'Subornar' os filhos pode funcionar, mas só por um tempo curto

BRUCE FEILER, DO "NEW YORK TIMES"

Já li uma pequena biblioteca de artigos apresentando indícios de que dar recompensas às crianças --como dinheiro, doces ou uma hora a mais antes de ir para a cama-- é algo que, além de não funcionar a longo prazo, na verdade, tem um efeito negativo sobre elas. Ou seja, subornar é ruim. E, no entanto, eu, minha mulher e praticamente todos os outros pais que eu conheço recorrem a essa tática. O que então um pai acuado deveria fazer?
 
A CURA PELA CONVERSA
 
Edward Deci, professor de psicologia da Universidade de Rochester, em Nova York, disse que o maior problema das recompensas é que elas funcionam, ao menos a curto prazo. Mas, como a intenção é fazer a criança adotar um comportamento permanente, a técnica vai dar errado, a não ser que você esteja sempre disposto a oferecer a mesma recompensa.
 
Deci recomenda três passos. Primeiro, seja claro sobre o que torna o seu pedido importante. Segundo, mostre interesse pelo ponto de vista da criança. Finalmente, "não use palavras como 'deve', 'precisa' e 'tem de'", afirmou ele.
 
"Todas essas coisas implicam que você é uma pessoa grande tentando se impor a uma pessoa pequena."
 
CRIE JOGOS
 
Alan Kazdin, diretor do Centro Parental da Universidade Yale, disse que o problema dos incentivos é que eles dão muita atenção ao resultado, mas não ao comportamento que leva a ele.
 
Se você quer que seus filhos comam mais legumes, em vez de oferecer US$ 10, diga que eles não precisam comer os legumes, só deixá-los no prato.
 
Depois de algum tempo, faça um jogo em que ganha um ponto quem conseguir colocar menos legumes no garfo. No dia seguinte, faça uma competição de encostar com o garfo na língua. Com isso, a criança sente que tem o poder de escolha entre comer ou não os legumes, ficando menos resistente a eles.
 
O PRÊMIO VEM DEPOIS
 
Daniel Pink, autor de "Drive", disse que o problema do suborno não é a recompensa, mas sim condicioná-la a algo.
 
Ele sugere que o prêmio deva ser dado espontaneamente e depois do fato. "Não há mal em dizer: 'Você fez um grande trabalho. Vamos sair para tomar um milk-shake'."
 
Mas Pink alerta que a recompensa a posteriori pode rapidamente virar um direito adquirido.
 
A RECOMPENSA É O ELOGIO
 
Se você for dar recompensas de forma ocasional e inesperada, qual tipo é o melhor?
 
Pesquisas sugerem que elogios são geralmente suficientes, segundo Carol Dweck, professora de psicologia da Universidade Stanford, na Califórnia.
 
Ela sugere que os pais façam elogios específicos e foquem no processo pelo qual a criança passou para chegar ao comportamento. "Você poderia dizer: 'Eu gostei da forma como você esperou pacientemente que eu terminasse meu telefonema, pois você entendeu que aquela ligação era importante'", disse ela.
 
"Ou: 'Eu realmente gostei de como você manifestou gratidão à vovó, assim como você aprecia quando eu agradeço a você por fazer alguma coisa por mim'."
 
Os especialistas dizem que é aceitável oferecer recompensas explícitas de vez em quando. Se você precisa que seu filho entre no avião ou se é absolutamente necessário que ele se comporte para você poder conversar com o médico, vá em frente, suborne.
 
Como me disse Deci: "Se você está sob muito estresse ou num lugar ruim, ter uma conversa não vai funcionar".
 
Mas não deixe a situação terminar aí. "Vocês precisam sentar na tarde seguinte, quando todo mundo estiver mais calmo, conversar sobre o assunto e discutir formas para que o comportamento não volte a acontecer."
 


Postado em 29/01/2013


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