Felicidade: “Que a vida da criança seja uma aventura”

Para a psicóloga Ceres de Araújo, os pais devem viver criativamente com as crianças

por Paula Perim
 
Há algum tempo, a psicóloga Ceres de Araújo, uma das mais importantes especialistas em crianças e adolescentes do Brasil e autora de Pais que Educam – Uma Aventura Inesquecível (Ed. Gente) disse que “educar é uma aventura”. Era uma analogia aos obstáculos e emoções, por exemplo, de uma descida na corredeira de um rio em um bote inflável.
 
Agora ela volta com uma proposta: se os pais querem criar pessoas felizes, além de ensiná-las a lidar com frustrações e perdas e, por conseqüência, a ter um bom amadurecimento, terão de caprichar na dose de criatividade. “O que realmente empolga a criança é o inusitado, o inesperado, o criativo. Aquela família muito rotineira, muito certinha, tende a criar crianças muito pouco vivas, muito pouco estimuladas.”
 
CRESCER: Como garantir uma criança feliz?
CERES DE ARAÚJO: A criança é um ser ainda muito dependente daquilo que é o desejo do pai e da mãe, muito em função daquilo que são os princípios, os valores, as normas deles. Quer agradar e ser agradada e felicidade para ela é se sentir amada aos olhos da mãe. Se sentir reconhecida, admirada, competente, apoiada e, principalmente, valorizada. A auto-estima da criança é uma coisa muito importante na base desta sensação de felicidade, é o elemento-mór.
 
C: Felicidade é alegria?
CA: Alegria é explosão de felicidade. O olho brilha, a pele fica rosada, a postura se modifica. Mas a pessoa não precisa estar o tempo inteiro alegre para ser alguém feliz. Fazem parte da vida as tristezas, as perdas e é na hora em que a gente vive perdas que a gente elabora e cresce. Com a criança é a mesma coisa.
 
C: E o que os pais podem fazer pela felicidade dos filhos?
CA: A criança vive o que experimentou. O papel do pai e da mãe é dar oportunidade para que ela tenha uma vida rica de experiência. Trazer aventura à vida dela. Rotina, aquilo sempre igual é cansativo, não é algo que agrada à criança.
 
C: E trazer aventura pode ser desde fazer um bolo...
CA: Exatamente! Fazer um bolo, um brigadeiro verde! (risos.)
 
C: Tomar chuva!
CA: Sair descalça, ir fantasiada à casa da avó, qualquer coisa! É o novo, o imprevisível, o criativo. Tudo isso vai fazer com que a criança tenha memórias interessantes para guardar, para se lembrar.
 
C: O conceito de resiliência pode ser ensinado?
CA: A resiliência é um potencial do ser humano. Precisa ser desenvolvida e atualizada. Qual a maneira de atualizar isso? Não superprotegendo a criança. Aquela criança que tem o mundo todo cor-de-rosa, é uma criança que não vai se desenvolver como forte. Viver diversidade, viver perdas e sofrimentos é o que tempera. A criança precisa saber receber não, lidar com frustração e saber que há um ganho com todas essas coisas.
 
C: O que empolga a criança?
CA: O inusitado, o inesperado, o criativo. Uma família que tem senso de humor, que quebra a rotina, que faz coisas imprevisíveis. A criança ama o imprevisível.
 
C: E isso não tem nada a ver com dinheiro...
CA: Não! É fácil! Em vez de entrar em casa carregando a sacola com a cara de cansado, faz uma máscara e amarra no rosto. É se apresentar de uma maneira diferente...
 
C: E vai apresentar a vida de uma maneira diferente também...
CA: Sim! Mostrando que a vida não é uma coisa chata. Sabe aquele pai que vive cansado, ele só quer cair numa cadeira e terminar o dia? Como é que a criança vai viver a vida assim? Neste aspecto, os pais são responsáveis.
 
C: Então os pais não têm o poder de definir a felicidade dos filhos, mas têm o poder de estragá-la, não?
CA: E de facilitar... De proporcionar. O importante é que a vida da criança seja uma aventura de fato. E ela tem que ser o personagem principal.
 
12 passos para a felicidade do seu filho
Existe receita cientificamente provada para alcançar a felicidade. É isso que Sonja Lyubomirsky, psicóloga da Universidade da Califórnia (EUA), garante após analisar inúmeras pesquisas. A íntegra está em seu livro: A Ciência da Felicidade – Como Atingir a Felicidade Real e Duradoura” (Ed. Campus/Elsevier). Aqui, os ‘segredinhos’ que podem te ajudar:
 
1 Ensine-o a agradecer 
Seu filho deve ser grato pelo que tem (sejam pessoas ou objetos) e mostrar reconhecimento pelos outros.
 
2 Cultive o otimismo 
Faça-o olhar sempre o lado bom das situações. Se quiser, escrevam um diário juntos, contando as coisas boas do dia.
 
3 Evite comparações
Quando vir a criança se comparando com o colega, distraia-a com outras atividades. Se ela ficar frustrada, repita que cada um é bom em algo diferente e ressalte as qualidades dela.
 
4 Aposte em gentilezas 
Pode ser para o amigo, o avô, o primo ou até um desconhecido. No começo, você vai precisar “forçar” o seu filho a ser agradável. Depois, acontecerá naturalmente.
 
5 Conserve relacionamentos 
Incentive-o fazer muitos amigos e ajude-o a cultivá-los.
 
6 Descubra coisas que ele gosta de fazer 
Deixe-o se concentrar em algo que lhe dá prazer a ponto de se esquecer do mundo.
 
7 Reviva os momentos bons da vida 
Ele curtiu a excursão da escola? Peça-o para desenhar algumas situações, reveja fotos, escreva etc.
 
8 Trace objetivos 
Pergunte duas ou três coisas que seu filho gostaria de ter e o ajude a definir metas para chegar ao objetivo, mesmo que seja só uma bola nova ou uma nota maior na prova de português.
 
9 Desenvolva estratégias para superar crises 
Se a criança passar por algum estresse ou trauma, ajude-a a se concentrar em vencer a situação, e não ficar ainda mais deprimida com ela.
 
10 Pratique o perdão 
O colega mordeu seu filho? Resista ao ímpeto de mandá-lo morder de volta. Ensine-o que ele deve encarar o menino e dizer que não gostou do que aconteceu, mas que está desculpado.
 
11 Pratique a espiritualidade 
De acordo com suas crenças espirituais, ainda que elas não envolvam nenhum tipo de deus, desenvolva com a criança situações em que ocorra a discussão sobre as dimensões da vida, e parem para apreciar as maravilhas ao seu redor.
 
12 Mostre a importância do corpo 
Mesmo se a criança não gostar da educação física, precisa entender que o esporte faz bem para a saúde. Um corpo são vai ser ferramenta de muitos sorrisos.
 
Fontes: Silvia Helena Cardoso, neurocientista da Unicamp, em Campinas (SP); Saada Resende de Souza Ellovitch, neuropediatra do Hospital Samaritano, em São Paulo (SP). Sonja Lyubomirsky, psicóloga e professora da Universidade da Califórnia; Telma de Souza Birchal, professora do departamento de filosofia da UFMG, em Belo Horizonte (MG); Teresinha Pavanello Godoy Costa, psicóloga clínica e coordenadora do departamento de psicologia da Unaerp, em Ribeirão Preto (SP); Alexandre Bez, psicólogo de São Paulo (SP); Ildásio Tavares, poeta de Salvador, Jocelaine Silveira, psicóloga clínica da UFPR (Paraná); Sandro Caramaschi, psicólogo da Unesp, em São Paulo (SP); Cristiene Tenório, psiquiatra psicodramatista, em Recife (PE) Fontes: Sonja Lyubomirsky, psicóloga e professora da Universidade da Califórnia; Telma de Souza Birchal, professora do departamento de filosofia da UFMG, em Belo Horizonte (MG); Teresinha Pavanello Godoy Costa, psicóloga clínica e coordenadora do departamento de psicologia da Unaerp, em Ribeirão Preto (SP); Alexandre Bez, psicólogo de São Paulo (SP); Ildásio Tavares, poeta de Salvador, Jocelaine Silveira, psicóloga clínica da UFPR (Paraná); Sandro Caramaschi, psicólogo da Unesp, em São Paulo (SP); Cristiene Tenório, psiquiatra psicodramatista, em Recife (PE).
 
Fonte: Revista Crescer 


Postado em 28/09/2012


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