A importância da visita da blogueira cubana Yoani Sánchez ao Brasil

Tema pode cair no vestibular - saiba como e o que estudar

por Ana Prado

Recentemente o Brasil teve a visita da jornalista cubana Yoani Sánchez, famosa pelas críticas que escreve em seu blog Generación Y sobre a situação social e política de seu país.  Ela começou no Brasil uma viagem de 80 dias por dez países da América e da Europa – o que só foi possível porque ocorreu uma reforma migratória em Cuba, vigente desde 14 de janeiro. Antes disso, vários pedidos seus de saída foram negados pelo governo cubano.
 
A visita, no entanto, atraiu muitos protestos. Seus opositores afirmam que ela é financiada pelos Estados Unidos para fazer campanha contra o regime cubano. Sobre isso, ela comentou com a imprensa: “Este argumento eu conheço desde pequena, e é dado a todos que são contra o regime”. Manifestantes chegaram a impedir a projeção do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, no qual Yoani é uma das entrevistadas, em um evento em Feira de Santana (BA). Sobre os ataques, ela disse: “Eu gostaria que houvesse uma democracia assim em meu país”.
 
Quem critica Yoani chama a atenção, também, para a dimensão incomum do seu blog: lá, você pode ler os textos em 20 línguas, fora o espanhol – nem o site das Nações Unidas tem tantas traduções. Ele também rendeu muitos prêmios internacionais para a cubana, dados em forma de dinheiro por diferentes jornais e organizações. Além disso, eles mencionam o fato de que o Wikileaks publicou documentos revelando encontros e relações entre a blogueira e o governo americano.
 
Nesta matéria de Veja.com, “Yoani Sánchez critica silêncio do Brasil com relação aos direitos humanos em Cuba”, ela diz sua opinião sobre vários tópicos. Vale ler. E, para entender melhor a polêmica, faça uma busca na internet e leia artigos de pessoas pró e contra Yoani. É um bom exercício que ajudará você a compreender como pensam as pessoas dos dois lados.
 
Mas, para o vestibular, mais importante do que entender a polêmica em si é conhecer a situação e a história do país. O conteúdo abaixo foi adaptado do GUIA DO ESTUDANTE – Atualidade Vestibular + Enem 2012. Vamos lá:
 
A ilha de Cuba foi colônia da Espanha por quatro séculos e teve economia baseada no sistema de plantation. Os EUA eram o principal comprador do açúcar cubano e, com interesses econômicos e estratégicos na região, entraram em guerra com os espanhóis pela independência de Cuba. A Espanha foi derrotada em 1898 e cedeu aos EUA o domínio da ilha. Os norte-americanos cederam a independência formal a Cuba em 1902, mas mantiveram controle direto sobre o país e uma base militar na baía de Guantánamo, mantida até hoje.
 
Revolução Cubana
 
Na década de 1950, Cuba tinha uma economia baseada na exportação de tabaco e açúcar e graves problemas sociais, como concentração fundiária e miséria da população rural. Só que, ao mesmo tempo, a capital, Havana, possuía grandes cassinos e festas para os americanos, que usavam Cuba como uma espécie de colônia de férias.
 
O país era governado por uma ditadura militar instaurada e chefiada por Fulgêncio Batista, aliado dos EUA. Esse cenário levou à formação de uma guerrilha camponesa liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara. A revolução depôs Fulgêncio Batista em 1959. O grupo de Fidel era nacionalista e, pela dinâmica da revolução, nacionalizou as empresas estrangeiras, desapropriou as grandes fazendas de monocultura e realizou uma reforma agrária, o que provocou vários conflitos com os norte-americanos, donos de empresas e de grandes extensões de terra.
 
Em 1961, os EUA resolveram articular uma invasão militar do país, no fracassado desembarque na baía dos Porcos. No ano seguinte, Cuba estabeleceu aliança com a então União Soviética e aderiu ao modelo socialista. No mesmo ano, a possível instalação de mísseis soviéticos na ilha levou à grave “crise dos mísseis”.
 
Cuba foi então expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA), e os EUA decretaram, em 1962, um embargo econômico proibindo que empresas americanas vendessem ou comprassem produtos cubanos e incluindo regras que se estenderiam a outros países que mantêm relações com os EUA, como a proibição de qualquer comércio exterior com cubanos usando dólares.
 
Durante todo o restante da Guerra Fria (1945-1991), Cuba recebeu o apoio soviético e de outros países comunistas do Leste Europeu, com vantagens na venda de açúcar acima do preço de mercado e na compra de petróleo.
Porém, o fim da URSS em 1991 agravou a situação econômica imposta pelo embargo, provocando desemprego, racionamento de alimentos e itens básicos, como papel. A renda dos cidadãos cubanos caiu significantemente nesse período.
 
A chegada de Hugo Chávez à Presidência da Venezuela, em 1998, foi um alento para Cuba, que estreitou laços e voltou a receber forte apoio externo. Atualmente, Cuba conta com as vantagens de participar da Alternativa Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), iniciativa da Venezuela, que prioriza o comércio entre países latino-americanos, com pagamentos em dinheiro, mercadorias ou serviços. Pelo acordo, Cuba recebe petróleo venezuelano em condições vantajosas e paga com mercadorias e serviços médicos. (O presidente venezuelano Hugo Chávez tem feito seu tratamento contra o câncer ali).
 
Hoje
 
Desde que sucedeu seu irmão Fidel Castro, e em resposta à piora na situação econômica da ilha com a crise de 2008, Raúl Castro tem realizado reformas que diminuem o controle do Estado sobre a economia, ao mesmo tempo em que procura novos  investimentos e tenta se aproximar de países como Rússia e China.
 
Entre as medidas, autorizou a abertura de cooperativas e pequenos comércios, o direito de os agricultores venderem diretamente parte de sua produção e liberou a venda de imóveis e automóveis entre os civis. Na prática, isso pode significar o início do fim da propriedade coletiva dos meios de produção nas mãos do Estado. O governo também anunciou que fará um corte gradual dos subsídios a alimentos e eletricidade e que vai demitir cerca de 1,3 milhão de funcionários públicos até 2015.
 
Por sua vez, o governo de Barack Obama, apesar de ter renovado o embargo a Cuba, está flexibilizando algumas sanções. Por exemplo, em julho de 2012, uma empresa de Miami, na Flórida, recebeu a permissão de iniciar uma linha regular marítima para remessa de ajuda humanitária ao país. Viagens de norte-americanos à ilha também passaram a ser permitidas.
 
Os EUA não aceitam a presença de um regime comunista em que terras e empresas foram expropriadas e tornadas propriedade estatal a pouco mais de 150 quilômetros de seu litoral. Assim, a ação diplomática norte-americana visa a mudar economicamente o regime, ao mesmo tempo em que pressiona politicamente para terminar com a ditadura de partido único (Partido Comunista Cubano).
 
Entrevista: Professor diz como o tema pode cair no vestibular
O professor Rodrigo Miranda, que dá aulas de História no cursinho Oficina do Estudante, respondeu as questões a seguir:
 
GE: Por que o vestibulando deve prestar atenção à visita de Yoani Sánchez?
Primeiro, é interessante o estudante  perceber o choque de opiniões que a sua vinda tem despertado, o que evidencia opiniões diferentes sobre Cuba. De um lado, uma parcela da população a está apoiando como alguém que representa a crítica à ditadura e à falta de liberdade do regime socialista. De outra, grupos de esquerda a têm condenado. Ao mesmo tempo, a própria autorização de viagem que ela recebeu também indica certa mudança de postura do governo cubano e mostra que ele está passando por um processo de abertura – e isso pode ser tanto propaganda do regime, mostrando que ele está mais aberto, como também uma forma de atrair recursos externos.
 
O senhor acredita que Cuba pode aparecer nos vestibulares? De que forma o tema pode ser cobrado?
Esse é um assunto bastante recorrente no vestibular. Pelo aspecto histórico, sempre exigem essa relação de Cuba com os EUA, a Revolução Cubana e a origem da sua realidade social, econômica e política da ilha. É possível que as questões peçam uma comparação entre o passado e o presente. As provas da Unicamp e USP estão procurando fazer algo mais interdisciplinar, então pode ser que ocorram questões que unam geografia e história.
 
Quais os aspectos mais importantes da história do país?
Costumamos dividi-la em quatro fases: 1) Cuba como colônia espanhola (e aí as perguntas no vestibular podem se referir ao modelo de exploração – no caso, açúcar e tabaco no sistema de plantation). 2) Cuba como ilha independente sob a ditadura que durou até 1959, em um regime pró-Estados Unidos que abriu o país para a exploração americana. 3) Período socialista, quando contou com o apoio da URSS e começou a sofrer o embargo dos EUA. 4) A renovação sob o governo de Raúl Castro, que abriu a economia para o turismo e para captar investimento externo e abrandou restrições à população (como a necessidade de obter autorização do governo para sair do país).
 
Afinal, devemos dizer que Cuba é socialista ou comunista?
Esse é um ponto importante que confunde a muita gente. O regime cubano é socialista. No comunismo, segundo a definição marxista, não há Estado, classes sociais nem propriedade privada – Cuba, no entanto, tem um Estado controlando o país.
 


Postado em 22/02/2013


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