Temos vários alunos começando agora a vida escolar. Confira dicas para ajudar você e seu filho a lidar melhor com esta nova fase

O choro, aliás, pode levar uns dias para chegar. Muitas crianças se divertem tanto com as atrações da escola – brincadeiras, aulas de música, novos amigos – que demoram a entender que é “para sempre”. “Mesmo que a criança demonstre não estar precisando dos pais, é fundamental que eles fiquem na escola nos primeiros dias, justamente para que, quando ela se der conta de que não é simplesmente um parquinho novo, fique a lembrança de que os pais estiveram ali”, afirma Ana Paula Yasbek, diretora do Espaço da Vila (SP). Foi o que fez a dona de casa Tiffany Stica, nos primeiros dias de adaptação de Caio, na época com 3 anos.

Eles haviam passado uma primeira tentativa bem frustrante e estavam esperando o pior na nova escola. No primeiro dia ele ficou bem desconfiado, mas logo se integrou, e mesmo com praticamente o filho mandando a mãe embora, ela ficou. O preparo antes de tudo contou muito. “Fomos com ele na escola e meu marido e eu falávamos muito do que ele iria viver lá, da nova professora e dos amigos, de como era o lugar, das brincadeiras, tudo que a gente sabia”, conta ela. Outro truque que Tiffany não abriu mão foi do uso do objeto de transição de Caio, um cachorro de pelúcia que ele amava mais que tudo. “A professora disse que foi fundamental. Com o ursinho ou o cheirinho, as crianças podem conversar, desabafar, ficar abraçados e, quando possível, dormir junto.”

A fase de desenvolvimento desse novo aluno faz toda a diferença. Quando acontece logo após a licença-maternidade, o bebê não sente tanto conscientemente, mas nem por isso é mais fácil. “Os dois lados devem ter muita sensibilidade e calma”, diz a pedagoga Ana Paula Yasbek. No momento da introdução da papinha – pensando no bebê de 5 ou 6 meses –, por exemplo, o trabalho será em conjunto: os pais iniciam em casa, e a escola ajuda também. Agora, se ele estiver com 8 meses, já pode ter um pouco de choro, porque já é capaz de notar que a mãe “sumiu”.

A partir de 1 a 2 anos, a rotina é muito importante. E não apenas para a criança se familiarizar com a escola, mas também para que ela se sinta segura e que as atividades sigam sem atropelos. E se for mais velha, a criança fala mais e terá recursos para apontar a dificuldade. “A professora pode ir também aguçando a curiosidade da criança, deixando uma ‘surpresa’, como ler uma parte de um livro, ou falar de uma atividade do dia seguinte”, afirma a pedagoga Daniela Munerato, orientadora de Educação Infantil da Escola da Vila (SP).

De ambos os lados, filhos e pais querem se sentir amados. Há uma comovente história que virou um best-seller nos Estados Unidos e há mais de 15 anos vem ajudando crianças, pais e professores nessa fase. Em The Kissing Hand (algo como O Beijo na Mão), a autora Audrey Penn conta a história de um guaxinim que fica muito inseguro e ansioso no dia que antecede o primeiro dia da escola. A mãe, para confortá-lo, revela que tem um segredo para ele ficar bem e beija a palma da mão do filho. Depois, diz que ele, toda vez que se sentir sozinho, poderá colocar a mão no rosto e lembrará o quanto ela o ama. A história reserva ainda um final especial. O pequeno guaxinim, antes de sair, pega a mão da mãe e dá um beijo nela. Afinal, ela também precisa dessa garantia de amor a vida toda, em todo e qualquer tipo de separação. É ou não é?

Para dar tudo certo

• Comece a preparar seu filho uma semana antes do início das aulas, acertando os horários de acordar, das sonecas e refeições, conforme será a partir da rotina com a escola.

• Combine com a escola como será a adaptação, que sempre deverá ser gradativa – uma ou duas horas no primeiro dia, por exemplo – e ir aumentando de acordo com a reação da criança.

• Prepare-se para ficar na escola no período de adaptação. Se não puder ser você, alguém em quem a criança confie e tenha fortes laços, para ela se sentir mais segura. Mas é interessante que a mãe, por exemplo, não tire férias para isso, porque, senão, nunca vai sentir como seria “de verdade”, ou seja, a família não consegue entrar na rotina, o que é muito importante nessa fase.

• Envolva-o nos preparativos para a escola. Ele pode saber sobre os itens que serão levados, ajudar a preparar a mochila, curtir cada detalhe.

• Conte a ele o que irá encontrar na escola: pode ser desde os novos amigos até as aulas de música, ou uma casa na árvore. Também é ótimo que a escola saiba particularidades da criança (seus medos, se tem algum animal de estimação).

 

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Cristiane Rogerio e Thais Lazzeri

CONFIANÇA Para que seu filho se sinta bem na escola, você precisa confiar nela também. Quando o seu jeito de pensar é parecido com o da escola, a adaptação da criança tende a ser mais tranquila. Tente entender ao máximo o projeto pedagógico adotado para acreditar que eles podem, sim, cuidar da educação do seu filho.

TROCA Conhecer outros pais que estão passando pelo mesmo momento e compartilhar as angústias pode acalmá-lo. Pais que têm filhos mais velhos podem contar como passaram por essa fase com sucesso.

DIÁLOGO Converse e esclareça todas as dúvidas com a escola. Entre em detalhes, não deixe nada para se preocupar depois, em casa.

CHORO É comum e seu filho pode repetir a dose por vários dias. Por isso, a sua companhia no início da adaptação é fundamental. Aos poucos, ele vai se sentir seguro e entrar na escola sem dramas.

DESPEDIDA Você vai, gradativamente, ficar menos tempo com seu filho durante as primeiras semanas na escola. Não deixe que ele perceba o seu sofrimento.

PACIÊNCIA As crianças têm ritmos diferentes, lembra-se? Na adaptação escolar é a mesma toada: há algumas que levam dias e outras, meses. E você é quem temde entender isso, não ela.

CULPA Seja qual for a decisão que levou à matrícula, saiba que é comum demais os pais se sentirem culpados. Trabalhar fora ou se esforçar para a criança aumentar seu ciclo social não é um mal que você está fazendo a ela; observe isso sempre.

Fonte: Revista Crescer


Postado em 27/01/2012


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