Artigo - Nós e a dengue

Lucila Cano 

Esta não é a primeira vez que escrevo sobre a dengue. Vira e mexe o assunto volta à pauta, não por vontade nossa, mas pela resistência do mosquito. Embora longeva, foi a partir de 1986 que todo ano a dengue passou a ser notícia entre nós.
 
Os indicadores da resistência são variáveis, mas a doença tende a acompanhar o aumento da população e a crescente urbanização do país.
 
Em 2002, página do Ministério da Saúde informava: "A Organização Mundial da Saúde [OMS] estima que entre 50 a 100 milhões de pessoas se infectem anualmente, em mais de 100 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550 mil doentes necessitam de hospitalização e 20 mil morrem em consequência da dengue".
 
Em 2003, o ministério divulgou que tivemos cerca de 300 mil notificações de dengue no Brasil. Dez anos depois, e apenas nos primeiros meses do semestre (até meados de março), foram registradas 132 mortes e mais de 714 mil casos da doença no país, segundo boletim da Agência Brasil em 28 de abril.
 
O que há de novo
 
A informação continua sendo a grande arma das autoridades de Saúde contra a dengue. Agora sabemos, por exemplo, que o mosquito Aedes aegypti voa baixo e, por isso, pica os membros inferiores com frequência, inclusive por cima das calças compridas. Uma medida preventiva é usar repelente o tempo todo nos pés e pernas, mesmo que essas partes estejam cobertas.
 
Outra informação preciosa foi dada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo ele, as pessoas com mais de 60 anos estão mais vulneráveis à dengue. O risco de a doença evoluir para caso grave ou óbito é 13 vezes maior entre os integrantes desse grupo. Para eles, todo cuidado é pouco.
 
Alentadora é outra notícia divulgada pela Agência Brasil, de acordo com informação da pesquisadora Denise Valle, do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz. Ela diz que Cingapura, no Sudeste Asiático, conseguiu praticamente zerar a epidemia de dengue com uma campanha de mobilização que contou com o suporte de 16 mil voluntários. Durante seis finais de semana seguidos, eles orientaram a população a eliminar os criadouros do Aedes aegypti. Isso, porque o ovo do mosquito leva de sete a dez dias para se desenvolver. Se o ciclo de reprodução for interrompido semanalmente, a proliferação do mosquito será reduzida.
 
Com base nesse modelo, a Fiocruz relançou a campanha "10 minutos contra a dengue", criada em 2011. A proposta é simples: dedicar 10 minutos por semana para limpar os criadouros. As orientações estão em um folheto que pode ser acessado no www.ioc.fiocruz.br/dengue/. 
 
Individual e coletivo
 
Enquanto Cingapura tem população pouco maior que 5 milhões de habitantes, o Brasil segue rápido para a casa dos 200 milhões. As diferenças entre os dois países são grandes. Mas, nosso time de voluntários também é expressivo. Se a proposta da Fiocruz pudesse contar com a adesão de grupos de voluntários durante igual período de seis semanas, ainda que a título de amostragem, teríamos como medir a eficácia do modelo asiático.
 
Já sabemos que o mosquito da dengue tem preferência pelo ambiente doméstico. Assim, a responsabilidade maior pela eliminação dos criadouros recai sobre as famílias, as donas de casa, os empregados domésticos. No entanto, toda casa tem vizinhos, toda vizinhança partilha ruas, que formam bairros, que fazem uma cidade.
 
A falta de coleta de lixo, de saneamento e de água encanada contribui para a proliferação da dengue e demanda soluções de outros agentes, além da soleira de cada casa. Falo das obrigações dos governos para com os brasileiros, mas lembro que todas essas ações só se tornarão efetivas a partir da soma do individual com o coletivo.
 
Recentemente, alguns proprietários de empresas de reciclagem foram presos no Paraná. Eles deixaram recipientes (pneus, por exemplo) em local aberto a sol e chuva, ou seja, ideal para a criação do Aedes aegypti. Moral da história: cuidar do meio ambiente pode gerar lucro, mas é preciso ter consciência.
 
* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.
 
LUCILA CANO é Colunista especialista em temas relacionados ao 3º setor. 
 
Fonte: UOL Educação. Texto publicado em 10/05/2013.


Postado em 13/05/2013


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