Como os pais podem influenciar o futuro profissional dos filhos
Saber o momento certo de conversar com o adolescente e descobrir os interesses do jovem são atitudes fundamentais para impactar positivamente no sucesso profissional dos filhos
 
por Danielle Nordi
 
“Por mais que os pais achem que os filhos não querem ajuda, uma pesquisa recente revelou que é o contrário. De acordo com um estudo feito pelo Portal Educacional, 65% dos jovens em fase de vestibular e escolha profissional querem a ajuda dos pais. Mas esse pedido quase nunca é verbalizado”, afirma Maurício Sampaio, autor do livro “Influência positiva - Pais & filhos: construindo um futuro de sucesso” lançado pela Editora DSOP.
 
Segundo Maurício, pais que procuram descobrir os interesses dos filhos, que se informam sobre as mudanças que ocorreram nos últimos anos tanto no mercado de trabalho quanto na área educacional e que deixam os filhos decidirem seu futuro sem imposições têm mais chance de influenciar positivamente os jovens na escolha da profissão. Confira entrevista concedida ao Delas.
 
iG: Como os pais podem influenciar o sucesso profissional dos filhos? 
Maurício Sampaio: Os pais podem influenciar de maneira positiva e negativa, e o que mais acontece é a negativa. São os pais que chegam reclamando do trabalho e nunca tomam uma atitude para mudar. Eles não mudam e, se o filho estiver no período de escolha da profissão, jamais vai escolher a do pai ou a da mãe. A identidade profissional do jovem também é formada com esses exemplos dentro de casa, além de toda a vivência na escola e em seu círculo social. Se o jovem tem uma mãe ou um pai que chega em casa falando bem do trabalho, motivado, trazendo coisas novas, é óbvio que a tendência de escolha será a mesma atividade. Mas isso não quer dizer que sempre que o pai é motivado com sua profissão, essa também seja a escolha correta para o filho. Isso só deve acontecer quando for algo positivo na vida do jovem. Alguns pais acabam “forçando” o filho a escolher a mesma profissão. Isso é um erro.
 
iG: Mas como ser, então, uma influência positiva nessa época da vida do adolescente? 
Maurício Sampaio: Eu brinco que o jovem tem picos de humor, o que é normal para a fase. É importante identificar essa oscilação. Assim, será possível enxergar quando ele está em um bom dia e quando é um bom horário para uma conversa sobre algo tão importante. Mas, durante esse bate-papo, os pais precisam ter o olhar do interesse, não da cobrança. Procure conhecer os interesses do seu filho: livros, músicas e sites que ele gosta. Conhecer os interesses do filho e saber do que ele gosta não é tão fácil. Não acontece do dia para a noite. É um processo de diálogo, relacionamento, tempo de convivência entre pais e filhos.
 
Além disso, alguns pais não têm conhecimento sobre as mudanças do mercado de trabalho e do mercado educacional dos últimos anos. Para efetivamente ajudar o filho, é preciso se informar. Saber o que mudou ajuda a entender melhor o universo do adolescente e, dessa forma, conversar de igual para igual. Mas acima de tudo, os pais podem ajudar o filho não fazendo a escolha por ele. Pai e mãe querem que filho seja feliz e tenha sucesso. Para que ele seja feliz, tem que fazer algo que gosta. É preciso identificar o que esse jovem gosta. E, nesse momento, os pais podem ajudar muito com a maturidade de quem tem vivência profissional.
 
Alguns adolescentes não conseguem fazer uma escolha bem informada e vão bater cabeça. O melhor é deixar o jovem aprender com seu erro. É doloroso, mas ele precisa achar o caminho sozinho
 
iG: Os jovens querem essa ajuda? 
Maurício Sampaio: Por mais que os pais achem que os filhos não querem ajuda, uma pesquisa recente revelou que é o contrário. De acordo com um estudo feito pelo Portal Educacional, 65% dos jovens em fase de vestibular e escolha profissional querem a ajuda dos pais. Mas esse pedido quase nunca é verbalizado. O adolescente tem um pouco de vergonha de pedir ajuda, mas no fundo precisa de alguém para apoiá-lo. Geralmente, esse pedido vai acontecer apenas às vésperas do vestibular. Só que acaba sendo um pouco tarde. O ideal é que os pais tentem abrir esse diálogo para decifrar os interesses dos filhos desde o início do ano.
 
iG: O senhor comenta no livro que existe uma ausência involuntária de muitos pais nessa etapa da vida dos filhos. Ela é comum? 
Maurício Sampaio: Sim, é comum. Não é que o pai seja ausente, mas ele se compromete com tantas coisas em sua própria vida profissional e acredita que o filho já está encaminhado que acaba ficando ausente. Ele não percebe que não está presente nesse momento até porque existe aquela questão do jovem nem sempre verbalizar um pedido de ajuda. Mesmo com pais bem informados e participativos, essa ausência acontece muito.
 
iG: Existe um limite até onde pais podem ir na tentativa de orientar os filhos em suas escolhas? 
Maurício Sampaio: Eu acho que o limite é não escolher por ele e não impor sua própria profissão. A não ser que o filho realmente queira trabalhar no negócio dos pais ou ter a mesma profissão, acho que os pais podem mostrar o dia a dia deles para que o jovem possa tomar uma decisão com conhecimento. Uma das barreiras que o adolescente enfrenta na escolha da profissão é essa falta de visão da realidade. Ele tem um distanciamento muito grande do que imagina para o que de fato acontece no dia a dia do mercado de trabalho. E isso também pode ser uma porta de entrada para que os pais consigam iniciar a conversa sobre profissão com o filho.
 
iG: O que o pai pode fazer quando discorda da profissão que o filho escolheu? 
Maurício Sampaio: Acho que o diálogo é a única solução. Mas infelizmente a gente tem que aprender com os erros em diversos momentos da vida. Alguns adolescentes não conseguem fazer uma escolha bem informada e vão bater cabeça. O melhor é deixar o jovem aprender com seu erro. É doloroso, mas ele precisa achar o caminho sozinho.
 
iG: Pela sua experiência, diria que os pais estão aptos a enxergar os talentos dos filhos? 
Maurício Sampaio: Sim, estão. É uma questão de observação diária. Você consegue ver se o filho tem talento para arte ou qualquer outra área. Os pais precisam considerar que a identidade vocacional começa a ser formada, de acordo com pesquisadores, quando a criança começa o período escolar. Ela vai se formando ao longo dos anos e isso é observável. Meu filho tem nove anos e já vejo que gosta da área de comunicação e arte. Mesmo cedo, é possível identificar talentos.
 
iG: O senhor poderia dar três conselhos de como os pais podem ajudar, na prática, os filhos a escolherem uma profissão? 
Maurício Sampaio: Em primeiro lugar, os pais devem aproveitar o momento de emoção positiva do filho para falar sobre esse assunto. “Timing” é muito importante. Um segundo conselho seria se interessar pelas coisas que o filho faz. Conversar com ele, trazer livros para que o jovem leia. Dez minutos por dia já fazem a diferença. Outra orientação é: observe seu filho. O que ele faz, o que gosta, que motivadores tem. De repente, ele não gosta de ir ao cinema, mas adora correr. Nesse caso, invista no esporte. Observar é fundamental. 
 
Fonte: iG Delas


Postado em 23/10/2013


Notre Dame
+ Notícias

atendimento
CENTRAL DE ATENDIMENTO
(13) 3579 1212
Unidade I - Av. Pres. Wilson, 278/288 - Itararé
Unidade II - Rua Pero Corrêa, 526 - Itararé
Unidade III - Cel. Pinto Novaes, 34 - Itararé