Um tour para desvendar a magia de Harry Potter

BRUNA TIUSSU / LONDRES 

Era naquela área de 14 mil metros quadrados que Daniel Radcliffe colocava seus óculos arredondados e dava vida ao bruxinho mais amado da telona. Também ali, profissionais surpreendiam na reinvenção de espaços: o que hoje era dormitório do castelo de Hogwarts, amanhã seria laboratório de poções. Ou refeitório, pátio de quadribol, loja de varinhas... Foram dez anos de trabalho árduo, recompensados com o sucesso dos oito filmes da saga Harry Potter repercutidos nos cinemas do mundo todo. Tudo feito sem magia alguma. Como você pode conferir em um tour pelo local, que há um ano abriu as portas para visitantes.
 
Tudo pertinho do centro de Londres: são 20 minutos de metrô até a estação de Watford, onde ônibus esperam para levar até o estúdio Leavesden, da Warner Bros.. A partir dali, a viagem será pessoal, de acordo com seu grau de familiaridade - ou seria fanatismo? - com o mundo mágico de Harry Potter.
 
Diferente do que se vê no parque de Orlando, não espere brinquedos eletrizantes. O convite é para percorrer as áreas que serviram de cenário para os filmes, antes restrito à produção. Prepare-se para desvendar os mistérios dos objetos flutuantes, se surpreender com o processo de fabricação das criaturas fantásticas e ficar cara a cara com o castelo de Hogwarts, em escala 1:24 do visto na telona. E caia na tentação de provar a famosa cerveja amanteigada, seja você adulto ou criança - é sem álcool.
 
Refeitório medieval
 
Comprida, com chão de pedra, pouca luz, mesa de madeira e estátuas de animais alados espalhadas pelas paredes, a sala de refeições da escola dos bruxos é o primeiro ambiente do tour. Não fosse pela falta de teto, espaço ali ocupado por guindastes e cabos, seria exatamente como você guardou na memória depois de assistir a algum dos filmes. No fundo da sala, dê um alô para Dumbledore, Minerva, Hagrid e Snape, que compõem a mesa dos professores.
 
Ícones e curiosidades
 
É no chamado Big Room que você fica diante dos grandes ícones do mundo de Harry Potter - e se lembra de um objeto ou outro que sua memória não foi capaz de guardar.
 
Dá para espiar o escritório de Dumbledore e a sala onde os bruxinhos aprendiam feitiçarias, com direito a caldeirões movidos por bastões mágicos. Ficar cara a cara com a vassoura de Harry e entender como ela "voa" ao perceber cabos e um motor. E ainda conferir o primeiro pomo de ouro de Harry, a tal bolinha alada do quadribol que ele domina em Harry Potter e a Pedra Filosofal.
 
Por ali também está a famosa parede de Hogwarts coberta por retratos. São cerca de 350 e, lendo a descrição, você aprende que, se nos filmes representam velhos bruxos e bruxas da escola, na vida real são fotos de funcionários do estúdio. Uma bela homenagem.
 
Comércio cenográfico
 
Instalada para o primeiro longa, Harry Potter e a Pedra Filosofal, o Beco Diagonal logo se tornou a via de comércio oficial da trama. Ao longo dos dez anos de produções, ganhou lojas, perdeu outras, mudou de cor, enfim, foi se adaptando conforme a evolução da saga.
 
Com um ar vintage - além das descrições dos livros de J.K. Rowling, a equipe também se inspirou nas histórias de Charles Dickens para compor a rua - , vitrines perfeitamente moldadas e estabelecimentos especializados em produtos tão fantásticos quanto corujas mensageiras e varinhas mágicas, é uma das áreas que mais transmitem a atmosfera do mundo de Potter.
 
Criaturas fantásticas
 
Difícil não ficar boquiaberto com o que se vê na área dedicada à criação dos seres fantásticos. Técnicas sofisticadas de maquiagem e efeitos visuais estão por toda a parte. Só o rosto de Voldemort, por exemplo, exigia tatuagens temporárias, enchimento nas maçãs do rosto, lentes de contato, sobrancelhas e dentes falsos. Ufa! Já Aragog, a aranha gigante de Harry Potter e a Câmara Secreta, era tão complexa que foram necessários 15 técnicos para sua construção.
 
Pátio multifuncional
 
É no pátio do estúdio que fica a casa onde Harry vivia com seus tios, no número 4 da Rua dos Alfeneiros. Logo ao lado, está o Nôitbus Andante estacionado. Construído com peças de antigos ônibus londrinos, era ele que levava os bruxinhos até a escola de magia, lembra? Outra atração é a Ponte de Hogwarts, a famosa e tortuosa ligação ao castelo. Pelo menos uma parte dela foi construída, cheia de detalhes. O resto ficou a cargo do pessoal dos efeitos especiais.
 


Postado em 26/03/2013


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