favoráveis ao desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida é mais eficaz e gera menos custo do que tentar reverter ou minimizar os problemas mais tarde. Por isso, durante esse período faz muito sentido a máxima “prevenir é melhor que remediar”.

Bibliografia: Organização Mundial da Saúde, Unicef, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal

Fonte: Primeiros Mil Dias


Postado em 11/07/2019


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