O seu filho precisa de alimentos fortificados?
A oferta desses produtos não para de crescer. Saiba como usá-los em benefício da saúde da criança
 
Por Bruna Menegueço
 
Vitaminas, ômega 3, ferro, cálcio, probióticos... Quantos produtos não prometem oferecer nutrientes fundamentais para a saúde do seu filho? Se por um lado há interesse da indústria de deixar tudo “super”, existe uma tendência, tanto de alguns produtores quanto do consumidor, contrária a tudo isso, de buscar uma alimentação mais natural (até papinha orgânica é possível comprar pronta!). Sim, esses produtos ainda são mais caros, mas os enriquecidos também não são baratos quando comparados aos in natura. Será que vale a pena comprar?
 
Os médicos veem com receio o uso indiscriminado dos fortificados e é consenso que se a criança tem uma alimentação variada, não são necessários. “Eles não devem substituir um in natura como fonte de nutrientes. Além do benefício adicional que prometem, também são ricos em gorduras, açúcares, calorias e sódio. O consumo excessivo pode causar problemas, como obesidade e diabetes no futuro”, afirma Virgínia Weffort, pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Mas o que fazer se o iogurte preferido do seu filho é a versão “hipervitaminada”? Tudo bem dar uma vez por dia, mas a partir dos quatro anos, quando o organismo dele tem maturidade para absorver esses nutrientes.
 
Os alimentos enriquecidos são indicados apenas quando a criança não consome a quantia determinada de algum nutriente. Em alguns casos, a recomendação é tão alta, como com o cálcio e o ferro, que, se a alimentação não for muito bem planejada, o déficit aparece. Mas precisa ficar claro: só vale a pena gastar seu dinheiro se o pediatra indicar. CRESCER fez uma seleção dos nutrientes que são mais presentes nas embalagens desses alimentos e conta tudo o que você precisa saber sobre eles.
 
Prebióticos e probióticos
O que são: o prebiótico é o “alimento” do probiótico – são as fibras não absorvidas no intestino delgado que resistiram à acidez do estômago. Os probióticos são micro-organismos vivos que, no intestino grosso, alteram a composição de uma parede formada por bactérias para protegê-lo.
Onde são encontrados: os prebióticos estão no leite materno, em alimentos in natura (como cebola e banana) e no leite em pó. Os probióticos estão no leite materno e em alguns iogurtes e leites fermentados – você encontra essa informação na embalagem.
Benefícios: os prebióticos estimulam o crescimento das bifidobactérias (um tipo de probiótico), que inibem a multiplicação de bactérias nocivas no intestino. Eles facilitam a produção de substâncias capazes de aumentar a absorção de cálcio, diminuir a do colesterol ruim (LDL) e ajudar na manutenção da flora intestinal, prevenindo a diarreia. Os probióticos são divididos por espécies diferentes, e cada uma tem um benefício distinto. Um dos principais é o fortalecimento do sistema imunológico. Um estudo norte-americano, feito com 683 crianças entre 3 e 6 anos, mostrou que as que tomaram iogurte com probiótico tiveram 24% menos incidência de doenças infecciosas, como as gastrointestinais. Se seu filho tem prisão de ventre, o pediatra também pode indicar o consumo diário de um produto com probiótico – e isso não vai fazer com que o intestino da criança desaprenda a trabalhar sem essa “ajuda”.
 
Cálcio
O que é: um nutriente mineral proveniente das rochas que ficam no solo e na água. Quando um animal come grama, por exemplo, retém o cálcio ali presente.
Onde é encontrado: no leite e em derivados, e também em frutas (como mamão), no feijão e em verduras (como o espinafre). No mercado, pães e sucos de soja têm cálcio (veja na embalagem).
Benefícios: é importantíssimo para a formação óssea. Por isso seu filho precisa consumir muito cálcio todos os dias. Uma criança de 4 anos, por exemplo, precisa de 900 mg/dia, presente em duas xícaras de 250 ml de leite integral, uma fatia de queijo branco e em uma colher de sopa de couve. Se o seu filho tem alergia ao leite, aproveite os benefícios dos fortificados.
 
Ferro
O que é: um mineral, como o cálcio.
Onde é encontrado: nas carnes e na gema. Feijão, folhas verde-escuras e beterraba, por exemplo, são fontes do mineral, mas precisam da ajuda da vitamina C, presente em frutas cítricas, para ser absorvido melhor. Está em iogurtes e biscoitos enriquecidos.
Benefícios: atua na fabricação das células vermelhas do sangue e no transporte do oxigênio. Levantamento do Ministério da Saúde mostrou que o consumo de ferro pelas crianças brasileiras está abaixo do esperado: 53% das menores de 3 anos têm anemia. Se o seu filho não gosta de carne ou verduras, os alimentos enriquecidos em ferro ajudam a alcançar a recomendação diária (10 mg/dia). Um bife de 100 g contém cerca de 3 mg de ferro; espinafre cru, 2 mg; e o fígado bovino, 6 mg!
 
Ômega 3
O que é: um tipo de ácido graxo – gordura benéfica para o nosso organismo, não produzida naturalmente.
Onde é encontrado: as maiores fontes são os peixes de água fria, como sardinha e salmão. Mas também está na soja, nas castanhas e no óleo de canola. No mercado, ovos e até azeite têm ômega3.
Benefícios: inúmeras pesquisas já mostraram que ele ajuda no controle da pressão arterial, melhora o funcionamento das atividades cerebrais e diminui os níveis de triglicérides. Para atingir a necessidade semanal, basta comer três porções de peixe por semana. Caso seu filho não coma pescados nessa quantidade, fale com o pediatra. Pode valer a pena comprar ovos com ômega 3.
 
Vitaminas
O que são: nutrientes essenciais para o funcionamento do metabolismo. E a maioria deles não é produzida pelo organismo.
Onde são encontradas: frutas, verduras com folhas verde-escuras e carnes, além de uma infinidade de produtos (vem escrito na embalagem).
Benefícios: cada uma é usada de uma maneira pelo organismo. A vitamina A, presente na cenoura e no tomate, produz retinol, que nos ajuda a enxergar bem, por exemplo. Nosso corpo é capaz de armazenar essa e outras vitaminas para até um ano, no fígado. Outras, no entanto, precisam ser fornecidas com frequência, como a B12, encontrada em carnes e peixes, que mantém as células do sangue saudáveis. Se o seu filho não tem uma alimentação variada, os vitaminados podem funcionar como complemento, desde que com recomendação médica.
 
Zinco
O que é: considerado um micronutriente, é um mineral encontrado em alimentos e em pouca concentração no nosso organismo (ele se acumula no fígado, no pâncreas e nos rins).
Onde é encontrado: nas carnes bovinas, principalmente no fígado; nas frutas, como abacaxi e banana; nos grãos integrais; no chocolate (por causa do cacau).
Benefícios: é indispensável para formar algumas enzimas, como as do intestino, e ajuda no desenvolvimento do aparelho reprodutor (feminino e masculino) e das glândulas endócrinas, que regulam nossos hormônios. A falta desse nutriente pode causar retardo no crescimento, problemas de pele, dificuldade de cicatrização etc. Apesar de ser encontrado em muitos alimentos, ele aparece em pequenas quantidades, por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria estima que a deficiência de zinco afete cerca de 30% dos jovens no país. A explicação está no prato: a criança precisa de uma alimentação saudável e variada para conseguir alcançar a recomendação diária (8 a 11 mg/dia). Se o seu filho não come de tudo, ofereça carne bovina, camarão, feijão, espinafre, soja, abacaxi e maçã, que são mais ricos no nutriente. Com eles, vai ser fácil alcançar o consumo ideal.
 


Postado em 04/10/2013


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