História: Novamente o conflito entre as Coreias
O conflito ganhou novos episódios no início de 2013, com o surgimento de ameaças nucleares
 
por Tales dos Santos Pinto
 
A declaração dada pela Coreia do Norte, em 29 de março de 2013, de reforço do estado de guerra com a Coreia do Sul, deixou o mundo em alerta sobre uma possível escalada militar na península coreana. Isto devido às ameaças de ataque nucleares a territórios dos EUA feitas pelo presidente norte-coreano Kim Jong-un, além de ataques ao vizinho do Sul.
 
Por se tratar do acirramento de um conflito histórico, a guerra entre as duas Coreias, iniciada em 1950 e até 2013 ainda não encerrada, pode ser utilizada como tema de algumas provas de vestibulares. Nesse sentido, seria interessante ao vestibulando estar atento tanto aos acontecimentos recentes, através da leitura de jornais, quanto à história do conflito entre Coreia do Norte e Coreia do Sul.
 
O texto pretende auxiliar o vestibulando apresentando um resumo histórico do conflito e as situações recentes na relação entre os dois países, intermediada pela ação de outros países, principalmente os EUA.
 
O conflito na Coreia remete à dominação imperialista da península pelo Japão entre 1910 e 1945. Com a derrota do Japão na região durante a II Guerra Mundial, em decorrência da interferência das forças armadas dos EUA e URSS, cada um dos países passou a controlar uma parte da península, dividida pelo paralelo 38º. O acordo de divisão entre as duas superpotências resultou na formação da República da Coreia do Sul, sob domínio dos EUA, e a República Popular Democrática da Coreia do Norte, apoiada pela URSS e China.
 
A Guerra Fria, iniciada logo após a II Guerra Mundial, e a ascensão ao poder do Partido Comunista Chinês, após a Revolução Chinesa de 1949, gerou um conflito entre os dois países. O ápice das hostilidades se deu com a decisão do governo da Coreia do Norte de invadir a Coreia do Sul, com o intuito de realizar a unificação, em junho de 1950.
 
A Guerra da Coreia tomaria âmbito internacional, com a decisão do Conselho de Segurança da ONU de intervir no conflito contra os norte-coreanos, sob comando dos EUA. Tal decisão levou a URSS e a China a apoiarem as ações da Coreia do Norte. A Guerra da Coreia mostrava ao mundo, de forma prática, a bipolarização entre as esferas de influências dos EUA e da URSS.
 
Os confrontos diretos entre os exércitos deixou um saldo, entre os militares, de 300 mil baixas para os sul-coreanos, dezenas de milhares para as forças estadunidenses e da ONU e entre 1,5 e 2 milhões de baixas para os chineses e norte-coreanos. Morreu ainda um milhão de civis entre a população das duas Coreias. Estes números mostram a profundidade do impacto da Guerra da Coreia na população da península coreana.
 
A guerra foi suspensa em 27 de julho de 1953, após a morte de Stálin, que possibilitou uma reaproximação da URSS com os EUA. O armistício de Pan Munjon suspendeu a guerra, mas não colocou fim a ela, sendo que em 2013 ainda está declarada, mantendo as fronteiras entre os dois países próximas ao paralelo 38º.
 
Após a suspensão do conflito, os rumos tomados pelos países foram divergentes. A Coreia do Norte foi governada pela “dinastia Kim”. Kim Il-sung governou de 1945 até 1994, quando foi sucedido por seu filho, Kim Jong-il. Este, por sua vez, morreu em 2011 e foi sucedido por Kim Jong-un, seu filho. A aproximação com a URSS garantiu à Coreia do Norte ser suprida de suas necessidades econômicas e militares pela potência soviética. Porém, com o fim da URSS em 1991 e do auxílio prestado, sua economia entrou em franco declínio, aprofundado pelo fato do país não estabelecer laços comerciais e diplomáticos com quase nenhum país além da China e Rússia. Os enormes gastos em armamentos aprofundam os problemas econômicos, levando a população a viver em péssimas condições de vida e, em muitos casos, em situação de fome.
 
A Coreia do Sul desde a suspensão da Guerra da Coreia viveu governada por uma sucessão de governos ditatoriais e corruptos, marcados por diversos golpes militares e a utilização da oposição ao vizinho do Norte como forma de manter o poder. No final da década de 1990, o país conheceu uma maior estabilidade política. No aspecto econômico, a Coreia do Sul foi auxiliada pelos países do capitalismo ocidental, principalmente os EUA, que realizaram vultosos investimentos na economia do país, proporcionando um profundo desenvolvimento econômico e social, sendo um dos principais “tigres asiáticos”.
 
A diferença entre a economia e a sociedade dos dois países reflete também o colapso da Guerra Fria, com o capitalismo da esfera estadunidense se mostrando mais eficiente que o capitalismo da esfera soviética.
 
As relações entre as duas Coreias durante a década de 2000 foram contraditoriamente marcadas pela aproximação econômica, de um lado, e pelo acirramento militar de outro.
 
Esta aproximação militar pode ser vista na criação do parque industrial conjunto em Kaesong, do lado norte-coreano da fronteira. Financiado por capitalistas sul-coreanos, o parque abriga diversas indústrias, sendo a maioria pequenas empresas sul-coreanas que atuam na área manufatureira produzindo roupas, calçados, relógios e utensílios de cozinha, entre outros. Mais de 50.000 trabalhadores norte-coreanos laboram neste parque. Como resposta às ameaças feitas por ambos os lados em conflito, o presidente Kim Jong-un fechou a entrada do parque intercoreano em 03 de abril de 2013, impedindo que 800 sul-coreanos adentrassem na área industrial.
 
Mas o maior receio está ligado à escalada das ações bélicas. Em 12 de fevereiro de 2013, a Coreia do Norte anunciou ter realizado com sucesso um terceiro teste nuclear no campo de Punggye-ri, situado na região nordeste do país. Os dois primeiros testes ocorreram em 2006 e 2009. Em 12 de dezembro de 2012, o governo norte-coreano havia realizado um teste com um foguete espacial, considerado por especialistas como um míssil balístico de longo alcance. Frente a isso, a ONU promulgou novas sanções ao país do Norte, em 7 de março de 2013. A nova sanção acarretará uma piora das condições sociais da população norte-coreana e servirá como argumento para os discursos belicosos de ambos os lados. Desde então o governo norte-coreano tem ameaçado diariamente atacar os EUA e a Coreia do Sul. Por outro lado, os dois países realizam constantes manobras militares no mar e em terra, na região próxima à fronteira entre os dois países.
 
A ameaça do governo norte-coreano, feita em 02 de abril, de reativar o reator nuclear de Yonbyon tem piorado a situação. Utilizando tecnologia soviética para a produção de energia nuclear e com capacidade de 5 megawatts, o reator foi utilizado para produzir armamento atômico. Em 2007, a torre de resfriamento foi destruída, mesmo estando à época já obsoleta. A ameaça de agora estabelece a reconstrução da torre de resfriamento como início de reativação do reator de Yonbyon. O reator é capaz de enriquecer plutônio, mas há interesse em reativar uma usina de enriquecimento de urânio com o discurso de resolver os graves problemas energéticos do país e também intensificar sua produção bélica nuclear.
 
Frente a essas ameaças, o governo dos EUA enviou à região do Pacífico dois grandes navios de guerra, os destróieres USS John McCain e USS Decatur, com o intuito de se mostrar pronto para um eventual ataque à Coreia do Norte, como para evitar que mísseis lançados pelos norte-coreanos cheguem a territórios dos EUA, já que equipamentos antimísseis também serão instalados na ilha de Guam.
 
A própria Coreia do Sul vem, há algum tempo, realizando testes com mísseis de longo alcance, que poderiam atingir o vizinho do Norte.
 
Toda essa situação mostra que o conflito coreano ainda está vivo e que pode ter desdobramentos nefastos. Além da preocupação com a escalada bélica da região, o vestibulando deve ter em mente que a importância do conflito pode resultar em algum conteúdo cobrado pelos vestibulares neste ano de 2013.
 


Postado em 10/04/2013


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