Intercâmbio: seja qual for o destino, a moda é aprender uma nova língua em família
Canadá, Inglaterra, Nova Zelândia, Estados Unidos. O destino é o de menos. Pais e filhos agora
viajam juntos para aprender idiomas e partilhar a experiência de morar em outro país
 
por Mariana Shirai 
 
A estudante paulista Danielle Paulino, 22 anos, viu a neve pela primeira vez no ano passado. Da sala onde assistia a uma aula de inglês, ela viu os primeiros flocos finos caírem do céu. A posição também lhe permitia ver o pai, o engenheiro Ivair Paulino, 42, através de uma parede de vidro, acomodado em outra sala de aula. Ele também nunca tinha visto nevar. Afoita, Danielle gesticulou para Ivair, conseguiu chamar a atenção dele e apontou para o jardim do lado de fora. Queria dividir a emoção do momento. “Foi uma experiência maravilhosa. Vamos lembrar para sempre”, conta o pai. No ano passado, eles decidiram viajar juntos para aperfeiçoar o inglês no Canadá. Como trabalha em uma multinacional, precisava afiar o idioma e convidou a filha para a viagem. “Em breve Danielle começará a vida profissional e um bom inglês fará diferença”, afirma ele. Deixaram o restante da família no Brasil e ficaram um mês em Calgary, no leste do país. “Foi incrível. Mas no final estava com saudade de casa. O fato de meu pai estar perto ajudou”, revela Danielle. Pai e filha voltaram com o inglês turbinado.
 
Os intercâmbios, antes mais dirigidos a adolescentes, viraram programa de família. Os pacotes são procurados principalmente por adultos que, como Ivair, precisam aprimorar alguma qualidade profissional e aproveitam para dividir a vivência com os filhos. As agências de viagem e as escolas no exterior estão se adaptando a essa demanda. A francesa Accord, em Paris, por exemplo, oferece cursos de até sete semanas em que pais têm aulas enquanto as crianças contam com uma programação voltada só para elas. No ano passado, a agência Student Travel Bureau precisou criar um novo sistema de acomodação. Os programas de intercâmbio tradicionais incluíam hospedagem em casas de família em cidades pequenas, mas os pais preferem ficar em apartamentos com os filhos em cidades grandes, que proporcionam atrações para toda a família. Segundo a STB, a procura pelos intercâmbios em família aumentou 80% em 2011. “O mercado de trabalho dá preferência a quem fala mais de uma língua. Os jovens vão atrás dessa capacitação e os adultos querem se atualizar”, diz Marcia Mattos, gerente da STB. No ano passado, 215 mil brasileiros fizeram cursos no exterior, de acordo com a Associação Brasileira de Operadores de Viagens Educacionais e Culturais. Em 2012, esse número deve chegar a 282 mil.
 
Para a dona de casa paulistana Isabel Pimentel, 50 anos, fazer um intercâmbio com o marido e os três filhos, na época com idades entre 17 e 22 anos, foi uma oportunidade de experimentar um cotidiano diferente. Acostumados a realizar viagens mais curtas para o exterior, os Pimentel decidiram passar uma temporada vivendo como uma família londrina em 2010. Matricularam-se em diferentes escolas e ficaram 40 dias na Inglaterra. Alugaram um flat no centro da cidade. Sem ajuda de empregadas, a viagem incentivou os garotos a se arriscar na cozinha. “Saíamos da aula e virávamos turistas”, conta o caçula, Thomaz. A família foi a musicais e shows. Viram duas apre sentações de Paul McCartney e foram a Liverpool, cidade dos Beatles. “Eles não são crianças e raramente passamos tanto tempo juntos”, afirma o pai, Tony, 55 anos, empresário. “Foi uma experiência de aproximação total.” Mas a família preservou as diferenças. “Se íamos a bares ou baladas, meus pais ficavam em casa”, diz Julio, o mais velho.
 
A psicanalista Audrey Setton de Souza, professora do Departamento de Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade da Universidade de São Paulo, considera o intercâmbio em família positivo principalmente para crianças até 12 anos. Mas questiona a viagem feita com adolescentes. Ela avalia o intercâmbio como um exercício de autonomia, e isso é anulado quando o jovem está acompanhado dos pais. “É preciso saber claramente o objetivo do intercâmbio. Se for o desejo de melhorar um idioma em um aprendizado em conjunto, muito bem. O que não pode é infantilizar o adolescente.”
 
Fonte: Revista CLAUDIA - publicada em 22/07/2013. 


Postado em 14/08/2013


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