Criança de 5 a 10 anos: como entender o seu filho

Psicanalista discute dificuldade para dormir e problemas na escola, entre outros
Por Bruna Capistrano

O mundo fora de casa, lugares, pessoas diferentes e experiências são observados com mais critério quando o seu filho deixa de lado a fase infantil e adentra a faixa dos cinco anos de idade. E é a partir desta idade que ela se depara com desafios mais fortes e os pais também. O psicanalista Abrahão H. Brafman analisa no livro "A criança de 5 a 10 anos", da editora Zahar, questões que costumam desconcertar pais, educadores e até mesmo as crianças. Veja abaixo:
 
1. Problemas com outras crianças na fase escolar
 
Normalmente, a criança típica da idade entre 5 e 10 anos é reticente ao contar aos pais tudo o que acontece na escola, principalmente quando está em uma nova classe. Mesmo que os pais já saibam como é o estilo da criança de enfrentar as pessoas e a vida em geral, é imprescindível que os responsáveis tentem entender o que a criança está querendo dizer e nunca deixe o a questão de lado. "Isso é perigoso porque a deixa exposta a situações que a amedrontam, e, ao mesmo tempo, com o sentimento de não estar sendo apoiada pelas pessoas amadas com quem sempre contou", afirma Abrahão Brafman. 
 
A evolução mais comum quando a criança não consegue lidar com a convivência na escola é o aparecimento de problemas físicos. E quando isso acontece, a ajuda de um médico é o mais indicado. O que não se deve esquecer é que certas crianças têm dificuldade de relatar que está sendo maltratada na escola. "Sem dúvida há medo de ser punido por desmascarar o agressor, mas encontrei também crianças que tinham grande dificuldade em lidar com a ideia de que o agressor seria punido, como se isso fosse algo injusto, que ela não merecesse", explica o psicanalista.
 
Mesmo que a escola possa parecer o reduto do medo da criança por 'esconder' amigos violentos ou situações de apuros, também há de se investigar se o que a criança quer é não sair de casa. Na maioria dos casos, a própria criança é capaz de identificar por que o medo de ir à escola, mas não sabe lidar com o problema, como a criança que se recusa a ir para a escola porque sabe que o pai está em fase de tratamento contra uma doença e não quer se distanciar dele, ou a criança que sabe que a mãe é vítima de violência doméstica e prefere ficar em casa como que para 'defender' a mãe.
 
2. O filho único e a chegada do irmão mais novo
 
Você ama seus filhos da mesma maneira, mas será que seus pequenos acham a mesma coisa? O impacto da chegada de um irmão mais novo na família é intenso para os pais mas, principalmente, para os filhos. As meninas tendem a se identificar com as mães enquanto os meninos têm a tendência a serem mais reservados. "Tocarão o abdômen da mãe e concordarão em ouvir o coração do bebê, mas em geral não verbalizam seus pensamentos como as meninas", diz Abrahão Brafman. Mesmo enxergando o irmão como um futuro competidor, há maneiras interessantes de inserir o filho mais velho no cotidiano do bebê. E, assim, aumentar sua automestima e interação com a criança. 
 
"Segurar a mamadeira e arrumar as roupas em volta do bebê que mama no seio, segurá-lo nos braços ou descobrir quais sons ou movimentos provocam uma reação feliz do bebê são afirmações de confiança na capacidade da criança de superar seus sentimentos de deslocamento e ciúme e dar contribuições valorizadas tanto pela mãe quanto pelo bebê", afirma o autor. Brafman ressalta também que muitas mães têm o costume de acusar a criança mais velha quando o mais novo se queixa do irmão. "Lembrem-se de que ser o mais novo não é sinônimo de ser inocente!". 
 
E quando o filho único entra na fase de perguntar sobre a ideia de ter um irmãozinho (a), o psicanalista defende que a posição dos pais deve ser sempre verdadeira. Um filho já é o suficiente ou ter receio de não conseguir engravidar novamente, por exemplo, são alguns dos principais argumentos. "A razão real para não ter mais filhos pertence aos pais e se uma criança faz a pergunta, penso que o melhor é explorar o que a leva a isso e como ela se sente sendo filho único". 
 
3. Crianças com problemas para dormir
 
As crianças precisam de, pelo menos, oito horas de sono. Quando o pequeno tem três anos ou menos, a hora de dormir não costuma representar um grande problema, uma vez que ela fica cansada mais facilmente e quer descansar. Após os 4 anos, no entanto, o quadro volta a mudar (lembra das noites em claro quando seu filho ainda era um bebê?). "A criança se sente mais cheia de energia, seus interesses são mais amplos e a sua ânsia para explorar o mundo é cada vez maior", ressalta Abrahão Brafman. 
 
O que o psicanalista defende é que, em muitos casos, uma rotina dentro de casa faz toda a diferença na hora de a criança ir para a cama e dormir com tranquilidade. "Uma complicação pode acontecer quando o pai só chega em casa tarde da noite: o filho, obviamente, quer desfrutar sua companhia. Não acredito em prescrever regras para a hora 'certa' de ir para a cama. É mais seguro e produtivo agir com base nas próprias convicções, pois a criança receberá uma mensagem clara e tratará de obedecê-la", afirma. 
 
As desculpas que as crianças dão são as mais variadas: dizem que só conseguem dormir com os pais, ou no quarto do casal; acordam à noite e se recusam a voltar para a cama alegando ter medo de dormir novamente, ou de terem medo de viver um pesadelo ao dormir. O caminho mais curto para o sono tranquilo é esclarecer que a criança precisa dormir na sua cama e se envolver na tentativa de eliminar os medos comuns entre os pequenos.
 
4. A sexualidade das crianças
 
É na faixa dos cinco anos de idade que a criança atinge um estágio de desenvolvimento no qual difere como a figura do macho o homem como o pai, e a figura da fêmea a mulher semelhante à mãe, e entende os laços de relações do mundo exterior. No entanto, mesmo quando a criança já tem uma ideia clara de gêneros feminino e masculino, ela ainda alimenta dúvidas em relação à sua identidade sexual. 
 
"Silvia, de seis anos, foi levada a uma consulta porque estava se masturbando compulsivamente. Ela pertencia a uma família com dois irmãos e era a criança do meio. Durante a consulta, a mãe me falou de um episódio recente em que Silvia lhe dissera que 'também tinha um pênis'. A menina ficou ressentida ao ouvir a mãe contar isso, mas minha reação foi dizer que Silvia, provavelmente, estava tentanto puxar seu clitóris para esticá-lo e torná-lo tão grande quanto um pênis. Duas semanas mais tarde fui informado de que a masturbação cessara", conta Abrahão. 
 
A princípio, as crianças se moverão de acordo com o mundo, em casa ou na sociedade, de uma maneira espontânea. Só quando os pais ou outros manifestam sua ideia que ela está fazendo algo que não está certo é que a criança perceberá, súbita ou gradativamente, haver um conflito entre suas inclinações e a maneira como os adultos esperam que ela se comporte. "O que acontece em seguida dependerá de como cada família considera o comportamento em questão", resume o autor. 
 
5. Divórcio: como as crianças lidam com a separação dos pais
 
Um divórcio causa sofrimento e, em muitos casos, problemas de longo prazo para os filhos, sejam psicológicos ou sociais. Pais que vivem em conflito constante, visíveis e constrangedores, ou restritos a momentos de privacidade, estão expondo os filhos a experiências traumáticas. Isso porque, por mais que o casal acredite transmitir uma harmonia para os filhos, o mais provável é que as crianças percebam a existência de conflitos. 
 
"Em termos ideais, um casal que está se divorciando deveria ser capaz de conservar algum grau de amizade que possa tornar a vida dos filhos menos traumática. Bom-senso e simples respeito humano seriam úteis. Na verdade, todos os casais sabem disso, porém, na vasta maioria dos casos, essas qualidades são ignoradas e um parceiro, ou ambos, iniciam uma batalha irracional", analisa o psicanalista. O especialista é categórico quanto à melhor solução: "Procurar um psicoterapeuta, terapeuta ou conselheiro conjugal do que se amarrar à esperança de que 'o tempo resolverá'". 
 
Enquanto os adolescentes já conseguem lidar melhor com a questão, os menores têm pouco discernimento para entender que a separação é o melhor caminho. "Crianças de menos de cinco anos conseguem expressar seu desespero de uma maneira aberta e também fazer perguntas que os pais têm grande dificuldade em responder. Mas as que têm de 5 a 10 anos reagem, em geral, com uma sensação de desamparo e incredulidade, não sendo de fato capazes de imaginar que forma a vida assumirá depois que os pais se separarem. Perguntas diretas não são frequentes, e isso, paradoxalmente, torna mais difícil para os pais explicar sua separação ou saber como tranquilizar o filho em relação a futuros padrões de vida", pontua Abrahão.
 
Fonte: GNT.com.br


Postado em 29/11/2012


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