Judith Harris: filho favorito varia conforme o momento

 

Em entrevista exclusiva à CRESCER, a estudiosa norte-americana Judith Rich Harris confirma que todo pai pode ter um filho preferido, mas que nem sempre isso será sinônimo de alta autoestima para a criança
 
Simone Tinti
 
Há mais de dez anos, a psicóloga norte-americana Judith Rich Harris lançou uma afirmação surpreendente: os pais têm pouca influência na formação da personalidade do filho. Essa foi a base do livro Diga-me com Quem Andas (Ed.Objetiva). Ao discutir o tema do filho favorito, a CRESCER procurou a autora, que também escreveu Não Há Dois Iguais (Ed. Globo), em que aborda a formação da individualidade humana e o que nos torna diferentes uns dos outros. 
 
Como uma das mais importantes especialistas em formação de personalidade, perguntamos a ela qual o peso do favoritismo entre os filhos. Confira a entrevista a seguir. 
 
CRESCER: Você acredita que todo pai e mãe têm um filho favorito? 
JUDITH RICH HARRIS: Eu suporia que a maioria dos pais tem um filho favorito num dado momento. E o preferido pode mudar de ano para ano ou até a cada dia. Em um estudo americano publicado em 1995, pais que tinham dois filhos foram questionados se tinham um preferido, e metade admitiu que sim. 
 
CRESCER: Quais seriam as razões para o favoritismo? 
JRH: Uma criança pode ser mais atraente do que outra tanto por se parecer com o pai ou a mãe fisicamente ou pelo comportamento. No caso do estudo americano que eu mencionei, cerca de 85% dos pais que admitiu ter um preferido disse que favorecia o mais novo. Mas essa preferência pode mudar conforme a criança fica mais velha e aquele adorável bebê se transforma em uma “não-tão-adorável” criança em idade escolar. Conforme os filhos viram adolescentes e depois adultos, a tendência é favorecer aquele que escuta os conselhos ou aquele com quem os pais têm mais em comum. 
 
CRESCER: Como é possível equilibrar esta relação? 
JRH: A maioria faz um esforço para tratar os filhos de maneira justa. De fato, muitos pais são tão bons em esconder seus sentimentos que algumas crianças crescem pensando que são as favoritas, quando na verdade, os pais favorecem seu irmão! 
 
CRESCER: Há alguma “tendência” no favoritismo? O primogênito, por exemplo, teria mais chances de ser o favorito? 
JRH: Como eu disse, os pais tendem a favorecer o filho mais novo. E isso é verdade em todo o mundo. Em sociedades tribais, as mães carregam seus bebês e dão a ele toda a atenção, mas quando o segundo filho nasce, aquela criança que já está com 3 ou 4 anos é enviada a brincar com um grupo local, e assim, passa a ganhar menos atenção dos pais. 
 
Então, o filho mais velho não é geralmente o favorito. Pelo menos enquanto as crianças ainda são jovens, os pais tendem a favorecer o mais novo. Conforme eles crescem, a preferência pode mudar, mas isso não significa que a maioria termina favorecendo o primogênito. Ele pode ganhar a coroa ou a fazenda, mas isso não significa que os pais o amam mais! 
 
CRESCER: Quais seriam as vantagens e desvantagens em ser o favorito? 
JRH: Isso tem tudo a ver com as relações familiares. É provável que o favorito tenha uma relação melhor com seus pais, mas seus irmãos podem se ressentir disso. O mais interessante, entretanto, é que essas relações boas ou ruins podem não ter efeito fora do círculo familiar. Como eu expliquei em meus dois livros (Diga-me com Quem Andas e Não Há Dois Iguais), o que uma criança aprende em um meio social não é automaticamente levado para outro cenário. O que as crianças aprendem em suas interações com os pais e irmãos não as ajudam nem atrapalham em relações fora da família. O fato de uma criança estar sempre brigando com seu irmão não significa que ela terá relações tempestuosas com seus pares. Filhos mais velhos que dominam seus irmãos em casa não têm maiores tendências a dominar seus amigos. E pessoas que acreditam ser o favorito de seus pais não têm uma autoestima mais alta em geral. Acreditar que você foi o preferido de seu pai ou sua mãe não pode fazer com que você espere ser o favorito de todo mundo!
 


Postado em 07/08/2012


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