A importância do estudo do meio para o aprendizado dos alunos
Desde que bem planejado pelos professores e com o apoio dos pais,
um passeio temático pode empolgar e expandir a aprendizagem
 
por Cynthia Costa 
 
Lugar de criança é na escola? Sim, e também nas ruas, nos museus e na natureza: é nesses lugares que os pequenos observarão, cara a cara, o que aprendem em sala de aula e, mais do que isso, desenvolverão uma visão própria do mundo. "O estudo do meio permite que a criança entre em contato com certas dimensões da realidade que não estão nos livros", aponta Nídia Nacib Pontuschka, professora sênior da Faculdade de Educação e do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Subir um morro, assim, pode ser uma maneira bem concreta de entender o relevo, por exemplo. "In loco, elas buscam significado para o que observam e o relacionam com fatos já estudados", completa a professora, considerada a grande especialista brasileira em estudo do meio.
 
No entanto, é bem claro que não basta juntar a criançada e cair no mundo. Um estudo do meio bem realizado começa pelo planejamento do professor, passa pela aprovação dos pais - que precisam ver na atividade o real valor para o aprendizado do filho - e termina com a retomada do conteúdo em sala de aula. Veja esse passo a passo e mais detalhes inspiradores sobre estudos do meio a seguir.
 
O que é o estudo do meio?
Antes mais relacionado ao estudo do meio ambiente, hoje podemos definir o estudo do meio como uma saída da escola com o objetivo de aprofundar um determinado conteúdo e/ou levantar hipóteses sobre um aspecto da realidade, sempre com vistas no aprendizado. Durante esse passeio, os alunos observam fatos e paisagens e dialogam com pessoas diversas. Pode ter qualquer lugar como destino (da Amazônia ao próprio bairro da escola) e envolver uma ou mais disciplinas, como enfatiza a Profa. Nídia Nacib Pontuschka: "O melhor estudo do meio é multidisciplinar, mas em uma tentativa de avançar para o interdisciplinar". A visita à nascente de um rio, por exemplo, pode combinar os trabalhos dos professores de geografia, química e biologia, de modo que os conteúdos se inter-relacionem.
 
Passo 1: Planejamento
Metade da tarefa é realizada antes mesmo de colocar o tênis para fora do portão da escola. É essencial que o(s) professor(es) planeje em detalhes o estudo do meio e, preferencialmente, visite antes o destino escolhido para que não haja surpresas. O objetivo deve ser bem claro e delineado, lembrando-se que uma pequena experiência pode levar a grandes aprendizados.
 
Passo 2: Realização
Durante o passeio, é importante que os professores saibam o que estimular nos alunos, como a observação de um determinado fenômeno ou a busca por respostas a perguntas pré-formuladas. São eles, também, que chamarão a atenção para a ligação entre o que está sendo vivido ali e o que foi ou será visto em sala de aula. Essa também é uma oportunidade para abordar o gênero entrevista e/ou jornalístico, pois as crianças podem entrevistar monitores, passantes, turistas - enfim, quem estiver no local. "Cada lugar é uma aula viva", diz a diretora Lorena, que organiza atividades de naturezas muito diferentes, como uma visita ao excelente museu da PUC-RS, em Porto Alegre, com os alunos do 9º ano, e a subida ao Morro da Lagoa, um ponto turístico da capital catarinense, para que o 5º ano observe lá de cima a transformação urbana na cidade. Já na Escola Suíço-Brasileira, há viagens anuais e temáticas: questões relacionadas ao uso e ocupação da terra no 1º ano; trabalho de línguas no 2º ano, quando os alunos preparam um folder de divulgação de uma determinada cidade em vários idiomas; música e artes, no 3º ano, com São João del Rey como um dos destinos favoritos; e uma viagem de "ação" no 4º ano, quando os alunos praticam esportes ao ar livre e trabalham habilidade variadas, como a de liderança.
 
Passo 3: Levantamento de hipóteses
Um aspecto importantíssimo do estudo do meio é despertar nos alunos o espírito científico, isto é, a observação acompanhada por levantamento de hipóteses - estas serão resolvidas ali, na hora; depois, na sala de aula; ou, talvez, nunca, mas já são suficientes para incentivar a capacidade reflexiva e crítica. Assim, ao ver um determinado tipo de musgo durante uma trilha, por exemplo, o aluno pode perguntar que tipo de vegetação é aquela e pensar, por si mesmo, por que ela cresce daquela forma e desenvolve tal aparência. No caso de estudos do meio urbanos, as crianças podem ser estimuladas a levantar hipóteses e soluções a respeito da mobilidade, dos conglomerados de moradias precárias, da construção de grandes empreendimentos etc.
 
Passo 4: Retomado do conteúdo em sala
É hora de voltar à sala de aula. Todos felizes e contentes, e o passeio é página virada, certo? Nada disso, sob o risco de parte da vivência esvair-se. O conteúdo aprendido deve ser trabalhado em forma de redação, relatório, seminário e até veículo jornalístico: que tal preparar uma revista ou um blog para tratar do que foi aprendido? A noção de pesquisa introduzida aqui dá aos alunos a base para futuros projetos científicos, na graduação e na pós-graduação.
 
Ponto importante: a presença do professor
A Profa. Nídia Nacib Pontuschka defende a presença do professor e a sua "mão na massa" como essenciais para um estudo do meio bem-sucedido. Ela comenta que há colégios que contratam microempresas terceirizadas para organizar e acompanhar o passeio, mas que esse não é o ideal, já que é o professor que conhece a turma e que incentivará o aprendizado de maneira harmoniosa com o que é tratado em sala de aula. "Eu consideraria que um professor é sempre o melhor acompanhante, mesmo que peça ajuda para colegas professores ou até para pais, que podem ir junto e participar", argumenta a especialista.
 
Rumo à independência
Além do aprendizado do conteúdo, um benefício secundário - mas também fundamental - do estudo do meio é a conquista de independência por parte da criança. "Ela aprende a organizar a lancheira para um dia inteiro, depois a fazer mala e a dormir fora", lembra a diretora Lorena Nolasco, que propõe uma experiência gradativa, ao longo dos anos escolares: primeiro, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, os alunos passam um período fora; depois, um dia inteiro; no Ensino Fundamental II, um fim de semana; no Ensino Médio, já estarão preparados para passar até uma semana inteira viajando.
 
Custo do passeio
É preciso deixar bem claro que o estudo do meio não precisa ser caro nem muito complicado, por isso toda escola, pública ou particular, pode realizá-lo. Se o objetivo do passeio é observar uma faceta da realidade, isso pode ser feito em qualquer lugar. "Pode-se estudar o transporte metropolitano, por exemplo, andando com as crianças de ônibus, trem ou metrô. Elas podem levar pranchetas e entrevistar os passageiros", exemplifica a Profa. Nídia Nacib Pontuschka, que já chegou a organizar uma vivência na própria rua da escola. Assim, caso os pais não tenham meios de pagar uma excursão ou viagem, a escola pode pensar em soluções menos onerosas e tão proveitosas quanto excursões mais elaboradas. E, mesmo que as famílias tenham meios, é importante que recebam esclarecimentos sobre o valor gasto, e que tenham tempo para organizar o seu orçamento.
 
Pais preocupados? Dicas de segurança
Com a violência nas grandes cidades brasileiras, muitos pais se assustam ao saber que seus filhos sairão da escola. A solução é promover uma boa conversa entre pais e professores antes da excursão, de modo que dúvidas de logística sejam resolvidas. Algumas precauções podem evitar ocorrências: - Professores acompanhantes em número suficiente para acompanhar todos os alunos o tempo todo; - Todos os alunos uniformizados - ou, pelo menos, com camisetas iguais. Assim eles ficam mais facilmente reconhecíveis, e o grupo fica coeso; - Combinados: um dia antes da saída, o professor conversa com a classe sobre as regras, como não se afastar dos colegas, não mexer nas peças do museu, não gritar etc. 
 
Fonte: Educar para Crescer
 


Postado em 22/10/2013


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