Gilberto Freyre explicou o descobrimento do Brasil em texto para as crianças

DE SÃO PAULO

Gilberto Freyre foi um dos principais escritores e sociólogos do Brasil e escreveu livros importantes, como "Casa Grande e Senzala". Mas ele também escreveu para crianças. Há 30 anos, em 1983, Freyre publicou um texto na "Folhinha" em que explicava com uma linguagem simples como aconteceu o descobrimento do Brasil. Gilberto Freyre morreu quatro anos depois, em 1987. Leia a íntegra do texto publicado na "Folhinha" de 1º de maio de 1983.
 
HISTÓRIAS DE UM AVÔ
 
Quem foi que lhe disse, menino brasileiro de hoje, que História do Brasil é uma chatice que só fala de datas e de nomes para serem decorados?
 
Aqui está um avô que conta aos netos coisas dessa História que nada têm a ver com essas datas e com esses nomes difíceis de decorar.
 
Pedro Álvares Cabral? Um bom portuga barbudo chamado Pedro que navegava por mares mais misteriosos que os de hoje e que um sopro ainda mais forte de vento sobre seu navio a vela fez que chegasse a uma terra ignorada.
 
Descendo com outros portugas, entre eles um frade franciscano, tomou conta dessa terra para o seu rei de Portugal, fazendo o frade rezar a primeira missa que se rezava nesse estranho lugar cheio de mata.
 
O padre fez o pelo-sinal. Falou em latim. Os outros portugueses repetiram o pelo-sinal e se ajoelharam. Mas a missa foi também ouvida imagine-se por quem? Por índias e índios nus, que eram os moradores da terra descoberta por Pedro.
 
Alguns desses índios também viram e ouviram o frade fazendo o pelo-sinal e dizendo a missa. E de pé ou trepados em árvores, entre elas árvores de pau-brasil, ouviram e receberam os portugas, quase todos barbudos, como se recebessem amigos.
 
Assim começou o que veio a ser o Brasil: terra de pau-brasil, de araras, de papagaios, de muito verde, de muitos rios, de muitas terras boas para nelas se plantar plantas além das plantas que já havia. Pau-brasil, caju, mandioca, outras novas, o país descoberto.
 
Os bons dos portugas simpatizaram com os também bons índios que os receberam e acharam as índias bonitas. Morenas como eram, talvez lhe tivessem lembrado aquelas mouras encantadas de que, em Portugal, haviam ouvido falar desde meninos.
 
Talvez um Manuel portuga tenha dito para outro Manuel portuga: "Olha, Manuel, não é que parece que estamos entre mouras encantadas a nos receberem?"
 
Foram decerto bem recebidos. Isto mesmo um dos portugas escreveu para o rei de Portugal, que era outro Manuel num país em que quem não fosse Manuel era Pedro ou João ou principalmente Antônio por causa de santo Antônio.
 
O que escreveu a carta, porém, era Pero e soube contar o que viu em terra estranha.
 
GILBERTO FREYRE é um dos mais conhecidos e discutidos escritores e sociólogos do Brasil, autor de "Casa Grande e Senzala", entre outras obras. Aos 83 anos de idade, está planejando escrever uma História do Brasil para crianças e este texto será transformado em um dos capítulos desse livro, o primeiro que fará para o público infantil.
 


Postado em 20/05/2013


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