Não basta se tornar pai para saber como educar
Confira entrevista com o psiquiatra e educador Içami Tiba
 
Educar um filho é talvez o primeiro desafio dos pais quando uma criança nasce. Com a constante mudança de valores da família e do comportamento dos pequenos, fica difícil saber como lidar com a culpa dos pais, o afeto e a rebeldia da gurizada. 
 
Jornal Zero Hora - Por que a transição da infância para a adolescência é tão difícil para os pais?
Içami Tiba - Os filhos ficam independentes e começam a fazer as coisas sem eles. Os pais que não estão preparados para uma educação verdadeira, por falta de informação. Educação é tornar os pais desnecessários. Aí o pai e a mãe ficam com a sensação de só financiar e não curtir essa fase com eles. É uma geração de pais perdidos. Não basta se tornar pai para saber como educar. Eles têm de se informar sobre educação. Não adianta culpar os hormônios dos filhos pelo caos. Os pais querem tratar o filho da mesma forma que há cinco anos. Não dá. Eles já não são as mesmas pessoas.
 
É preciso reinventar a identidade paterna?
Não é reinventar. É aprender. Filho não é prolongamento dos pais. Filhos são pessoas com vida própria. E o pai tem de respeitar isso e orientar. Tem de cobrar boa nota, organização, colaboração. Sem negociar. Isso é obrigação dos filhos. Os pais querem que os filhos tornem-se grandes homens, mas que alicerces eles dão? E não é mandando. O "quem manda aqui sou eu" não cola.
 
Os pais pecam mais pelo excesso ou pela falta?
Os dois. Beiram quase a negligência: o não fazer por não conhecer. Não é chefiar os filhos, é liderar. Tem de delegar função para o adolescente. Eles precisam sentir a responsabilidade, a confiança de que vão cumprir o combinado. Não é porque tem empregada que não precisa arrumar o quarto - porque, no dia que a empregada falta, é a mãe quem vai arrumar. O que ele aprende com isso? Se não arruma o quarto, não ganha a chave do quarto. Isso é amor, é educação.
 
A fama de super-proteção das mães é justa?
A mãe tem de saber que a sua melhor função na vida é se tornar inútil na vida do filho. Os tempos são outros, não se pode transformar o filho em um herdeiro que espera a mãe fazer tudo por ele. Que segurança em si esse jovem vai ter? O jovem inseguro se deixa viciar: por drogas, por internet, por televisão.
 
Por que existe tanta dificuldade em se ter uma comunicação eficaz com os filhos?
Os jovens são de outra geração. Os pais têm de se tornar interessantes, têm de conversar com o filho como se fosse um happy hour. Falar da vida, contar casos engraçados. O pai que chega em casa sempre mal-humorado e monopoliza o controle remoto não pode querer que o filho goste de conversar com ele. Essa empatia abre o canal para a comunicação.
 
Há receita para as conversas sérias?
É só falar com sinceridade e sem rodeios. O assunto drogas, por exemplo. Tem de ter conversa, mas, sobretudo, ação. Muita gente educa o filho para que use drogas. A vida inteira deixaram o filho fazer o que achava bom, o que lhe dava prazer. O filho não queria estudar porque não achava gostoso. Só queria comer porcarias porque é mais gostoso. Como você espera que ele negue drogas se o critério é o prazer e não o que é certo?
 
Tarefa de casa para pais e filhos: 
  • Comunique-se positivamente. Ninguém gosta de ser avaliado constantemente.
  • Use afirmações reflexivas e solidárias.
  • Ajude o adolescente a explorar as alternativas.
  • Adolescente deve ter deveres, que não devem ser premiados quando cumpridos. São obrigações, não favores.
  • Converse sobre trivialidades, compartilhe experiências.
  • Cumpra o combinado.
  • Estimule-os a se sentirem úteis. Delegue funções.
  • Estudar é obrigação. Se vai mal na escola, perde todas as regalias.
  • Não deprecie o adolescente. Elogie sempre que uma boa oportunidade aparecer.
  • Adolescentes e pais aprendem os hábitos de cada um.
  • pai superprotetor diminui as oportunidades de aprendizagem do filho.
Fonte: Jornal Zero Hora - Porto Alegre
Data: 26/10/2009


Postado em 09/09/2013


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