A importância de ter um irmão
Seja biológico, adotivo, gêmeo ou até aquele amigo que vira um irmãozão, não importa.
O que vale é incentivar a cumplicidade entre eles
 
Por Bruna Menegueço
 
Vai ser duro ver as discussões, ouvir os gritos, apartar as brigas, mas a recompensa virá quando você chegar em casa e encontrar seus filhos brincando juntos. Ou ao perceber aquele olhar de cumplicidade entre eles quando fazem algo que não deveriam. Se ter um irmão é um ensaio para a vida, é natural que haja altos e baixos. E há também espaço para uma variedade de sentimentos, da admiração à inveja. A convivência é uma oportunidade para errar, testar o limite do outro, aprender a ter paciência, a admirar, a se frustrar e a amar. Esse, aliás, é o desejo de todos os pais em relação a seus filhos.
 
Essa companhia tem muita função. É com os irmãos que a criança tem mais chances de aprender a se socializar e enfrentar o mundo, enquanto os pais ficam com a tarefa de transmitir valores. Ou seja: no cotidiano, eles prestam atenção no que o outro está fazendo, na experiência vivida, no exemplo a ser seguido. Cabe aos pais a orientação mais ampla, a direção dos caminhos, formar caráter. E com o irmão, por exemplo, ele aprende a encarar melhor os primeiros dias na escola, a andar de bicicleta, a desenhar um cachorro “daquele” jeito...E não importa a ordem de nascimento: caçula, do meio ou primogênito, todos aprendem uns com os outros.
 
Pra que tanta discussão?
Gêmeos tão, mas tão diferentes que se tornam rivais; irmãs que disputam a atenção dos pais da infância à vida adulta. Sim, parece uma novela do Manoel Carlos acontecendo aí na sua casa. Só que, por mais que deixem os pais malucos, brigas entre irmãos acontecem. “Antes de perder a paciência, lembre-se do que eles podem aprender com o conflito. Deixe que conversem, discutam, negociem e resolvam sozinhos. Assim aprendem a barganhar, a ceder, a trocar e a se amar”, diz a psicoterapeuta familiar Blenda Oliveira.
 
Se algo passar do limite, claro, você vai intervir. Mas note que, muitas vezes, a briga é sinal de afeto. Mais difícil é quando os irmãos simplesmente se ignoram. “Sem brigas, mas com a possibilidade de um relacionamento no futuro frio e distante”, diz a psicóloga Laurie Kramer em Filhos, Novas Ideias sobre Educação (Ed. Leya).
 
Algumas vezes parece que irmãos se amam e odeiam, tudo ao mesmo tempo. E o fato é que as brigas esticam o estresse para a família inteira. A administração é difícil, mas tem que ser feita. “O fundamental é procurar ser justo e saber que, apesar de irmãos, são pessoas diferentes e irão se desenvolver de acordo com as próprias características”,afirma Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo (SP). Para ela, a comparação também deve seguir critérios. “Pode gerar rivalidade ou um desinteresse, como se a criança pensasse ‘nem vou tentar porque meu irmão é melhor do que eu mesmo...’”, diz a especialista. Embora trate-se de uma reação ao comportamento dos filhos, os pais têm uma função ainda mais importante ao observar cada um. Se não somos todos iguais, nada de tratamento em série. E a observação do adulto pode incentivar o respeito mútuo e garantir tratamento individual a cada filho.
 
Pode comparar?
Comparações não são de todo ruins. Fazem parte. “É importante evitá-las para não viver apenas em função disso. Se acontecer, não adianta sentir culpa. Somos comparados por toda a vida: na escola, temos que tirar boas notas e ter o melhor comportamento; quando nos apaixonamos, o amado pode querer ou não corresponder; para a faculdade, há sempre um processo seletivo, e no trabalho são escolhas o tempo todo”, diz a psicoterapeuta Blenda. Irmãos gêmeos sofrem ainda mais com isso porque todo mundo busca as pequenas diferenças entre eles.
 
Outras diferenças
E quando a personalidade é diferente demais e os irmãos não conseguem encontrar uma parceria? O papel dos pais, nesses casos, é incentivar o respeito, em primeiro lugar. Mas vez ou outra, você se pega pensando se não está realmente favorecendo um em detrimento do outro. Pensa até se tem alguma predileção entre os filhos -mas tudo pode ser apenas uma reação. No livro Não Somos Iguais (Ed. Globo), a psicóloga Judith Harris analisou pesquisas que apontavam que o tratamento desigual dos pais em relação aos filhos não causavam as diferenças entre um e outro. “Uma criança muito ativa provavelmente será disciplinada mais duramente que a quieta”, diz.
 
Diferença, respeito,amor, inveja, rivalidade, admiração são palavras que fazem parte do relacionamento entre irmãos – e não podem ser ignoradas pelos pais. Está tudo ali. Uma relação para a vida toda, que vai acontecendo a cada aniversário, discussão, viagem, brincadeira. Uma briga ou outra vai acontecer. São irmãos, têm intimidade para isso. E estarão ligados para sempre.
 
Fontes: Francisco Daudt, psicanalista, autor do livro Onde foi que eu acertei – o que costuma dar certo na criação dos filhos (editora Casa da Palavra) e Fátima aparecida silva, psicóloga especialista em terapia familiar
 
Fonte: Revista Crescer - atualizada em 22/02/2013. 


Postado em 23/08/2013


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