Carreira: falta de experiência e superproteção gera profissionais inseguros
Cresce o número de jovens recém saídos da universidade sem nenhuma experiência 
 
Jovens que iniciam a carreira encontram inúmeras dificuldades para conquistar seu espaço no mercado. Alicerçados apenas em bases teóricas trazidas dos bancos universitários, faltam-lhes a prática desejada pelas empresas. “Com o mercado cada vez mais competitivo, os recém formados necessitam demonstrar agilidade, perspicácia, expediente, habilidades políticas adquiridas em experiências profissionais diversas.”, alerta o head hunter e sócio da Steer Recursos Humanos, Ivan Witt. “Qualquer tipo de trabalho traz aprendizados importantíssimos. Relacionamentos interpessoais, respeito a hierarquias, cobranças por resultados, erros e as conseqüências deles. Essas experiências farão a diferença se comparadas a um currículo que tenha somente a formação universitária”.
 
Na sociedade norte-americana, quando os adolescentes iniciam seus cursos superiores, sabem que é chegada a hora de sair da casa dos pais, iniciarem uma vida compatível com seus ingressos.  É comum arrumarem trabalhos complementares enquanto não terminam suas carreiras, para ir juntando um dinheirinho extra e melhorar o padrão de vida.  Claro que o lado cultural influi e essa não é a prática em nosso país.
 
A superproteção dos pais é um dos fatores que contribui para o crescente número de jovens recém saídos da universidade sem absolutamente nenhuma passagem por qualquer tipo de trabalho. “Faz parte da cultura norte americana, o incentivo, em qualquer classe social, ao trabalho, para que possam custear seus próprios estudos ou moradia e adquirirem experiência. Isso ajuda a torná-los adultos mais responsáveis”, afirma Ivan.
 
No Brasil, um jovem cuja família tem boas condições financeiras, nem sempre se sujeita a empregos fora de sua área de atuação.  “Enquanto não precisam, não correm atrás, achando que a boa formação acadêmica será o suficiente. Essa atitude não agrada aos empregadores, que preferem os mais vividos, na hora de preencher vagas de base”, pondera Ivan.
 
Outro fator para a falta de maturidade e experiência no mercado é a expectativa que o jovem tem de atingir, em pouco tempo, o mesmo patamar salarial ou as mesmas condições de vida que seus pais possuem. “Muitos recusam oportunidades valiosas, como se pudessem ganhar muito antes de adquirirem experiência”, diz o especialista. “O preconceito por vagas em atividades simples impede que muitos jovens cresçam pessoal e profissionalmente”. 
 
É imprescindível que os jovens universitários iniciem as atividades profissionais durante a faculdade e é papel dos pais incentivarem seus filhos a buscarem um trabalho. “É o momento de exercitarem-se, acertar e errar e viver as conseqüências disso, para depois encarar a vida profissional com maturidade e coragem. Nenhuma empresa quer ensinar o básico a um indivíduo que já tem diploma. Tem que chegar jogando e de preferência fazendo gol.”, finaliza Ivan.
 
Fonte: Empregos.com.br 


Postado em 29/10/2013


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