5 bons motivos para seu filho estudar filosofia

Boas aulas de filosofia vão muito além de uma simples discussão de achismos. Saiba por que é importante que o seu filho leve essa disciplina a sério

por Manoela Meyer
 
Há muito tempo, nós homens tentamos entender o sentido da vida, os motivos que nos levam a amar ou odiar algo, a entender o que é bom e mau. Todas estas questões são filosóficas. E vão aparecer independentemente de serem ou não discutidas na escola. Quando os alunos têm filosofia na grade curricular, o assunto acaba fazendo parte do dia a dia... 
 
Boa parte de nós, brasileiros, não teve contato com a disciplina porque ela foi banida do currículo escolar pela Ditadura Militar, e substituída por Educação Moral e Cívica. Só em junho de 2008, mais de 40 anos depois, a filosofia voltou e se tornou matéria obrigatória no Ensino Médio das escolas de todo o país. 
 
Agora é a hora de alunos, pais e professores redescobrirem a importância da disciplina. A metodologia empregada nas aulas ainda está em debate e, no ano que vem, pela primeira vez, livros didáticos de filosofia serão distribuídos para as escolas. 
 
Enquanto isso, os governos fazem concursos públicos para contratar professores da área. Para que o ensino de filosofia dê certo, é crucial que o professor seja da área. "A exigência é óbvia: do mesmo modo que se espera encontrar um bom hospital e um bom médico quando se está doente, deveríamos poder encontrar uma sala de aula estimulante e um professor preparado para nos ajudar a pensar sobre o conhecimento, a vida, a linguagem, os afetos, a percepção, etc.", diz Filipe Ceppas, professor da Faculdade de Educação e da pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além disso, é importante que todos estejam envolvidos com a disciplina - alunos, pais e professores. 
 
Quer saber por que é importante seu filho ter contato com essa área? Confira abaixo! 
 
Interessa aos adolescentes
 
Ao contrário do que se pensa: os temas trabalhados pela filosofia não são cabeludos, coisa de adulto. Eles fazem parte do universo humano, independente da idade. Mas há um desafio: tornar os textos escritos pelos filósofos, muitas vezes complexos, em algo que os jovens entendam e achem legal. 
 
Para isso, os professores podem utilizar livros didáticos, filmes, música, obras artísticas. Mas o mais importante é que o aluno entenda que algo tão próximo a ele como a liberdade e o livre-arbítrio, por exemplo, são problemas enfrentados pelos filósofos ao longo dos séculos e que eles têm algo a nos dizer sobre isso. 
 
Os professores têm o desafio de fazer com que as teses filosóficas façam sentido e tenham relevância para os adolescentes. E isso depende da boa didática do professor. "É necessário abordar os conceitos com base nas experiências do jovem", diz Darcísio Muraro, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenador do Instituto de Filosofia da Philosletera.
 
Provoca questionamentos
 
Toda criança é naturalmente filosófica. É curiosa, questionadora. Mas o dia-a-dia, em meio à escola e à vida dos adultos, reprime esse instinto. A criança cresce sem saber o quanto é importante questionar por que as coisas são assim e não assado. O contato com a filosofia no Ensino Médio é capaz de resgatar essa capacidade que vem da infância. Afinal, será que o que achamos ser certo, bonito, poderia não ser? Conceitos importantes como verdade, beleza, liberdade, ética e política, por exemplo, são trabalhados nessas aulas. E dificilmente têm espaço em outras disciplinas. 
 
Em tempo: a filosofia moldou o que chamamos hoje de civilização ocidental: "somos, queiramos ou não, o resultado desse legado que a filosofia produziu nos últimos 2500 anos", diz o professor Márcio Danelon, professor de Filosofia e Educação na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
 
Elimina "pré-conceitos"
 
Muitas vezes a aula de filosofia se confunde com um espaço de debate solto e bate-papo, de sobreposição de opiniões. E ela realmente pode - e deve - começar como uma discussão, na qual os alunos apresentam seus "pré-conceitos" ou "pré-juízos" sobre determinados conceitos, como verdade, beleza, liberdade, ética, política, arte. 
 
Mas um segundo momento é crucial. O jovem precisa descobrir que não há consenso sobre esses temas e deve ter contato com textos que apresentam outras maneiras de raciocinar sobre os mesmos problemas. Uma boa aula deve, assim, incluir a leitura de textos clássicos da filosofia. 
 
"É importante como exercício de leitura, de reflexão, de atenção, de síntese, de vocabulário, de interpretação", diz o professor Márcio Danelon, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Além dos textos, ele indica o uso de filmes, música, poesia e outros recursos para serem trabalhados com o texto filosófico. 
 
O aluno também deve ter a oportunidade de repensar suas ideias iniciais. "O professor precisa reservar um momento para que os alunos coloquem suas novas ideias, seja por texto, teatro, desenho", conta Darcísio Muraro, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenador do Instituto de Filosofia da Philosletera.
 
Estimula o raciocínio
 
As aulas de filosofia servem como estímulo para o raciocínio e para o aprendizado de muitas outras disciplinas. Além disso, o aluno consegue perceber que não há resposta certa para muitos assuntos, como ética e moral. 
 
Diversos conceitos que foram trabalhados ao longo da história para explicar questões problemáticas, muitas vezes apresentam apenas soluções provisórias. Com isso, o adolescente é estimulado a construir seu próprio conceito sobre essas questões e a refletir sobre seu comportamento diante do mundo. Passa a entender um pouco mais a sociedade atual, a refletir sobre nossos problemas sociais e educacionais. 
 
"O aprendizado repercute de maneira direta no dia a dia do adolescente e pode ajudá-lo a fazer uma opção melhor para seu futuro", diz Darcísio Muraro, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenador do Instituto de Filosofia da Philosletera.
 
Enriquece as conversas em família
 
Muitas vezes, temos certeza de que nossa ideia sobre determinado assunto é a certa. Mas como pai, você deve entender que seu filho pode aprender outras ideias em sala de aula. E o mais legal é que ele tenha liberdade para discutir isso em casa. 
 
Um dos papéis importantes dos pais é criar um ambiente onde os filhos tenham a liberdade de discutir o que aprenderam na escola. Toda a família sai ganhando com isso. 
 
Se você acha que está despreparado para conversar sobre assuntos filosóficos em casa, há muito material disponível na internet, e diversos centros de referência promovem eventos sobre filosofia.
 
Contribuíram para esta reportagem: 
Darcísio Muraro, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenador do Instituto de Filosofia da Philosletera; 
Filipe Ceppas, professor da Faculdade de Educação e da pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); 
Márcio Danelon, professor de Filosofia e Educação na Universidade Federal de Uberlândia (UFU); 
Mauro Sérgio Santos, professor de Filosofia e escritor membro da Academia de Letras e Artes de Araguari (MG).
 


Postado em 04/01/2013


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