Bater prejudica a saúde da criança a longo prazo, diz pesquisa
Estudo mostra que a agressão física aumenta as chances de a criança desenvolver obesidade, artrite e doenças cardíacas no futuro. Saiba por que bater não educa e como colocar limites para seu filho do jeito certo
 
Por Bruna Menegueço 
 
Se você ainda acha que tudo bem dar uma palmada no seu filho, mais um estudo acaba de comprovar que nenhum tipo de agressão ajuda na educação das crianças. Pelo contrário. Pode prejudicar a saúde do seu filho a longo prazo.
 
Foi exatamente isso que os pesquisadores da Universidade de Manitoba, em Winnipeg, no Canadá, descobriram ao analisar os dados de saúde pública fornecidos pelo governo de mais de 34 mil adultos entre 2004 e 2005.
 
De acordo com os cientistas, aqueles que sofreram algum tipo de agressão na infância, como tapas ou empurrões, tiveram mais chance de desenvolver obesidade (31% contra 26%), artrite (22,5% contra 20%) e doenças cardíacas (9% contra 7%) do que aqueles que foram educados sem nenhum tipo de violência.
 
De acordo com o pesquisador Tracie Afifi, que liderou o estudo, o resultado mostra uma associação entre a agressão e o desenvolvimento de problemas de saúde.
 
Para a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo (SP), a educação não passa, em nenhum momento, pela agressão física ou verbal. “O tapa intimida, dá medo, mostra quem é o mais forte. Bater reprime, não educa. Encurta a conversa – mata a possibilidade de que o diálogo exista. Bater cala a boca da discussão e desperta a mágoa”, reflete Rita.
 
Quando a criança é agredida, ela se sente humilhada e não consegue relacionar o motivo da violência ao que fez para provocar aquilo. Sente medo e isso pode gerar traumas no futuro. “O estresse causado pela agressão pode, sim, provocar angústia, baixa autoestima, depressão. E quantos estudos nós já vimos que relacionam problemas emocionais à obesidade? Consequentemente, o excesso de peso pode causar outros problemas, como as doenças cardíacas e a artrite, que são relatadas no estudo”, explica a pediatra Teresa Uras, do Hospital Samaritano (SP).
 
E essas não são as únicas consequências que a violência física e verbal pode trazer à vida do seu filho. A criança que apanha também pode ter dificuldades para respeitar e receber ordens, já que foi controlada pela força física. Ou seja, ela aprendeu a obedecer para não apanhar ou somente depois de levar uns tapas. Assim, na ausência do castigo físico, perde as referências de até onde pode ir.
 
Não é só seu filho que perde ao ser agredido. Quando você parte para agressão está reconhecendo que ficou impotente diante da atitude da criança. Mostra claramente que perdeu o controle de si mesmo e a agressão passa a ser a única maneira de manter a autoridade. Além disso, depois de bater muitos pais se arrependem. Essa atitude contraditória não é positiva para a criança.
 
Então, qual é o jeito certo de educar? Para o psicanalista Francisco Daudt da Veiga, os castigos, quando bem aplicados, atendem ao senso de justiça que todas as crianças têm, enquanto a falta de punição, pelo contrário, as desorienta.
 
Para aprender, seu filho precisa entender a relação entre o que fez e a consequência. A punição deve acontecer no mesmo momento, pois as crianças têm uma visão imediatista: ainda não aprenderam a pensar a longo prazo.
 
Na prática, isso significa que, assim que se o seu filho jogar o brinquedo no chão durante um ataque de birra, o melhor a ser feito é tirar o objeto do seu alcance por alguns minutos. Com o passar do tempo, ele pode ficar sem TV, sem computador e sem outras coisas de que gosta e até o seu olhar sério e quieto vai ser suficiente para fazê-lo entender que aquilo que ele fez não foi legal. Isso, sim, é educar!
 
Mais 4 razões para não bater no seu filho
  • Pais que adotam a palmada passam a mensagem de que os problemas podem ser resolvidos na base da força física.
  • Se a criança já não responde da mesma forma às palmadas, castigos físicos cada vez mais severos podem ter início.
  • Quem apanha tem mais chance de se tornar um agressor.
  • Nos casos mais graves, a criança pode desenvolver dificuldade de aprendizagem, postura de medo em relação aos pais e sequelas físicas. 

Fonte: Revista Crescer


Postado em 06/08/2013


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